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Posts Tagged ‘Bordeaux’

Uma seleção especial de vinhos da empresa Baron Philippe de Rothschild é algo perfeito para uma degustação memorável numa noite de encontro de confrades. Tivemos a oportunidade de experimentar seis rótulos: três tintos da linha Mouton Cadet Réserve de regiões distintas (um Médoc, um Graves e um Saint Émilion), um tinto Baron Nathaniel (de Pauillac), um Mouton Cadet Réserve branco de Graves e um Sauternes.

MOUTON-CADET-VINHOS-DEGUSTAÇÃO

Saber que a região de Bordeaux possui o maior nicho de “terroirs” do planeta, que na margem esquerda (Pauillac, Médoc e Graves por exemplo), o solo mais pedregoso privilegia o plantio da Cabernet Sauvignon, ao passo que, na margem direita (Saint Émilion e Pomerol por exemplo), o solo principalmente de calcário com argila faz da Merlot a rainha dessa parte de Bordeaux, e que por conta disso os vinhos provenientes da margem esquerda podem ser mais minerais, potentes, concentrados e longevos, enquanto os da margem direita, em geral, trazem fruta mais suave e frescor e estilo mais maduro, ajuda bastante num momento de apreciação e análise de um Bordeaux. Por isso resolvemos fazer a degustação dos tintos às cegas, uma vez que cada um deles era proveniente de sub-regiões distintas de Bordeaux. Já os brancos, deram seu “show” à parte.

Falaremos a seguir de cada um, com as respectivas notas de avaliação:

1- RÉSERVE MOUTON CADET 2011 – MÉDOC

Castas: 50% Cabernet Sauvignon, 45% Merlot e 5% Cabernet Franc

De coloração rubi com reflexos violáceos, possuía aromas de frutas vermelhas e geléia de framboesas; em boca frutado, notada acidez e taninos elegantes.

2- RÉSERVE MOUTON CADET 2009 – GRAVES ROUGE

Castas: 50% Cabernet Sauvignon e 50% Merlot

A coloração púrpura com reflexos atijolados mostrava uma aparência de evolução. Aromas etéreos, medicinais; em boca frutas secas, traços metálicos e um toque balsâmico mostravam um vinho em franco declínio.

3- RÉSERVE MOUTON CADET 2012 – SAINT ÉMILION

Castas: 90% Merlot e 10% Cabernet Sauvignon

Vinho de coloração brilhante, rubi com reflexos violáceos; aromas de frutos vermelhos em compota e notas de caramelo; em boca, frutado, leve toque de especiarias, equilíbrio e taninos refinados.

4- BARON NATHANIEL 2011 – PAUILLAC

Castas: 80% Cabernet Sauvignon, 10% Merlot e 10% Malbec, Cabernet Franc e Petit Verdot.

Vinho de coloração rubi intenso com reflexos púrpura; aromas de frutas negras, de baunilha, de especiarias, couro e notas tostadas; em boca, as frutas negras, boa acidez, redondo, encorpado e potente, com final persistente. Um vinho que mostra bem as características do seu terroir e pode ser guardado.

5- RÉSERVE MOUTON CADET 2011 – GRAVES

Castas: 50% Semillon, 45% Sauvignon Blanc e 5% Muscadelle

Coloração amarelo palha brilhante; aromas de frutas cítricas e o característico “xixi de gato”, denunciando sua mineralidade; em boca, boa acidez, um cítrico de “grapefruit”, toques minerais e florais, equilíbrio e boa persistência.

6- RÉSERVE MOUTON CADET 2010 – SAUTERNES

Castas: 85% Semillon e 15% Sauvignon Blanc

Vinho de coloração dourada; aromas de mel com toque floral; em boca, compota de laranja, mel, ótima acidez, untuosidade, bom equilíbrio e longo e prazeroso final de boca.

Sejam os elegantes vinhos do Médoc ou os frutados Merlots de Saint Émilion; seja um branco mineral e crocante de Graves ou um dourado sensual de Sauternes, os vinhos da Baron Philippe de Rothschild degustados nessa noite de confraria nos deixaram a sensação de que a vida pode parecer a festa que gostaríamos que fosse.

