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Archive for the ‘Enoturismo’ Category

Em viagem à Argentina tive a oportunidade de conhecer algumas vinícolas na região de Mendoza. Dentre elas, a Zuccardi muito me surpreendeu. Logo no primeiro contato para fazer a reserva de visitação, fui questionada se não gostaria de almoçar no restaurante da vinícola. O que a princípio não estava nos planos, acabou sendo uma experiência sensacional que somou-se a uma visita muito especial.

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Com uma vista espetacular dos Andes, a Zuccardi tem sua sede e restaurante localizados em Maipú. O restaurante tem como proposta servir uma comida regional. É um menu fixo, com entrada, diferentes cortes de carne servidos com salada e legumes e sobremesa típica, sendo que para cada um dos pratos, um vinho Zuccardi é servido para harmonizar. Além disso, é possível degustar os excelentes azeites produzidos por eles. Uma verdadeira orgia enogastronômica que vale cada centavo.

Logo na sequência, fui recebida pelo guia Nicolás na bodega, que me contou um pouco da história dessa família e me apresentou alguns dos vinhos assinatura da casa.

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A história da vinícola tem início em 1963 com Tito Zuccardi, engenheiro descendente de italianos que vivia na Argentina. Tito comprou terras na região de Mendoza, desenvolveu um sistema próprio de irrigação, o que foi uma evolução do sistema tradicional e começou a vender o sistema para outros produtores. Sob o nome Uvas del Sol, nasceu a vinícola de Tito focada na produção de vinhos de mesa, produto este que tinha à época uma elevada demanda interna.

Em 1970, Alberto Zuccardi Filho começou a trabalhar com Tito, seu pai, e tornou-se responsável pela ampliação da produção e evolução da qualidade dos vinhos da vinícola, que passou a ser chamada de Santa Julia em homenagem a sua primeira filha. E sim, aqui falamos do Santa Julia que conhecemos dos supermercados. Essa é a linha de entrada da família Zuccardi, produzida numa bodega própria.

Ao longo dos anos, Santa Julia tornou-se muito conhecido e recebeu status de custo-benefício argentino. Alberto Zuccardi logo percebeu o quanto a qualidade de suas uvas vinha evoluindo e o potencial que representavam para seus vinhos. Assim, em 1997 lançou o primeiro Família Zuccardi “Q”, um Tempranillo. O “Q” é adotado para classificar a qualidade superior. Com tamanho sucesso, no ano seguinte foram produzidos Zuccardi “Q” a partir de outras castas, como Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Malbec, sendo que este último tornou-se destaque.

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Hoje a Zuccardi possui 1.000 hectares com produção própria nas regiões de Maipú, Santa Rosa e Uco, sendo a terceira maior vinícola da Argentina (atrás de Trapiche e Norton) e a primeira maior familiar. São mais de 32 cepas distintas plantadas e 20 milhões de litros produzidos do Santa Julia por ano, sendo 70% direcionado à exportação para mais de 45 países, sendo o Brasil o terceiro maior importador. Para o Família Zuccardi, que são vinhos mais elaborados, são produzidos 500 mil litros.

As uvas do Santa Julia são colhidas mais cedo com o intuito de obter um vinho com menos álcool, mais frutado e mais fácil de beber, enquanto as uvas do Zuccardi amadurecem por mais tempo, gerando vinhos mais complexos, com mais álcool e mais estrutura. Seus vinhos são segmentados entre as linhas Série A, Zuccardi “Q”, Especialidades e Ícones.

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A Zuccardi vem buscando cada vez mais produzir vinhos de origem, que expressem a característica da uva e do terroir. Praticamente não usa madeira nos vinhos e tem usado os tanques de concreto para preservar ao máximo sabores, aromas e coloração das uvas. Com essa filosofia, sustenta uma excelente reputação, obtendo premiações internacionais e altas pontuações conferidas por renomados críticos do mundo dos vinhos.

Alguns dos vinhos degustados na visita:

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Torrontés Série A 2014, Salta

De coloração amarelo palha, apresenta aromas suaves de lichia, frutas brancas e ervas frescas. Em boca, leve, delicado, ótima acidez, muito equilibrado. Não é cansativo como a maioria dos Torrontés que conhecemos. Vale a experiência!

