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Posts Tagged ‘vinhos da França’

Em recente viagem à França, passei alguns dias na encantadora cidade de Avignon, localizada na região da Provence, ao sul do país. Beirada pelo rio Rhône (ou Ródano, em português) e rodeada por campos de lavanda e plantações de vinhas, Avignon esbanja charme e beleza. A pequena cidade murada é bastante conhecida por seus festivais de arte e cultura, mas o que a tornou realmente famosa foi um fato histórico muito curioso e que poucas pessoas conhecem. A cidade fora, outrora, sede da Igreja Católica.

Avignon-Provence-vinhos-enoturismo

Cidade de Avignon, França.

Conta a história que em 1309 o Papa Clemente V e sua corte, num momento de turbulência política, fugiram de Roma para a cidade de Avignon, onde a Igreja possuía terras doadas pelo rei dos francos em 756. De 1309 a 1377, sete Papas franceses investiram muito dinheiro, construindo e decorando o palácio papal, que se tornou uma das maiores e mais importantes construções góticas da Europa. Em 1377 o Papa Gregory XI retornou a Roma, mas seu falecimento dois anos depois levou as vertentes francesas e italianas da Igreja a um desentendimento que ficou conhecido como “o grande cisma” e que dividiu a Igreja em duas sedes – Roma e Avignon – sendo que uma não reconhecia a outra. Mesmo depois do “cisma” ser resolvido e um Papa imparcial se estabelecer em Roma (Martin V), Avignon continuou sob comando Papal e assim permaneceu até 1791, quando foi então anexada à França.

O período Papal em Avignon promoveu influências muito positivas à região, como o desenvolvimento da arte de da cultura e o cultivo de vinhas para produção dos vinhos dos Papas. Foi assim que uma pequena vila a 25 km de Avignon foi batizada de Châteauneuf-du-Pape e é hoje reconhecida mundialmente por seus vinhos.

Chateauneuf-du-Pape-vinhos-enoturismo

Durante minha visita, além de conhecer o Palais des Papes e a ponte Saint Bénezet, cartões postais de Avignon, e de me deliciar nos pequenos “bistrôs” de Avignon, me aventurei num passeio ciclístico até a vila de Châteauneuf-du-Pape. Foi uma daquelas experiências que não tem preço. Saímos eu, meu mapa e a bicicleta, sem pressa, num dia fresco com céu azul, sentindo a paisagem ilustrada por campos de papoulas, vinhas por toda a parte e ciprestes. A mesma paisagem um dia retratada por Van Gogh em suas pinturas.

Chegando a Châteauneuf-du-Pape, uma parada numa das diversas lojas de vinhos para conhecer alguns exemplares da região foi mandatória. Ali, degusta-se sem pagar, mas espera-se que o cliente, educadamente, leve uma garrafa. E eu, de bicileta, na difícil tarefa de não carregar muito peso, comprei minha primeira garrafa. Um Chateau Mont Redon Abeille-Fabre Châteauneuf-du-Pape 2009, ótimo exemplar da região.

vinhas-ciprestes-papoulas-chateauneuf

A AOC (Appéllation D’Origine Controlée) Châteauneuf-du-Pape, uma das primeiras a serem reguladas na França, permite o uso de 13 diferentes uvas na sua produção. As mais utilizadas, no entanto, são a Grenache, Syrah e Mourvèdre. É possível encontrar vinhos das mais variadas qualidades, mas seus melhores exemplares apresentam boa estrutura, são ricos e cheios de especiarias, podem ser duros quando jovens, mas evoluem excepcionalmente bem.

Segui em busca de uma vinícola para visitar e acabei me juntando a um grupo de turistas ingleses na Ogier, que produz o renomado Clos de L’Oratoire. Além de conhecer a cantina onde seus vinhos são produzidos e as caves onde amadurecem, pude conhecer os diferentes tipos de solo de suas parcelas, representados de forma didática na frente da sede da propriedade, mostrando que cada tipo de solo confere a seus vinhos diferentes características e que quando mesclados, compõem verdadeiras obras de arte.

Ogier-Chateauneuf-du-Pape-vinhos

Encerramos a visita com uma degustação de seus vinhos, podendo entender melhor a influência do terroir no resultado final:

Ogier Châteauneuf-du-Pape Reine Jeanne 2012

Ogier Châteauneuf-du-Pape Expression de Terroir Éclats Calcaires 2010

Ogier Châteauneuf-du-Pape Expression de Terroir Galets Roulés 2010

Clos de L´Oratoire des Papes, Châteauneuf-du-Pape 2012

Dos vinhos degustados, escolhi para levar o Terroir de Galets Roulés, de solo típico da região (pedras roliças).