CONFRARIA-MOUTON-CADET-VINHOS

Maria Uzêda, Fernanda Vianna, Cristina Almeida Prado, Arlene Colucci, Gustavo Buffa e Rafael Porto

Você pode encontrar os vinhos degustados nas seguintes lojas:

http://www.reidoswhiskys.net.br

http://www.lojadebebidas.com.br

Mais informações no site da importadora Devinum.

Um brinde à vida!

Maria Uzêda.

 

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O mundo dos vinhos conta histórias fascinantes de personagens que realizaram grandes feitos, deixaram suas marcas e que até hoje são lembrados e celebrados. Na semana passada, nós do blog Sommelière, tivemos a oportunidade de nos encontrar com Sebastien Nore (Diretor de Vendas Global) e Thibaut de Braquilanges (Gerente de Exportações), da Baron Philippe de Rothschild. Este feliz encontro nos permitiu conhecer mais sobre a trajetória desta gigante companhia, seus personagens heróicos e suas conquistas.

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Símbolo da família Rothschild: cada seta representa um dos filhos de Mayer Rothschild.

A história da família Rothschild tem início no século XVIII numa Alemanha ainda não unificada, com Mayer Amschel Rothschild, homem de negócios bem sucedido especializado em troca de moedas. Mayer teve 5 filhos, preparou-os com seus conhecimentos e os enviou cada um para um centro comercial europeu: Londres, Paris, Nápoles e Viena, e o quinto filho permaneceu na Alemanha. Rothschild, que significa escudo vermelho, viria a se tornar um reconhecido nome de família, ligado a banqueiros e homens de negócios, com forte influência nas cortes e governos por toda a Europa.

Um dos filhos de Mayer, Nathan, que vivia em Londres, mudou-se para Paris e em 1853 decidiu comprar uma vinícola para poder servir seu próprio vinho a seus ilustres convidados. Foi então que comprou um Château em Bordeaux, o qual chamou de Château Mouton Rothschild. Nathan, no entanto, nunca se envolveu na produção vinícola ou mesmo teve interesse em tornar seus vinhos comerciais. Foi somente com seu bisneto, Philippe Rothschild, já no século XX, que a história do Château viria a mudar de curso.

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Château Mouton Rothschild

Philippe Rothschild adquiriu o Château e criou sua própria empresa em 1933, a Baron Philippe de Rothschild. Sua busca contínua por qualidade e sua habilidade com negócios permitiram o sucesso de sua empresa. Philippe teve um papel muito importante no mundo dos vinhos e um de seus feitos históricos foi a iniciativa de engarrafar seus vinhos no próprio Château, coisa que na época era feita pelos négociants. Logo, inúmeros Châteaux seguiriam sua ideia.

Philippe foi responsável por garantir os mais altos padrões de produção para o Château Mouton Rothschild, o que lhe permitiu em 1973 alcançar o título de Premier Cru Classé. Foi também o idealizador dos criativos rótulos personalizados com obras de artistas contemporâneos para o Château Mouton Rothschild, cujas artes originais podem ser encontradas no Museu de Arte do Vinho no Château. Além disso, foi o criador do Mouton Cadet, o primeiro vinho regional de Bordeaux, que associado ao prestígio do Château, se tornou mundialmente conhecido.

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Primeiro rótulo a levar o título de Premier Cru Classé

Com o falecimento de Philippe em 1988, sua filha, a Baronesa Philippine, assumiu a companhia, dando continuidade ao legado de seu pai. Philippine permitiu a expansão do portifólio da companhia, que passou a trabalhar uma gama de vinhos para uma diversidade de públicos. A companhia firmou, inclusive, uma parceria com a Mondavi Wines e com a Concha y Toro, passando a produzir vinhos também na Califórnia (o renomado Opus One) e no Chile (o premiado Almaviva e o Escudo Rojo). Em 2012, sua produção total atingiu 25 milhões de garrafas.

Mas nas últimas semanas, o mundo dos vinhos chorou a morte de Philippine, personagem carismática e muito estimada, que tanto contribuiu para tornar as mesas dos enófilos mundo a fora, mais viva. Sebastien nos afirma que, com seu falecimento, a companhia pretende dar sequência ao trabalho desenvolvido, mantendo o espírito da família, sua tradição e cultura.