Aluvional 2012, Paraje Altamira

Malbec de microterroir, é um vinho ícone sem barrica, produzido em solo aluvional com bicarbonato de cálcio e pedras brancas. A videira absorve o bicarnonato que proporciona características únicas à uva. De coloração violeta, apresenta enorme complexidade aromática exibindo frutas negras e notas minerais características do terroir. Em boca, bom corpo e acidez, taninos macios. Está excelente!

Tito Zuccardi 2013, Paraje Altamira

Malbec, Cabernet Sauvignon, Ancellota

Uma homenagem ao avô, Tito Zuccardi. De coloração intensa violácea, apresenta aromas de violeta e frutas negras. Em boca, bom corpo e acidez, muita fruta e taninos marcantes. Excelente!

Zuccardi Concreto 2014, Paraje Altamira

Malbec de solos calcáreos

A fermentação deste vinho, como o próprio nome diz, é feita em concreto com cachos inteiros. De coloração vermelho violáceo, apresenta aromas de frutas negras e notas minerais. Em boca, boa acidez, encorpado e bastante tânico. Muito bom!

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Se você for a Mendoza, a visita à Zuccardi é parada obrigatória. Não deixe de reservar com antecedência uma mesa no restaurante e a visitação na bodega. Para os interessados, a vinícola oferece também programas como piquenique em seus jardins, cursos de degustação de vinho e azeite e aulas de culinária regional.

Saiba mais no site: www.casadelvisitante.com ou www.familiazuccardi.com.

Um brinde e boa viagem!

Cristina Almeida Prado.

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Quando falamos em Chile e seus grandes vinhos, Errazuriz é certamente um nome para ser lembrado. Em viagem a esse país, tive a oportunidade de conhecer a vinícola, que tem uma sede grandiosa e moderna, e aprender um pouco mais sobre seus vinhos e sua história.

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A história da vinícola teve início em 1870 quando a família de origem basca Errazuriz, fundadora da primeira companhia de iluminação no Chile e de grande influência nesse país, decidiu diversificar seus negócios e iniciou a produção de vinhos. Dom Maximiano Errazuriz, seu fundador, foi um grande visionário, quando na contramão das demais vinícolas que se expandiam no entorno de Santiago, decidiu ir mais adiante, a 100km ao norte da capital, onde encontrou um terroir excepcional no Vale do Aconcágua e na mesma década lançou seu primeiro vinho.

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Com 300 hectares de terras plantadas, a vinícola Errazuriz ganhou importante relevância no desenvolvimento da região onde se iniciou um pequeno povoado chamado de Vila Errazuriz, com uma igreja, uma escola e casas para os trabalhadores.

Quase 60 anos depois, no entanto, o Chile vivenciou um turbulento período em sua história, com uma série de reformas políticas, entre elas, medidas que visavam o controle do consumo de álcool no país, que comprometeram a produção e a evolução tecnológica da vinícola. Somente em 1975 o país retomou o livre comércio, abrindo portas não apenas para uma nova etapa de modernização da produção, mas especialmente para o ganho de visibilidade dos vinhos chilenos mundo a fora.

Em 1983 um importante personagem surgia na história da vinícola. Eduardo Chadwick, filho de Dom Alfonso Errazuriz Chadwick, quinta geração da família, aprimorou seus conhecimentos com estudos em Bordeaux, tomou a frente dos negócios da família e investiu em tecnologia e na produção de vinhos de nível mundial. Chadwick foi responsável pela criação da primeira joint-venture na história do vinho chileno, associando-se a Robert Mondavi, da vinícola Mondavi nos Estados Unidos, para criação de um vinho de excelência: o Seña.

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De produção biodinâmica, o Seña teve sua primeira safra em 1995 e se tornou um vinho ícone da casa. É produzido a partir de 5 castas: Cabernet Sauvignon, Carmenère, Petit Verdot, Merlot e Cabertnet Franc e vem ganhando altas pontuações e inúmeras premiações em avaliações mundiais desde seu lançamento.

Outros vinhos ícones da Errazuriz são o Dom Maximiano, assinatura da casa, produzido a partir das uvas Caberbet Sauvignon (75%), Carmenère, Petit Verdot e Malbec e o KAI, que significa planta em língua indígena, é 100% Carmenère, uva símbolo chilena, que precisa de muito sol para obter sua melhor expressão e que encontra no Aconcágua as condições ideais.