Assim, com duas garrafas no bagageiro da bicicleta, segui de volta para Avignon, encerrando meu passeio. Após 54 km rodados, o corpo expressava cansaço, mas a alma espelhava um sentimento de felicidade extrema por ter vivido essa experiência. Afinal, é disso que a vida se faz.

Santé!

Cristina Almeida Prado.

 

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Dia 02 – Visita à Maison Joseph Drouhin

Beaune é uma pequena cidade localizada no coração da Borgonha, a 44 km ao sul de Dijon. É uma cidade murada, com charmosos telhados coloridos, que carrega em sua arquitetura muito de sua história e em seu DNA, a produção de vinhos. Dizem que de toda a França, está entre as melhores cidades para se degustar vinhos. Muitas Maisons estão localizadas na cidade mesmo e é possível fazer um circuito de visitações a pé. Além, claro, de poder desfrutar dos deliciosos restaurantes que oferecem a gastronomia local, como o famoso boeuf bourguignon, regados a uma variedade de vinhos da região em taça.

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Hôtel Dieu dês Hospices de Beaune

Comecei meu segundo dia com um passeio a pé pela cidade, saindo do hotel em que estava hospedada, visitando o Hôtel Dieu dês Hospices de Beaune até chegar à Maison Joseph Drouhin, onde fui recebida por Jacquie Morrison, em uma visita guiada pelas caves da Maison.

A história da Maison Joseph Drouhin tem início em 1880, quando Joseph Drouhin, vindo da região de Chablis, instala-se em Beaune com o intuito de produzir vinhos de altíssima qualidade que levassem seu nome. Na época, atuava como négociant, comprando uvas de pequenos produtores e vinificando seu próprio vinho. Até que seu filho, Maurice, que o sucedeu, começou a comprar terras de excelentes apelações, como Clos de Vougeot e Clos de Mouches. Mas quem deu à Maison a dimensão que possui hoje foi Robert, filho de Maurice, que a partir de 1957 comprou muitas terras com grande potencial para gerar excelentes vinhos. Ele foi o primeiro produtor na Borgonha a produzir vinhos biodinâmicos, o que na época causou muita estranheza entre os demais produtores. Mas no fim, a estratégia acabou sendo seguida por muitos, que usam essa característica inclusive como apelo de marketing.

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Caves Maison Joseph Drouhin, Beaune

A Maison carrega muita história. Suas caves foram construídas utilizando-se de uma arquitetura existente desde os tempos dos romanos, que serviram de base para a presente estrutura. As caves foram usadas também como esconderijo estratégico para os vinhos mais preciosos dos duques da Borgonha e muitas partes das caves foram muradas para proteger esse tesouro dos soldados alemães durante a segunda guerra mundial. Nessa mesma época, Maurice Drouhin, que foi chefe da resistência francesa, foi perseguido pela Guestapo e se escondeu no Hospices de Beaune. Como forma de agradecimento, Maurice doou ao Hospice de Beaune alguns hectares de suas vinhas.

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Caves Maison Joseph Drouhin, Beaune

A Maison é administrada atualmente por Philippe, Véronique, Laurent, e Frédéric, filhos de Robert Drouhin. Com 73 hectares de terras na Borgonha, eles estão entre os maiores produtores da região, chegando a produzir até 3 milhões de garrafas nos melhores anos, sendo que 70% de seus vinhos são Premier Cru e Grand Cru. A nova geração dos Drouhin permitiu à Maison expandir seus negócios para além dos domínios da Borgonha, e produz desde 1988 vinhos na região do Oregon, nos Estados Unidos.

Após uma longa caminhada nos quase 2 hectares de caves, seguimos para uma degustação de seus vinhos:

Maison-Joseph-Drouhin-Degustação-Borgonha

Degustação vinhos Joseph Drouhin

-Joseph Drouhin Gevrey-Chambertin 2009

Gevrey-Chambertin, Borgonha

Notas: Apresentou aromas de frutas negras com notas de pimenta preta e retrogosto de framboesa. Em boca, bom corpo e personalidade. Muito bom!