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Baronesa Philippine de Rothschild

Se você pretende fazer uma visita ao Château Mouton Rothschild, a recomendação de Thibaut é procurar com antecedência uma agência local. As visitas incluem um tour guiado pelo Château, degustação de seus rótulos e visita ao Museu da Arte do Vinho. Você pode se informar diretamente no Office de Tourisme de Bordeaux.

Agradecemos a Baron Philippe de Rothschild e a Devinum por nos conceder esta entrevista exclusiva.

Um brinde a Philippine!

Cristina Almeida Prado.

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Frequentar o mundo dos vinhos é uma delícia! Participamos de feiras que trazem sempre novidades, confrarias onde aprendemos e compartilhamos experiências, encontros de blogueiros, visitamos vinícolas, fazemos avaliações de vinhos e conhecemos muita gente interessante. Este é um mercado em ascensão onde há muita gente investindo e portanto, há muita gente buscando maneiras inovadoras de ganhar visibilidade e conquistar o consumidor.

Foi daí que conheci o Wine Bar, um projeto que promove degustações ao vivo pela internet. Funciona assim: os patrocinadores do evento selecionam um grupo de convidados e enviam os vinhos em seus endereços. No dia e hora marcados, os convidados se encontram virtualmente para degustar os vinhos assistindo a uma apresentação e interagindo com os demais participantes através de um chat.

Desta vez, nós do blog Sommelière tivemos o prazer de participar. O evento aconteceu dia 02 de setembro e foram apresentados três vinhos do produtor francês Les Amis, importado pela Expand. Compartilho aqui as notas de degustação:

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Espumante Les Amis Rosé Grenache (11,5%)

Provence, França

Notas de Degustação:

Coloração rosé salmão com perlage persistente. No nariz, possui aromas de morangos, brioche e frutas secas. Em boca alta acidez, boa personalidade e refrescante.

Harmonização: Combina também com a comida asiática a base de peixe, como sushi, ou mesmo, um lombo de porco assado.

Preço: R$ 64,80

Onde Comprar: Expand

Les Amis Pinot Noir 2011 (12,5%)

Borgonha, França

Este vinho é feito a partir de uvas provenientes das regiões de Côte de Beaune, Côte de Nuits e Côte Chalonnaise.

Notas de Degustação:

Coloração vermelho rubi. No nariz, aromas frescos de frutas vermelhas com um toque herbáceo. Em boca, elegante, fácil de beber e muito frutado.

Harmonização: Combina muito bem com carnes mais leves grelhadas e assadas, como um frango ou um porco.

Preço: R$ 125,00

Onde Comprar: Expand

Les Amis Bordeaux 2010 (13,5%)

Bordeaux, França

60% Merlot e 40% Cabernet Sauvignon

Notas de Degustação:

De coloração vermelho rubi com reflexos violáceos. Apresenta aromas de frutas negras, como ameixas e amoras, com final herbáceo. Em boca, apresenta taninos aveludados, corpo médio e bom equilíbrio.

Harmonização: Carnes vermelhas, aves e queijos.

Preço: R$78,00

Onde comprar: Expand

Deixo meus parabéns aos amigos Alexandre Frias e Daniel Perches, idealizadores do Wine Bar, projeto inovador e oportunidade deliciosa para os amantes do vinho.

Um brinde!

Cristina Almeida Prado.

 

 

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Viajar e apreciar bons vinhos são as maiores paixões que tenho na vida. Em cada novo destino ou em cada garrafa aberta, há um mundo de descobertas, aprendizados e sensações. Quando as duas coisas se juntam, a experiência é inesquecível. Visitar as regiões vinícolas, conhecer suas características, sua história, seus produtores, entender os cuidados despendidos na elaboração de cada vinho e o impacto deste cuidado no resultado final, compartilhar da angústia por que os viticultores passam a cada ano, esperando que o tempo colabore para que se obtenha o melhor de suas uvas e degustar seus melhores vinhos in loco, personifica este líquido que tanto apreciamos e que guarda histórias que muitas vezes nem imaginamos. Compartilho aqui um desses momentos que nós, do blog Sommelière, tivemos em viagem recente à região de Pomerol, em Bordeaux, na França.