Não poderíamos falar da Errazuriz, sem mencionar a uva Syrah, pois a vinícola foi pioneira na produção de vinhos desta cepa no Chile e apresenta um belo exemplar no vale do Aconcágua, com uma proposta de ser um vinho mais frutado e mais fácil, sob o rótulo La Cumbre.

A Errazuriz, que celebra este ano 147 anos de existência, tornou-se a oitava maior vinícola em produção no Chile, produzindo 16 milhões de garrafas anualmente e a terceira em faturamento. Para seus vinhos ícones, há todo um tratamento especial que ajuda a garantir um elevado padrão de qualidade. A produção acontece por gravidade, processo que inicia no alto da cantina, de cima para baixo, com o intuito de causar menos stress nos cachos. Além disso, não fazem batonage para não pressionar muito as uvas e não pegar o sabor amargo das sementes e fermentam a frio para obter os melhores sabores, coloração e aromas. Não é à toa que seus vinhos são ricos e cheios de complexidade, proporcionando aos enófilos do mundo todo uma experiência deliciosa.

Alguns dos vinhos degustados na visita à sede:

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Max Reserva Errazuriz Chardonnay 2014

Apresenta aromas de frutas tropicais maduras. Em boca, bom corpo, sabores delicados de abacaxi, frescor e certa untuosidade. Usam bem pouca barrica para manter a característica da fruta. Muito bem produzido.

Aconcagua Costa Syrah 2014

Aromas de frutas negras e vermelhas maduras, lembrando cerejas e framboesas com notas de especiarias. Em boca, corpo médio e boa acidez, muita fruta e certa mineralidade. Muito bom!

KAI Carmenère 2013

Aromas de frutas negras e vermelhas com notas vegetais delicadas e tabaco. Em boca, apresenta bom corpo, taninos aveludados, sabores intensos de frutas negras e vermelhas, acidez média. 14,5% álcool. Excelente exemplar da Carmenère!

Errazuriz Dom Maximiano 2013

Excelente complexidade no nariz, lembrando frutas vermelhas, como cerejas, framboesa e cassis, com notas de tabaco e especiarias. Em boca, apresenta bom corpo e acidez, taninos marcantes. Está um pouco jovem ainda, mas evoluirá muito bem. É uma pérola que vale ter na adega para uma ocasião especial.

Para quem deseja visitar a vinícola, basta acessar o site, escolher o modelo de visita e degustação desejado e confirmar a reserva. Para quem planeja passar pela região, é certamente um passeio que não pode ficar de fora.

Um brinde,

Cristina Xavier.

 

 

 

 

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A história da Viña San Esteban tem início com José Vicente e seu filho Horácio, viticultores de família com tradição de muitas gerações na produção de uvas no vale do Aconcágua, que acreditando na qualidade e potencial de suas uvas e terroir, vislumbraram a produção de vinhos de alto nível com a essência do Aconcágua. Horácio, chileno formado em enologia em Bordeaux, adquire experiência nos vinhedos de Bordeaux e Califórnia, ampliando seus conhecimentos na produção de vinhos. Quando retorna ao Chile, além de toda bagagem, vem trazendo tecnologia inovadora para a região e, em 1974, nascia a Viña San Esteban.

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Localizada a 870m do nível do mar, a Viña San Esteban, conhecida também como In Situ por sua linha de vinhos mais famosa, tem hoje cerca de 150 hectares e produção de 3 milhões de garrafas por ano. Com a proposta de oferecer a essência do vale do Aconcágua em uma garrafa, os vinhos da San Esteban são focados no mercado exterior e chegam às adegas de enófilos de mais de 20 países.

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Além de suas lindas vinhas, numa romântica paisagem entre as cadeias dos Andes e a cordilheira da Costa, a propriedade possui algo a mais de especial. Em meio a seus vinhedos, existem sítios arqueológicos com petroglifos que datam de 1.000 anos atrás. Este atrativo inspirou a criação da marca da Viña San Esteban e pode ser visitado com agendamento prévio.

Na visita à propriedade, degustei alguns de seus vinhos:

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In Situ Sauvignon Blanc Reserva 2015

De coloração amarelho palha, apresentou aromas de maracujá, limão e notas herbáceas. Fácil de beber, frutado, ótima acidez e muito frescor.