-Joseph Drouhin Chambolle Mussigny 2008 Premier Cru

Chambolle Mussigny, Borgonha

Notas: Aromas de morangos e framboesas, com notas terrosas e fundo de couro. Em boca, bom corpo e equilíbrio. Muito bom!

-Joseph Drouhin Clos de Vougeot 2008 Grand Cru

Vougeot, Borgonha

Notas: Aromas de frutas negras e vermelhas, com notas de couro e toque terroso. Em boca, bom corpo, taninos marcantes e longa persistência. Excelente!

-Joseph Drouhin Clos de Mouches 1996

Beaune, Borgonha

Notas: Apresentou aromas de frutas vermelhas com notas de couro e toque terroso. Em boca, apresenta um estilo mais rústico, com toque picante e taninos marcantes. Muito bom!

-Joseph Drouhin Gevrey Chambertin 1990 Premier Cru

Gevrey-Chambertin, Borgonha

Notas: Aroma terroso com notas de couro e fundo frutado. Em boca, redondo, elegante, com toques de fruta vermelha madura. Excelente!

-Joseph Drouhin Vaudon Sécher 2010 Premier Cru

Chablis, Borgonha

Notas: Aromas cítricos, lembrando abacaxi. Em boca, boa acidez, equilíbrio, frescor e leveza. Muito bom!

-Joseph Drouhin Saint Véran 2012

Macônnais, Borgonha

Notas: Aromas cítricos, com notas de abacaxi. Em boca, boa acidez, leveza e frescor. Muito bom!

-Joseph Drouhin Clos de La Garrene 2009 Premier Cru

Puligny-Montrachet, Borgonha

Notas: Aromas de frutas brancas maduras, lembrando peras com notas de manteiga e mel. Em boca, ótimo corpo, cítrico, com longa persistência. Está incrível!

-Joseph Drouhin Marquis de Laguiche Morgeot 2011 Premier Cru

Chassagne-Montrachet, Borgonha

Notas: Aromas cítricos com notas amanteigadas. Em boca, ótimo corpo e acidez com toques cítricos. Muito bom.

Conhecer um pouquinho desse império me fez entender mais sobre as riquezas da Borgonha e seus segredos, me deixando ainda mais apaixonada pela região e seus vinhos. Deixo a minha recomendação para os enófilos de plantão, lembrando de agendar a visita com antecedência.

Joseph Drouhin

1 Cour du Parlement de Bourgogne – BP 80029 – 21201 – Beaune

www.drouhin.com

Continue acompanhando.

Santé!

Cristina Almeida Prado.

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Dia 01 – Visita ao Domaine Tollot Beaut

Partindo do Domaine Camus, em Gevrey Chambertin, atravessei toda a Côte de Nuits até chegar a Chorey-lès-Beaune, em Côte de Beaune. Esse é um passeio que vale a pena fazer com calma, apreciando a paisagem, desfrutando dos charmosos bistrôts nas pequenas vilas da região e fazendo algumas paradas nas muitas vinícolas pelo caminho que são abertas ao público sem agendamento prévio. Mas minha agenda já estava programada.

Cheguei ao Domaine Tollot-Beaut após uma rápida parada para almoço e fui recebida pela carismática Nathalie, proprietária da vinícola, que me levou por um passeio pelos vinhedos, pela cantina onde ficam os tanques de fermentação de concreto e pelas caves, onde descansam vinhos em garrafa e em barricas.

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Tanque de fermentação de concreto.

Nos vinhedos já se via movimento. Era quase verão e as vinhas começavam a brotar. Nathalie compartilhou um pouco da história do Domínio Tollot-Beaut, enquanto circulávamos pela propriedade. Em 1880, algumas parcelas foram compradas pela família, que com o passar dos anos, foi adquirindo mais terras pela região. Hoje, o domínio possui 24 hectares entre Chorey-lès-Beaune, Aloxe-Corton, Savigny e Beaune. Nos melhores anos, chegam a produzir até 140.000 garrafas, sendo que 60% de sua produção é vendida para o exterior. Os vinhos das melhores safras podem ser guardados tranquilamente por mais de 20 anos.