Chateau-Pomerol-Eglise-Igreja

Quando falamos em Pomerol, nossa primeira lembrança é o lendário Château Pétrus, marca conhecida globalmente e um dos vinhos mais caros do mundo. Muito tempo foi preciso até que a região chegasse ao nível de reconhecimento e respeito que tem hoje. Pomerol foi uma região tipicamente de vinhos brancos até finais do século 19, quando os altos preços dos tintos tornaram sua produção mais atraente. Somente em 1936 Pomerol recebeu status de AOC, tendo todas suas regras de produção e vinificação regulamentadas, criando assim uma identidade para seus vinhos.

Em sua história, alguns personagens tiveram um papel muito importante para elevar Pomerol a um patamar internacional:

-Jean-Pierre Moueix, que em meados do século 20 adquiriu algumas propriedades em Pomerol, além de uma participação no Château Pétrus e que foi responsável por diversos esforços para melhorar os processos de produção e divulgar os vinhos da região para o mundo.

-Michel Rolland, consultor de vinhos mais assediado do mundo, que nasceu em Pomerol, possui uma vinícola na região e começou carreira prestando consultoria para muitas das vinícolas na vizinhança.

-Robert Parker, um dos críticos de vinho mais conhecidos no mundo e que muito aprecia o estilo dos vinhos produzidos por Michel Rolland.

Assim, com a excepcional safra de 1982 associada à excelência no trabalho de Moueix e Rolland, às críticas de Robert Parker e um momento histórico favorável, foi possível um grande destaque mundial e o devido reconhecimento a Pomerol.

Dentro da AOC de Pomerol, as principais uvas plantadas são a Merlot, em maior expressão, seguidas pela Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, que associadas dão a seus vinhos as notas de ameixa madura com taninos aveludados e a expressão sensual tão característica da região.

Em nossa visita à região, tivemos a oportunidade de conhecer de perto o trabalho de duas importantes propriedades que permitem que a paixão que têm pelo negócio transcenda a seus vinhos, proporcionando a milhares de enófilos momentos inesquecíveis de prazer à mesa.

Château Gazin

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Era um feriado, 0 dia estava frio e nublado, mas tivemos uma recepção calorosa. Logo na entrada da propriedade percebemos que ao lado das bandeiras hasteadas da França e União Européia, havia uma bandeira do Brasil. Quem nos recebeu foi o simpático Nicolas de Bailliencourt, um dos proprietários da vinícola.

A história do Château Gazin data do século 18, quando cavalheiros de São João de Jerusalém e da Cruz de Malta ali se estabeleceram e construíram um hospital com o intuito de receber e abrigar os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela e é hoje a sede da propriedade. Somente no século 20, as terras foram compradas pela família Bailliencourt que está atualmente na quinta geração produzindo esses grandes vinhos.

O Château Gazin possui 24 hectares de vinhedos e chega a produzir 100.000 garrafas ao ano, dependendo da safra, e cerca de 80% de sua produção vai para o exterior.

Em nossa visita, conhecemos toda sua estrutura de produção, com os tanques de fermentação em concreto e os cellars onde os vinhos descansam por 18 meses em barricas francesas antes de serem engarrafados. Ao final, seguimos para uma degustação:

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Château Gazin 2009

90% Merlot, 7% Cabernet Sauvignon e 3% Cabernet Franc (14,5% álcool)

Aromas de frutas negras maduras, com notas de menta e especiarias. Em boca, corpo cheio, taninos marcantes e retrogosto frutado. Excelente! Pode ser guardado por até 30 anos.

Château Gazin 2004

85% Merlot, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc (13% álcool)

Aroma animal, lembrando couro, com notas de café. Em boca, toque herbáceo, como mate, corpo cheio e taninos mais domados. Pode ser guardado por cerca de 10 anos.

Onde encontrar no Brasil: Mistral (www.mistral.com.br)

Château Clinet

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De lá, seguimos para o Château Clinet e fomos recebidas pela Monique, gerente de negócios, que nos guiou por toda a estrutura de produção da vinícola, assim como pelos vinhedos, nos contando a história da propriedade.

A propriedade em si, produz vinhos há longos anos. Mas sua história como Château Clinet é bem mais recente e data de 1999 quando a família, que já tinha negócios em agricultura e produzia vinhos em outra região, comprou as terras, deixando-as sob responsabilidade de Ronan Laborde, enólogo que tem como característica marcante a busca incessante pela inovação e a expressão do terroir. Os vinhos do Château Clinet, mesmo com a sua ainda jovem trajetória, são reconhecidos mundialmente como símbolo de excelência e traduzem muito bem as características de um Pomerol.