In Situ Cabernet Sauvignon Reserva 2014

De coloração vermelho rubi intenso, apresentou aromas de frutas negras com notas de pimenta preta e cedro. Fácil de beber, bastante frutado, boa acidez e taninos macios.

In Situ Gran Reserva Carmenère 2014

14 meses de estágio em barrica francesa

De coloração vermelho carmim, apresentou ótima intensidade aromática, com aromas de cerejas negras e amoras com notas de pimenta preta. Em boca, bom corpo e média acidez.

In Situ Gran Reserva Cabernet Sauvigon 2014

14 meses em barrica francesa

De coloração vermelho rubi intenso, apresentou aromas de cerejas negras, amoras e pimenta preta. Em boca, bom corpo e acidez elevada.

Para quem desejar visitar a vinícola, basta enviar um e-mail e agendar um horário.

Viña San Esteban: www.insitu-travel.cl

Endereço:  Avda. la Florida 2220, San Esteban – Los Andes

Contato: insitu@vse.cl, +56 342 482842

Um brinde!

Cristina A. Prado

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Seguindo o roteiro de visita no Vale do Aconcágua, fui em direção à Flaherty, mais uma vinícola integrante da MOVI Chile (movimento dos pequenos vinhateiros do Chile). Essa vinícola, ainda jovem e pequena, não era de fácil localização. Sem nenhuma sinalização na estrada, nem identificação na fachada, rodei um tempo até encontrar sua sede. Mas esse detalhe não era à toa: a Flaherty não é aberta ao público e sua proposta é personalizar o atendimento a seus poucos visitantes, que necessitam agendar previamente a visita.

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A história da Flaherty começa com Eduardo Flaherty, enólogo americano formado na universidade de Davis, na Califórnia que, com sua esposa Jenny, veio ao Chile para trabalhar em uma colheita na Concha y Toro. A paixão pelo Chile e pelo trabalho com as vinhas foi tão forte, que acabaram criando raízes. Ed teve seu primeiro cargo como enólogo na vinícola Cono Sur. Algum tempo mais tarde, trabalhou na gigante Errazuriz onde permaneceu por 8 anos e logo em seguida, mais 8 anos na Tarapacá.

Com toda a bagagem adquirida, Ed passou a trabalhar como consultor de vinhos para diversas vinícolas da região e em 2002, com o apoio de sua esposa Jenny, começou a produzir seus próprios vinhos.

A Flaherty é uma vinícola boutique que produz vinhos elegantes e cheios de personalidade. Em 2014 sua produção foi de 20.000 garrafas e pretende chegar em até 60.000 em 5 anos. A proposta é continuar com uma produção pequena para manter o estilo de seus vinhos.

Após um passeio pelas instalações da vinícola, guiada pela Jenny, fizemos uma degustação, que incluiu seu vinho Aconcágua 2014 que não estava nem no mercado na ocasião. Em seguida, desfrutamos de um delicioso almoço preparado pela própria Jenny: uma salada ceasar com frango e croutons e, de sobremesa, um sorvete de banana com brownie.

Flaherty 2013, Aconcágua

60% Syrah, 25% Cabernet Sauvignon, 5% Petit Syrah, Tempranillo e Malbec

18 meses em carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas de ameixa e cerejas negras notas tostadas. Em boca, muita fruta, boa acidez e taninos aveludados. Muito bom!

Flaherty 2013, Calquenes

Syrah

18 meses em carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas de frutas negras com notas de mentol e eucaliptos. Em boca, muita fruta, boa acidez e taninos marcantes. Está excelente!

Flaherty 2014, Aconcágua

Syrah, Cabernet Sauvignon, Petit Syrah, Tempranillo e Malbec

18 meses em carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas de ameixa, cerejas negras, pimenta preta com notas tostadas. Em boca, muita fruta, boa acidez e taninos marcantes. Uma delícia!

A visita a Flaherty foi especial, assim como são seus vinhos.

Para quem desejar conhecer, seus vinhos podem ser encontrados nas principais lojas especializadas de Santiago, algumas lojas no Brasil ou agendando uma visita.

Mais informações: www.flahertywines.com

Um brinde!

Cristina A. Prado.

 

 

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Há alguns meses participei de uma degustação organizada pela MOVI Chile (movimento dos pequenos vinhateiros do Chile) que tinha como proposta apresentar à imprensa vinhos de algumas vinícolas boutique. Fiquei realmente surpreendida com a qualidade dos vinhos e decidi incluir algumas das vinícolas em meu roteiro ao Chile.