Nathalie representa a quinta geração de uma tradicional família produtora de vinhos e junto com seus primos, administra a propriedade, mantendo em altos níveis a reputação do Domaine Tolllot-Beaut. Afirma que, sendo o vinho um organismo vivo, necessita de cuidados constantes, desde o manejo dos vinhedos, com a realização da poda, que garantirá maior concentração de sabores à fruta e a não utilização de fertilizantes, até a colheita manual que permite a seleção das melhores uvas, a vinificação, utilizando-se de métodos tradicionais, e o descanso do vinho em barrica. Para se preservar a fruta e seus aromas, a vinícola passa seus melhores vinhos por até 60% em carvalho novo e 25% para os demais vinhos. O domínio produz vinhos que vão desde apelações regionais, apelações villages, Premiers Crus, até Grand Crus.

Chegando às caves, um interessante ambiente repleto de mofo por toda a parte, o que ajuda na manutenção da umidade do ambiente e na redução da luz para os vinhos em garrafa, abrimos algumas garrafas para degustar.

Domaine-Tollot-Beaut-Borgonha-Vinhos-Corton

Nathalie Tollot e Cristina Almeida Prado

-Chorey-lès-Beaune 2011 (Apellation Village)

Chorey-lès-Beaune, Borgonha

Notas: Apresentou aromas de frutas vermelhas maduras. Em boca, muita fruta, taninos marcantes, bom corpo e um toque um pouco rústico. Muito bom!

-Aloxe-Corton Les Vercots 2011 Premier Cru

Aloxe-Corton, Borgonha

Notas: Aromas intensos de frutas vermelhas maduras. Em boca, muita personalidade com ótima persistência e taninos marcantes. Excelente!

-Corton-Bressandes 2011 Grand Cru

Aloxe-Corton, Borgonha

Notas: Aromas de frutas vermelhas maduras e notas de chocolate. Em boca, elegância, longa peristência e retrogosto e taninos marcantes. Está incrível!

-Chorey-lès-Beaune 2012 (Apellation Village)

Chorey-lès-Beaune, Borgonha

Notas: Aromas de frutas vermelhas maduras e notas levemente herbáceas. Em boca, muita fruta, boa acidez e adstringência. Muito bom.

-Aloxe-Corton Les Vercots 2012 Premier Cru

Aloxe-Corton, Borgonha

Notas: Aromas intensos de frutas vermelhas maduras. Em boca, taninos bem marcantes, bom corpo e acidez. Muito bom!

-Aloxe-Corton Les Fournières 2012 Premier Cru

Aloxe-Corton, Borgonha

Notas: Aromas intensos de frutas vermelhas maduras. Em boca, longa persistência e retrogosto e taninos marcantes. Excelente!

-Aloxe-Corton 2002 (Apellation Village)

Aloxe-Corton, Borgonha

Notas: De coloração rubi atijolado, apresentou aromas de frutas vermelhas maduras com notas de terra e folha molhada. Em boca, frutas com chocolate, boa persistência e taninos aveludados. Delicioso!

A paixão e dedicação desta família pelo vinho se traduzem em produtos de personalidade, que proporcionam aos bons enófilos, momentos de prazer e experiências inesquecíveis.

Para terminar bem o dia, por recomendação de Nathalie, visitei uma queijaria espetacular no centro de Beaune, já bem próximo dali. Essa é uma experiência que vale muito a pena, tendo em vista que a Borgonha é famosa também pela produção de uma variedade de queijos deliciosos. Assim, um belo “queijos e vinhos” no jardim do hotel encerrou de forma poética meu primeiro dia de viagem à Borgonha.

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Domaine Tollot-Beaut & Fils

Rue Alexandre-Tollot, 21200 – Chorey-lès-Beaune, France

Alain Hess Fromager

7, Place Carnot, Beaune, France

Novas descobertas nos próximos posts. Acompanhe!

Santé!

Cristina Almeida Prado.

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O mundo dos vinhos conta histórias fascinantes de personagens que realizaram grandes feitos, deixaram suas marcas e que até hoje são lembrados e celebrados. Na semana passada, nós do blog Sommelière, tivemos a oportunidade de nos encontrar com Sebastien Nore (Diretor de Vendas Global) e Thibaut de Braquilanges (Gerente de Exportações), da Baron Philippe de Rothschild. Este feliz encontro nos permitiu conhecer mais sobre a trajetória desta gigante companhia, seus personagens heróicos e suas conquistas.

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Símbolo da família Rothschild: cada seta representa um dos filhos de Mayer Rothschild.