O Château Clinet possui 11 hectares e sua produção chega a 50.000 garrafas ao ano. Seu primeiro vinho descansa por 16 meses em barricas de carvalho francês e Ronan vem fazendo também experiências com carvalho alemão e austríaco. Até 2006 a vinícola contava com a consultoria de Michel Rolland, mas hoje o segredo de sua produção fica por conta de Ronan.

Seguimos para uma degustação, onde tivemos o prazer de ser acompanhados por Monique e Ronan:

Chateau-Clinet-degustação-vinhos-pomerol

Ronan by Clinet 2011

100% Merlot (13% álcool)

Suas uvas são provenientes de diversas regiões de Bordeaux. A proposta é de ser um vinho fácil e mais para o dia-a-dia. Com aromas bastante frutados e notas levemente tostadas, possui bom corpo e taninos aveludados. Fácil de beber e muito bom.

Fleur de Clinet 2011

95% Merlot, 5% Cabernet Franc (14% álcool)

Produzido a partir de uvas de diferentes produtores, apresenta aromas frutados, possui taninos macios e retrogosto persistente. Delicioso! Pode ser guardado por mais 5 anos.

Château Clinet 2011

90% Merlot, 9% Cabernet Sauvignon e 1% Cabernet Franc (13,5% álcool)

Apresenta aromas de frutas negras e notas de baunilha. Em boca, boa adstringência e taninos marcantes. Excelente!

Château Clinet 2012

Aromas de frutas negras e compota. Em boca, corpo cheio, taninos marcantes e muito equilibrado. Muito bom.

Onde encontrar: Grand Cru (www.grandcru.com.br)

Pomerol-grand-vin-de-france-vinhos-bordeaux

Visitar a região de Pomerol e descobrir seus inebriantes vinhos é uma experiência que recomendo aos enófilos de plantão, mas é importante notar que ao contrário do Médoc, região bastante turística com seus grandes Châteaux, em Pomerol os Châteaux mais parecem casas de fazenda e nem sempre é possível encontrar seus nomes na entrada das propriedades. Ali, são poucos os produtores que possuem sala de degustação e apenas alguns estão abertos ao público sem agendamento prévio. Portanto, procure se informar e agendar sua visita com antecedência.

Santé!

Cristina Almeida Prado.

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Place-de-la-bourse-Miroir-D'Eau-bordeaux-wine-regionA região de Bordeaux é produtora dos vinhos mais cobiçados do mundo na atualidade, com garrafas que chegam a custar mais de $1.000,00 e muitas vezes, tem quase sua totalidade vendida “en primeur”, ou seja, antes mesmo de serem colocadas no mercado.

A história dos vinhos em Bordeaux data de cerca de 2.000 anos atrás, tendo seus primeiros registros no tempo dos romanos, quando as primeiras vinhas foram plantadas na região. Mas os vinhos de Bordeaux tiveram sua fama aclamada na idade média, quando a duquesa Eleanor de Aquitânia casou-se com o rei da Inglaterra Henrique II. Essa aliança viria a abrir a região de Bordeaux para o mercado inglês, estimulando seu rápido desenvolvimento e anos mais tarde, abrindo a região para o mundo.

Bordeaux é cortada pelo rio Gironde que divide a região entre “margem esquerda”, composta por Médoc e Graves, e “margem direita”, composta por Libournais, Bourg e Blaye. Há diversas subregiões no Médoc, que incluem Maurgaux, Saint Estephe, Paulliac, Saint Julien e outras menos conhecidas como Moulis e Listrac. Graves inclui as subregiões de Pessac-Léognan e Sauternes. E a região de Libournais inclui as subregiões de Saint Émillion e Pomerol.

bordeaux-wine-regions-mapTodas estas regiões estão submetidas às regras da AOC, que estabelece as uvas permitidas para a região, teor alcoólico, métodos de poda e colheita, rendimento por planta, técnicas de vinificação, entre outras questões. Somente os produtores que seguem estas regras podem carregar em seu rótulo o título de AOC, sendo que existem mais de 50 AOCs na região de Bordeaux (exemplo: Appellation Saint Émillion Controlée).