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A primeira visita foi a Von Siebenthal, onde fui recebida pelo Mateo. Toda a história da vinícola começa com um personagem chamado Irineu, um artista suíço que se apaixonou por uma chilena e decidiu construir sua vida neste país de belíssimas riquezas naturais. Um dia, compartilhou com um amigo suíço algumas fotos e histórias deste país. E foi assim que, em 1998 o advogado Mauro deixou seu país com seu filho Mateo e chegou ao Chile com uma bagagem cheia de sonhos.

Localizada no vale do Aconcágua, a Von Siebenthal tem hoje 32 hectares de vinhas e produz seus vinhos a partir das uvas tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère, Cabernet Franc, Syrah e Petit Verdot, e Viogner para seu único vinho branco.

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Aos pés dos Andes, o vale do Aconcágua está localizado a cerca de 80 km para o norte de Santiago. É uma região com grande oscilação de temperatura entre o dia e a noite, muito vento e pouca chuva ao longo do ano, o que permite um amadurecimento adequado das uvas e ajuda a prevenir o desenvolvimento de fungos.

O vinho símbolo da vinícola, de maior reconhecimento e expressão é o Parcela #7, com produção anual de 100 mil garrafas. Já seu vinho ícone é o Toknar, com 24 meses em barricas de carvalho francês e americano e estrutura para ser guardado por até 25 anos. Mas a novidade da vinícola é o Viogner, que passa de 12 a 14 meses em barrica e que, conforme ressaltou Mateo, tem estrutura suficiente para harmonizar com carne vermelha.

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Os vinhos da Von Siebenthal estão focados principalmente no mercado exterior, sendo exportados para mais de 30 países. O Brasil é o seu segundo maior mercado, logo após a China, mas seus vinhos podem ser encontrados também nos principais restaurantes de Santiago.

Ao final da visita, Mateo apresentou o Parcela #7 e o Carabantes Syrah:

Parcela #7 2012

Carbernet Sauvignon, Petit Verdot, Cabernet Franc e Merlot

14 meses em barris de carvalho

De coloração rubi, apresentou aromas de frutas negras maduras, como groselhas, e notas de pimenta preta. Em boca, acidez elevada, taninos elegantes e muita fruta.

Carabantes 2012

Syrah

18 meses em barris de carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas explosivos de frutas negras maduras, como cassis e ameixa, com notas de mentol e chocolate. Em boca, corpo cheio, média acidez e taninos macios.

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Para quem deseja conhecer a vinícola, é necessário agendamento prévio que pode ser feito por e-mail ou telefone.

Von Siebenthal:

E-mail: latorre.soledad@gmail.com

Telefone: +56 9 9459 6173

Um brinde!

Cristina A. Prado.

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Em recente viagem ao Chile, tive a oportunidade de conhecer os vales de Casablanca e Aconcágua, no entorno de Santiago, e visitar algumas de suas vinícolas. A primeira visita foi à Emiliana, que está há 50 minutos de carro de Santiago, sentido Valparaíso.

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Quem me recebeu foi a Angélica, guia de visitas, e o Josué, hospitality manager, que, super atenciosos, compartilharam um pouco sobre a história e filosofia da vinícola e me apresentaram alguns de seus vinhos.

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Com cerca de 20 anos de história, a Emiliana é hoje a maior vinícola orgânica do mundo e cultiva suas uvas nas principais regiões vinícolas do Chile. Como filosofia, diz-se que um vinhedo orgânico é um organismo vivo autossustentável: um sistema fechado que se mantém saudável com o uso da própria fauna, flora e minerais em seu favor. Não utiliza pesticidas ou qualquer produto químico em suas vinhas, mas produz uma série de ervas e grãos que são utilizados em compostos que ajudam a fortalecer e proteger os vinhedos de pragas.

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Além disso, a presença de animais, como galinhas, que ajudam a comer larvas e insetos, joaninhas criadas localmente, que se alimentam de pulgões e pequenos insetos, lhamas, que na época adequada são soltas pelos vinhedos para ajudar na redução das folhagens das vinhas e abelhas, que ajudam na polinização da flora da região, ajudando a manter o ecossistema saudável.