A história da família Rothschild tem início no século XVIII numa Alemanha ainda não unificada, com Mayer Amschel Rothschild, homem de negócios bem sucedido especializado em troca de moedas. Mayer teve 5 filhos, preparou-os com seus conhecimentos e os enviou cada um para um centro comercial europeu: Londres, Paris, Nápoles e Viena, e o quinto filho permaneceu na Alemanha. Rothschild, que significa escudo vermelho, viria a se tornar um reconhecido nome de família, ligado a banqueiros e homens de negócios, com forte influência nas cortes e governos por toda a Europa.

Um dos filhos de Mayer, Nathan, que vivia em Londres, mudou-se para Paris e em 1853 decidiu comprar uma vinícola para poder servir seu próprio vinho a seus ilustres convidados. Foi então que comprou um Château em Bordeaux, o qual chamou de Château Mouton Rothschild. Nathan, no entanto, nunca se envolveu na produção vinícola ou mesmo teve interesse em tornar seus vinhos comerciais. Foi somente com seu bisneto, Philippe Rothschild, já no século XX, que a história do Château viria a mudar de curso.

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Château Mouton Rothschild

Philippe Rothschild adquiriu o Château e criou sua própria empresa em 1933, a Baron Philippe de Rothschild. Sua busca contínua por qualidade e sua habilidade com negócios permitiram o sucesso de sua empresa. Philippe teve um papel muito importante no mundo dos vinhos e um de seus feitos históricos foi a iniciativa de engarrafar seus vinhos no próprio Château, coisa que na época era feita pelos négociants. Logo, inúmeros Châteaux seguiriam sua ideia.

Philippe foi responsável por garantir os mais altos padrões de produção para o Château Mouton Rothschild, o que lhe permitiu em 1973 alcançar o título de Premier Cru Classé. Foi também o idealizador dos criativos rótulos personalizados com obras de artistas contemporâneos para o Château Mouton Rothschild, cujas artes originais podem ser encontradas no Museu de Arte do Vinho no Château. Além disso, foi o criador do Mouton Cadet, o primeiro vinho regional de Bordeaux, que associado ao prestígio do Château, se tornou mundialmente conhecido.

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Primeiro rótulo a levar o título de Premier Cru Classé

Com o falecimento de Philippe em 1988, sua filha, a Baronesa Philippine, assumiu a companhia, dando continuidade ao legado de seu pai. Philippine permitiu a expansão do portifólio da companhia, que passou a trabalhar uma gama de vinhos para uma diversidade de públicos. A companhia firmou, inclusive, uma parceria com a Mondavi Wines e com a Concha y Toro, passando a produzir vinhos também na Califórnia (o renomado Opus One) e no Chile (o premiado Almaviva e o Escudo Rojo). Em 2012, sua produção total atingiu 25 milhões de garrafas.

Mas nas últimas semanas, o mundo dos vinhos chorou a morte de Philippine, personagem carismática e muito estimada, que tanto contribuiu para tornar as mesas dos enófilos mundo a fora, mais viva. Sebastien nos afirma que, com seu falecimento, a companhia pretende dar sequência ao trabalho desenvolvido, mantendo o espírito da família, sua tradição e cultura.

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Baronesa Philippine de Rothschild

Se você pretende fazer uma visita ao Château Mouton Rothschild, a recomendação de Thibaut é procurar com antecedência uma agência local. As visitas incluem um tour guiado pelo Château, degustação de seus rótulos e visita ao Museu da Arte do Vinho. Você pode se informar diretamente no Office de Tourisme de Bordeaux.

Agradecemos a Baron Philippe de Rothschild e a Devinum por nos conceder esta entrevista exclusiva.

Um brinde a Philippine!

Cristina Almeida Prado.

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Frequentar o mundo dos vinhos é uma delícia! Participamos de feiras que trazem sempre novidades, confrarias onde aprendemos e compartilhamos experiências, encontros de blogueiros, visitamos vinícolas, fazemos avaliações de vinhos e conhecemos muita gente interessante. Este é um mercado em ascensão onde há muita gente investindo e portanto, há muita gente buscando maneiras inovadoras de ganhar visibilidade e conquistar o consumidor.

Foi daí que conheci o Wine Bar, um projeto que promove degustações ao vivo pela internet. Funciona assim: os patrocinadores do evento selecionam um grupo de convidados e enviam os vinhos em seus endereços. No dia e hora marcados, os convidados se encontram virtualmente para degustar os vinhos assistindo a uma apresentação e interagindo com os demais participantes através de um chat.

