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Posts Tagged ‘Alentejo’

Fundada em 1963, a Fundação Eugênio de Almeida (“F.E.A.”) é uma instituição auto-sustentável sem fins lucrativos. Ela administra projetos que visam ao desenvolvimento social, cultural e técnico da região de Évora. Em suas propriedades, explora as culturas arvenses, a pecuária, silvicultura e a viticultura. A produção vinícola é realizada na Adega Cartuxa e financia todos os outros projetos.

 adega cartuxaHoje em dia, o antigo posto jesuíta, onde já em 1776 funcionava um importante lagar de vinho, recebe visitantes enófilos do mundo inteiro para as degustações que devem ser agendadas com antecedência e variam da mais simples à mais refinada.

 Conduzidos pela guia credenciada pela F.E.A., Ana Santos, a visita inclui dois vídeos exibidos em diferentes momentos, um passeio pelas salas e corredores um dia habitados pelos monges cartuxos, uma experimentação aromática e, por fim, a degustação em si. Enquanto vamos atravessando corredores ladeados por grandes tonéis de carvalho (ainda usados pela empresa) e salas que guardam antigas instalações vinícolas como as ânforas argelinas e as imensas cubas de concreto revestidas de resina (testemunho de um passado recente), ouvimos as explanações da Ana, tendo de fundo o som celestial do canto gregoriano.

 degustacao olfativaA originalidade da visita surge no momento por eles denominado de “experiência aromática”, que eu chamaria de “degustação olfativa”. Fizemos aí uma parada diante de um painel contendo fotos das principais uvas por eles cultivadas e seus respectivos aromas apresentados em essências elaboradas pela própria empresa. Foi uma prazerosa brincadeira em que íamos descobrindo toda a complexidade aromática de uvas como a Trincadeira, a Aragonez, a Castelão, Antão Vaz e a Alicante Bouchet.

 O Pêra-Manca tinto é o vinho mais caro produzido pela F.E.A. na Adega Cartuxa. É feito somente nos anos de boa safra, atendendo a um elevado grau de exigência na qualificação das colheitas que precisam ser de qualidade exepcional. O primeiro Pêra-Manca tinto da F.E.A. foi produzido em 1990. De lá para cá, em 21 anos, foram produzidos apenas 10 safras do Pêra-Manca. Por aí se entende por que é bem difícil ser encontrado e por que seu preço é diferenciado na categoria. O Pêra-Manca branco é também muito bom, porém, não goza do mesmo prestígio.

 A F.E.A. produz ainda, os vinhos da linha “Cartuxa”, o Scala Caeli (de produção muito pequena, feito todos os anos com as melhores castas da safra que não sejam típicas do Alentejo) e o E.A., muito popular aqui no Brasil. Todos, vinhos de qualidade respeitável.

 Ao final da visita, a degustação dos vinhos (Pêra-Manca tinto e branco) simpaticamente acompanhada de pãozinho, fatias de queijo de cabra, fatias de “enchido” (embutidos), água e provas de seus três azeites (o “Álamos”, o “Cartuxa” e o “E.A.”).

 Avaliação dos vinhos:

vinho português pera manca 1. Pêra-Manca branco, safra 2009

Castas: Antão Vaz e Arinto

Teor alcoólico: 13,5% vol.

Região: Évora-Alentejo

De coloração amerelo-ouro claro, límpido e brilhante, o vinho liberava intensos aromas de frutas exóticas e mel; em boca, seco, um toque amanteigado e notas de amêndoas, revelando bom corpo, acidez extremamente agradável e final persistente.

 2. Pêra-Manca tinto, safra 2007

Castas: Tricadeira e Aragonez

Teor alcoólico: 14%

Região : Évora-Alentejo

Com intensa coloração rubi escuro, aroma de frutos negros maduros, toque de madeira, em boca, seco, os frutos maduros, notas de especiarias, bom corpo, estrutura balanceada, revelando taninos delicados e final de longa persistência.

 Não poderíamos deixar de tecer aqui um breve comentário sobre os azeites apresentados:

1.  “Álamos” – elaborado com dois tipos de oliva, é utilizado de várias maneiras: cozinhar, assar, temperar; bem versátil e saboroso.

2. “E.A.” – utilizado em pratos mais pesados, como carnes vermelhas, é um azeite forte e picante.

3. “Cartuxa” – elaborado com um único tipo de oliva, é delicado e suave; ultizado para saladas, peixes cozidos e massas frias.

 O nome Pêra-Manca é uma curiosidade à parte. Conta-se que deriva do toponímico “pedra-manca”ou “pedra oscilante”- uma formação granítica de blocos arrendondados em desequilíbrio sobre rocha firme.

 Visitar a Adega Cartuxa foi uma experiência inesquecível que nos permitiu compartilhar da generosidade alentejana e da história de um grande vinho.

 Maria Uzêda

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