DSC_5355Já o biodinamismo, filosofia também seguida pela Emiliana em alguns de seus vinhedos, acredita num equilíbrio energético entre todos seus elementos, considerando a posição dos astros como direcionadores do calendário do vinhedo. Este calendário é desenhado por um engenheiro agrônomo junto a um astrônomo. Diz-se que a posição dos astros influencia na energia da natureza e existem alguns momentos energéticos específicos que irão definir o melhor momento para fertilização de solo e vinhedo, poda e colheita, por exemplo.

Além de todo o cuidado com a natureza, a Emiliana acredita ser fundamental manter a paixão de seus colaboradores pelo trabalho para que isso se reflita na qualidade de seus vinhos. Oferece uma série de benefícios para os trabalhadores e seus familiares, como assistência médica e a possibilidade do uso das terras para produção de verduras e frutas.

A Emiliana produz seus vinhos brancos a partir das uvas Chardonnay, Viogner, Marsanne, Roussane e Sauvignon Blanc, enquanto para as tintas, Merlot, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Mouvèdre e Syrah.

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No vale de Casablanca, que é uma região fria mesmo no verão, o clima é adequado para a produção de excelentes brancos, pois permite às uvas mais tempo para amadurecer e desenvolver seus aromas e sabores. A Pinot Noir é também uma uva que se adaptou muito bem à região.

Os vinhos degustados nesta visita foram:

Novas Viogner 2013, Casablanca

De coloração amarela com reflexos dourados, apresenta aromas de flores brancas com notas de damasco e pêssego maduro. Em boca, corpo e acidez médios. Boa untuosidade. Muito bom!

Adobe Gewurztraminer 2015, Rapel

De coloração amarelo palha, apresenta aromas intensos de lichia, flores e frutas brancas maduras. Em boca, a sensação se repete. É um exemplar bem típico da Gewurztraminer.

Novas Carmenère, Cabernet Sauvignon 2013, Cochagua

93 Pontos por James Suckling

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de frutas vermelhas e negras maduras. Em boca, apresenta boa estrutura, acidez, taninos macios e muita fruta com um discreto toque vegetal. Está delicioso!

Coyam 2012, Colchagua

Syrah, Carmenère, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec e Mouvèdre

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de ameixa, groselha e amoras negras. Em boca, bom corpo e acidez, com taninos marcantes. Vinho ícone da casa, passou 13 meses em carvalho 80% francês e 20% americano. Pode ser guardado por até 15 anos. Excelente vinho!

Gê 2012, Colchagua

Carmenère, Syrah, Cabernet Sauvignon

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de frutas negras maduras, como ameixa e amora, com notas de chocolate e pimenta preta. Em boca, bom corpo e acidez, com taninos marcantes. Vinho ícone da casa, produzido a partir de vinhas velhas, com 16 meses de passagem em carvalho francês. Pode ser guardado por até 20 anos. Excelente vinho!

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Conhecer mais de perto o admirável trabalho realizado por esta vinícola foi, certamente, uma experiência e tanto, e reforça todo o romantismo e misticismo que há por trás de cada garrafa de vinho que abrimos, nos surpreendendo e nos enchendo de prazer.

A Emiliana recebe visitas diariamente em sua sede no vale da Casablanca, com agendamento prévio. Se estiver pela região, recomendo o passeio.

Emiliana Vinhos Orgânicos

Site: www.emiliana.cl

No Brasil, você pode encontrar os vinhos da Emiliana nos sites www.vinomundi.com.br e www.worldwine.com.br

Um brinde!

Cristina A. Prado

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Croácia – Capítulo III

Saindo do “paraíso do Adriático”, segui em direção à Península de Peljesac considerada o “império dos vinhos”. O Conselho de Turismo demarcou bem as rotas do vinho nessa península, por isso é muito fácil visitar os produtores e sua adegas. Excelentes exemplares de vinhos elaborados com a cepa nativa Plavac Mali provêm das Denominações Dingac e Postup, na Península. Um vinho Dingac é classificado como o de mais alto padrão pelas leis vitivinícolas croatas (1965) – “Vrhunsko Vino” (Premium Quality Wine). Somente cerca de 5% dos vinhos do país recebem essa designação. Uma porcentagem um pouco maior é classificada como “Kvalitetno Vino” (Quality Wine) e o restante é rotulado como “Stolno Vino” (Table Wine).