Desta vez, nós do blog Sommelière tivemos o prazer de participar. O evento aconteceu dia 02 de setembro e foram apresentados três vinhos do produtor francês Les Amis, importado pela Expand. Compartilho aqui as notas de degustação:

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Espumante Les Amis Rosé Grenache (11,5%)

Provence, França

Notas de Degustação:

Coloração rosé salmão com perlage persistente. No nariz, possui aromas de morangos, brioche e frutas secas. Em boca alta acidez, boa personalidade e refrescante.

Harmonização: Combina também com a comida asiática a base de peixe, como sushi, ou mesmo, um lombo de porco assado.

Preço: R$ 64,80

Onde Comprar: Expand

Les Amis Pinot Noir 2011 (12,5%)

Borgonha, França

Este vinho é feito a partir de uvas provenientes das regiões de Côte de Beaune, Côte de Nuits e Côte Chalonnaise.

Notas de Degustação:

Coloração vermelho rubi. No nariz, aromas frescos de frutas vermelhas com um toque herbáceo. Em boca, elegante, fácil de beber e muito frutado.

Harmonização: Combina muito bem com carnes mais leves grelhadas e assadas, como um frango ou um porco.

Preço: R$ 125,00

Onde Comprar: Expand

Les Amis Bordeaux 2010 (13,5%)

Bordeaux, França

60% Merlot e 40% Cabernet Sauvignon

Notas de Degustação:

De coloração vermelho rubi com reflexos violáceos. Apresenta aromas de frutas negras, como ameixas e amoras, com final herbáceo. Em boca, apresenta taninos aveludados, corpo médio e bom equilíbrio.

Harmonização: Carnes vermelhas, aves e queijos.

Preço: R$78,00

Onde comprar: Expand

Deixo meus parabéns aos amigos Alexandre Frias e Daniel Perches, idealizadores do Wine Bar, projeto inovador e oportunidade deliciosa para os amantes do vinho.

Um brinde!

Cristina Almeida Prado.

 

 

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A história dos vinhos da Borgonha remonta a 2.000 anos, com registro de relatos sobre produção de vinhos que datam de 312 D.C. A presença dos monges constatada a partir de 500 D.C. é associada ao cuidado com a terra, à seleção das melhores parcelas e à escolha de castas apropriadas à região. Nos séculos XIV e XV, os Duques de Borgonha têm enorme influência no incentivo ao aperfeiçoamento do vinho, na sua comercialização e divulgação por toda Europa.

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Mais tarde, com a Revolução Francesa, não só a nobreza como também a burguesia tornam-se proprietárias de terras. Na época, o código napoleônico, com suas leis de sucessão, determinava que as terras fossem divididas igualmente entre os herdeiros. Assim, as propriedades foram se dividindo cada vez mais e os vinhedos ficaram bem reduzidos, formando um verdadeiro mosaico de inúmeras pequenas parcelas de terras. Por isso, o conceito de propriedade na Borgonha é diferente do resto do mundo.

Com vinhedos tão fragmentados, os produtores e os négociants (comerciantes) são obrigados a comprar vinhos de propriedades vizinhas e a vinificar e comercializar vinhos de variadas origens. Se você pensa em comprar um Borgonha, é essencial conhecer os bons négociants da região, assim como os produtores de renome. Ou seja,na Borgonha, vale muito mais o nome do produtor ou do négociant que aparece no rótulo, do que a indicação da origem.

Localizada no Sul de Champagne e a Sudeste de Paris, a região da Borgonha é constituída de sub-regiões que compõem as seis AOC, que são: Chablis, ao Norte, Côte de Nuits e Côte de Beaune que formam a famosa Côte D’Or (Colina Dourada), Côte Chalonnaise e Mâconnais e, na extremidade Sul, Beaujolais.

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As principais uvas vinificadas na Borgonha são a Pinot Noir, utilizada na maioria dos vinhos tintos da região, a Gamay, cultivada em Beaujolais e a branca Chardonnay, empregada na elaboração de praticamente todos os vinhos brancos. Vale aqui citar o cultivo da uva Aligoté na comuna de Bouzeron, em Côte Chalonnaise, que produz um vinho branco ácido famoso, pouco aromático, refrescante e de corpo leve que harmoniza muito bem com peixe.

Solos calcários são excelentes para o cultivo da Chardonnay, enquanto nos solos que misturam argila e calcário a Pinot Noir se dá muito bem. O solo granítico favorece o plantio da uva Gamay. Dessa forma, os vinhedos da Borgonha estão distribuídos de forma adequada ao tipo de solo.