Os vinhos de Bordeaux são cortes (mistura de mais de uma uva) e há raramente varietais (que usam um único tipo de uva), tanto para tintos quanto para brancos. As uvas permitidas para os vinhos tintos são Merlot, Carbernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot. O uso percentual de cada varietal pode variar de produtor a produtor, mas em geral sabe-se que os vinhos da “margem esquerda” possuem um percentual maior de Cabernet Sauvignon, o que lhes confere potência e complexidade, enquanto os da “margem direita” possuem um percentual maior de Merlot, o que lhes confere características mais aveludadas.

Entender a importância da AOC e o que ela representa para a qualidade dos vinhos é de suma importância. Conhecer as características de cada região e que tipo de vinho produzem também é relevante para a escolha do Bordeaux que lhe agrade mais ao paladar. Mas, além disso, cada região possui sua classificação própria, que ranqueia os produtores conforme nível de qualidade e o que geralmente leva alguns preços para as alturas.

A mais famosa classificação é a do Médoc, conhecida como a Classificação de 1855. Originalmente promovida para selecionar os melhores vinhos do Médoc para a “Exposição Universal de Paris”, avaliou e classificou os 61 melhores produtores da região, chamados de Grand Crus Classés dentro da apelação do Médoc, e permaneceu até os dias de hoje. A mesma classificação ranqueia estes produtores em 5 Premier Crus (os aclamados Chateau Margaux, Chateau Lafite Rothschild, Chateau Latour, Chateau Mouton Rothschild e Chateau Haut-Brion), 14 Deuxiemes Crus, seguidos por 14 Troisiemes Crus, 10 Quatriemes Crus e finalmente 18 Cinquemes Crus.

A região de Graves também desenvolveu sua classificação em 1953, revisada em 1959 e que destaca 16 produtores por seus tintos e brancos excepcionais.

Chateau-Troplong-Mondot-Saint-Émillion-BordeauxJá na região de Saint Émillion, os melhores produtores são classificados em Premier Grand Cru Classé A, com somente 4 produtores, Premier Grand Cru Classé B, que engloba 14 produtores, Grand Cru Classé com 63 produtores e Cru Classé, onde entram os demais. Essa classificação se iniciou em 1950 e é revisada a cada 10 anos.

Saindo da curva, a região de Pomerol, a menor região produtora de Bordeaux, preferiu não entrar no processo de classificação de seus grandes vinhos. Conhecidos como vinhos de taninos mais macios, produzidos predominantemente com a uva Merlot, os vinhos de Pomerol levam em seus rótulos apenas Appellation Pomerol Controlée. Nomes como Chateau Pétrus e Chateau Lafleur, vinhos de altíssima qualidade e preços exorbitantes, colocam a região em evidência para o mundo.

Mas, e quando um vinho de uma região que possui classificação não entra num ranking de Cru Classé, como podemos identificá-lo? Bem, para os vinhos da “margem esquerda” que não entraram na lista dos 61 Crus Classés, mas que possuem um histórico sólido de produção de vinhos de qualidade, estes levam em seu rótulo a classificação Cru Bourgeois. Os demais vinhos para todas as outras apelações entram simplesmente como Bordeaux ou Bordeaux Supérieur e levarão em seu rótulo Appelation Bordeaux Controlée. Estes são geralmente os vinhos mais em conta e muitas vezes muito justos, como é o caso do Mouton Cadet.

saint-emillion-ville-de-bordeaux-vinPara os amantes do vinho e em especial os amantes de Bordeaux, se tiverem a oportunidade de visitar a região, um passeio pela charmosa vila de Saint Émillion é obrigatório. De lá, é possível agendar direto no Office de Tourisme visitação a alguns dos mais importantes produtores. Na cidade de Bordeaux também é possível organizar visitações para todas as regiões no Office de Tourisme. Mas se preferir ficar pela cidade mesmo, há diversos locais para degustar vinhos dos grandes Chateaux em taça, como a Maison du Vin, onde está localizada a escola do vinho, ou na Max Bordeaux e Aux 4 Coins Du Vin, que trabalham com a Enomatic que lhe permitirá degustar grandes vinhos a preços razoáveis.

Fica a dica.

Cristina Almeida Prado.

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