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A área de Postup foi a segunda região vinícola, depois de Dingac, a ser protegida pelo Estado (1967). Pequenas diferenças distinguem os vinhos Postup dos vinhos Dingac. Embora os Postup não se aproximem do caráter robusto típico dos Dingac, eles estão perfeitamente aptos a desenvolver grande estrutura e complexidade.

Esse é um destino imperdível para os amantes do vinho, pois há mais de 40 vinícolas instaladas nessa Península, dentre as quais eu destacaria a Grgic Vina, a Matusko Vina e a Korta Katarina.

A vinícola Grgic está localizada na vila de Trstenik, e foi fundada por Miljenko Grgic, um viticultor croata muito conhecido no mundo do vinho. Seu rico passado conectado à produção de vinhos, a experiência adquirida trabalhando durante muitos anos no Vale do Napa, na Califórnia, somados aos prêmios e condecorações que ele conquistou, são a base da produção dos vinhos que ele caprichosamente elabora a partir das variedades locais Posip e Plavac Mali.

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Outra vinícola bem conhecida é a Matusko cuja família vem mantendo a tradição por décadas, cultivando uvas e produzindo vinhos. Sua antiga adega, que começou com uma pequena sala de degustação, tornou-se nos últimos anos um dos mais conhecidos destinos croatas de turistas enófilos. Localizada na vila de Potomje, a vinícola Matusko produz vinhos de qualidade, incluindo tintos, brancos, um rosé e um espumante, sem falar no seu ótimo azeite. Durante minha visita nessa vinícola, fui muito bem atendida por Neda Bakalic que me serviu quatro rótulos, acompanhados de fatias de pão e azeite. Meu destaque é para o “Reserva Dingac Barrique 2008”, que exala aromas doces e em boca traz marcantes notas de passas ao rum, apresenta taninos elegantes e um delicioso e longo final. Macio, encorpado e bem equilibrado, mal se percebem os seus 15,2% de teor alcoólico.

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A vinícola Korta Katarina é outra parada obrigatória para os enófilos que passeiam pela Península. Local de fácil acesso, bem à beira da estrada, a KK oferece uma bela sala de degustação, com funcionários educados e muito bem treinados como o Ivo Cibilic que me atendeu, além, é claro, da loja para a venda direta dos vinhos KK. A vinícola, que fica próxima à cidade de Orebic, foi fundada em 2005 por Lee e Pam Anderson, americanos que se apaixonaram pelas belezas do litoral croata e encontraram um lugar ideal para construir a vinícola e um hotel. Valendo-se da mais moderna tecnologia, produzem excelentes vinhos elaborados com as cepas nativas Plavac Mali e Posip, todos classificados como “Vrhunsko Vino”.

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Em minha visita à KK, após a degustação, Ivo me apresentou uma embalagem com três safras diferentes do “KK Plavac Mali” que não hesitei em comprar e incluir na minha bagagem. A ideia era fazer uma degustação vertical com amigos aqui no Brasil, num inesquecível encontro de prazer e alegria que o vinho é capaz de proporcionar. Os vinhos de safras 2007, 2008 e 2010 apresentaram-se bem distintos, dentre os quais se destacou o “KK Plavac Mali 2007”, vinho de coloração granada, com nítido halo de evolução e discreto sedimento ao final; em boca, notaram-se frutas vermelhas em compota, um toque herbáceo, especiarias, taninos finos e final persistente. O “KK Plavac Mali” possui ótimo potencial de envelhecimento. Maravilhoso!

Embora não tenha alcançado ainda renome mundial, a produção vinícola da Croácia tem aumentado bastante e já apresenta muitos exemplares que se destacam e impressionam. Hoje, a Croácia é exemplo de luta, trabalho e superação, demonstrando o quão forte é sua identidade em tudo que faz.

Maria Uzêda

Contatos:

http://www.kortakatarinawinery.com / visit@kortakatarina.com

http://www.matusko-vina.hr / matusko@net.hr

http://www.grgic-vina.com / info@grgic-vina.com

http://www.zlatanotok.hr / zlatanotok@zlatanotok.hr

http://www.bastiana.hr / bastiana@gmail.hr

http://www.decanter.com.br (alguns rótulos da vinícola Korta Katarina podem ser encontrados na Importadora Decanter)

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