Os vinhos da Borgonha são, hierarquicamente, classificados em Regional (Vin de Bourgogne), Village (levam o nome da comuna), Premier Cru (levam o nome da parcela) e Grand Cru, os quais respondem respectivamente por 53%, 30%, 15% e 2% de toda a produção vinícola da Borgonha.

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Vinhedos Nuits-St-Georges, Borgonha

Chablis é a sub-região dos famosos vinhos brancos feitos exclusivamente com a uva Chardonnay. Os Chablis são vinhos sublimes: secos, metálicos, ricos, de ótima acidez, mistura de fruta madura com toque mineral. Alguns produtores de destaque são: Bernard Billaud, Jean-Paul e Benoït Droin, Michel Laroche, Vincent Dauvissat, William Fèvre e Jean-Marc Brocard. A cooperativa La Chablisienne é uma boa dica para quem procura por um Chablis de qualidade a preço acessível.

A Côte de Nuit, conhecida como o ponto nobre da Borgonha, concentra o maior número de vinhedos Grand Cru, produzindo assim os melhores tintos da região. Os amantes dos Borgonhas afirmam que em nenhum outro lugar do mundo a Pinot Noir se mostra tão rica, elegante e sedutora. Suas AOCs mais conhecidas são: Gevrey-Chambertin, Vosne-Romanée, Vougeot, Chambole-Musigny, Marsannay, Morey-St-Denis e Nuits-St-Georges. São produtores confiáveis dessa região: Charles Rousseau, Bruno Clair, Jean-Claud Boisset, Denis Mortet, Louis Jadot, Méo-Camuzet, entre outros.

Côte de Beaune produz vinhos tintos de variados estilos e excelentes brancos. Fora de Chablis, é o único lugar da Borgonha que produz brancos Grand Cru. O único Grand Cru tinto é o magnífico “Corton” cujo produtor é responsável também pelo magistral Grand Cru branco “Corton-Charlemagne”. De Pommard originam-se os tintos mais rústicos da região. Mersault, uma grande vila conhecida pelos brancos excepcionais, possui vários Premiers Crus e inúmeros brancos de características únicas. De Puligny-Montrachet e Chassagne-Montrachet saem os vinhos brancos mais famosos do mundo. Alguns produtores da região, estão entre os melhores da Borgonha e são bem conhecidos pela alta qualidade constante de seus vinhos: Domaine Drouhin, Domaine de Comtes Lafon, Domaine de la Romanée-Conti, Domaine Jaques Prieur e Laflaive.

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Prensa e tanques de fermentação Domaine Camus – Gevrey Chambertin

A Côte Chalonnaise possui cinco principais “appellations”: Bouzeron que produz vinho branco com a uva Aligoté; Rully que produz o espumante “Crèmant de Bourgogne” e onde a maior parte dos vinhos é produzida por négociants como Olivier Laflaive, Antonin Rodet e Domaine Druhin; Mercurey que oferece muitos tintos robustos e frutados de qualidade; Givry produz elegantes tintos de Pinots e aromáticos Chardonnays; e Montagny que dedica-se aos brancos de Chardonnay.

Mâconnais é uma região conhecida pela grande produção de vinhos brancos de uva Chardonnay. Sua principal “appellation” é Puily-Fuissé cujos vinhos são sempre brancos fabulosos e possuem preços geralmente inflacionados.

Por último, temos a região de Beaujolais com características e estilo de vinho bem distinto das outras. Nos solos graníticos, são plantados vinhedos de uva Gamay com as quais são elaborados todos os vinhos Beaujolais. São classificados em Beaujolais Nouveau, Beaujolais Village e Beaujolais Cru com dez AOCs (St.-Amour, Juliénas, Chénas, Moulin-à-Vent, Fleurie, Chiroubles, Morgon, Régnié, Brouilly e Côte de Brouily). O maior négociant de Beaujolais é Georges Duboeuf, além de outros como Jean Calot, Louis Jadot, Jean-Paul Brun e Jean-Marc Burgaud.

O fenômeno do Beaujolais Nouveau surgiu por volta dos anos 60, quando os produtores disputavam para ver quem conseguia fazer chegar primeiro, aos bistrôs e distribuidores, seus vinhos recém lançados. Assim é a “corrida anual do Beaujolais” em que ele é vinificado e engarrafado o mais rápido possível, e comercializado logo na terceira semana de Novembro, antes de primeiro de janeiro. Por isso carrega a reputação de vinho popular, agradável, sem grandes pretensões, puro frescor e fruta vívida.

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A charmosa cidade de Beaune, capital do vinho na Borgonha

Esperamos que esse ligeiro relato o ajude a entender um pouco mais sobre a Borgonha, considerada uma das regiões vinícolas mais confusas do mundo.

Se você planeja ir à França e não terá tempo de visitar a região da Borgonha, saiba que em Paris, na Place des Vosges, o Bistrô “Ma Bourgogne” oferece uma ampla variedade de vinhos da Borgonha, um verdadeiro templo para os admiradores de Bacco.

Bonne chance!

Maria Uzêda.

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Viajar e apreciar bons vinhos são as maiores paixões que tenho na vida. Em cada novo destino ou em cada garrafa aberta, há um mundo de descobertas, aprendizados e sensações. Quando as duas coisas se juntam, a experiência é inesquecível. Visitar as regiões vinícolas, conhecer suas características, sua história, seus produtores, entender os cuidados despendidos na elaboração de cada vinho e o impacto deste cuidado no resultado final, compartilhar da angústia por que os viticultores passam a cada ano, esperando que o tempo colabore para que se obtenha o melhor de suas uvas e degustar seus melhores vinhos in loco, personifica este líquido que tanto apreciamos e que guarda histórias que muitas vezes nem imaginamos. Compartilho aqui um desses momentos que nós, do blog Sommelière, tivemos em viagem recente à região de Pomerol, em Bordeaux, na França.

Chateau-Pomerol-Eglise-Igreja

Quando falamos em Pomerol, nossa primeira lembrança é o lendário Château Pétrus, marca conhecida globalmente e um dos vinhos mais caros do mundo. Muito tempo foi preciso até que a região chegasse ao nível de reconhecimento e respeito que tem hoje. Pomerol foi uma região tipicamente de vinhos brancos até finais do século 19, quando os altos preços dos tintos tornaram sua produção mais atraente. Somente em 1936 Pomerol recebeu status de AOC, tendo todas suas regras de produção e vinificação regulamentadas, criando assim uma identidade para seus vinhos.

Em sua história, alguns personagens tiveram um papel muito importante para elevar Pomerol a um patamar internacional:

-Jean-Pierre Moueix, que em meados do século 20 adquiriu algumas propriedades em Pomerol, além de uma participação no Château Pétrus e que foi responsável por diversos esforços para melhorar os processos de produção e divulgar os vinhos da região para o mundo.

-Michel Rolland, consultor de vinhos mais assediado do mundo, que nasceu em Pomerol, possui uma vinícola na região e começou carreira prestando consultoria para muitas das vinícolas na vizinhança.

-Robert Parker, um dos críticos de vinho mais conhecidos no mundo e que muito aprecia o estilo dos vinhos produzidos por Michel Rolland.

Assim, com a excepcional safra de 1982 associada à excelência no trabalho de Moueix e Rolland, às críticas de Robert Parker e um momento histórico favorável, foi possível um grande destaque mundial e o devido reconhecimento a Pomerol.

Dentro da AOC de Pomerol, as principais uvas plantadas são a Merlot, em maior expressão, seguidas pela Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon, que associadas dão a seus vinhos as notas de ameixa madura com taninos aveludados e a expressão sensual tão característica da região.

Em nossa visita à região, tivemos a oportunidade de conhecer de perto o trabalho de duas importantes propriedades que permitem que a paixão que têm pelo negócio transcenda a seus vinhos, proporcionando a milhares de enófilos momentos inesquecíveis de prazer à mesa.

Château Gazin

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Era um feriado, 0 dia estava frio e nublado, mas tivemos uma recepção calorosa. Logo na entrada da propriedade percebemos que ao lado das bandeiras hasteadas da França e União Européia, havia uma bandeira do Brasil. Quem nos recebeu foi o simpático Nicolas de Bailliencourt, um dos proprietários da vinícola.

A história do Château Gazin data do século 18, quando cavalheiros de São João de Jerusalém e da Cruz de Malta ali se estabeleceram e construíram um hospital com o intuito de receber e abrigar os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela e é hoje a sede da propriedade. Somente no século 20, as terras foram compradas pela família Bailliencourt que está atualmente na quinta geração produzindo esses grandes vinhos.

O Château Gazin possui 24 hectares de vinhedos e chega a produzir 100.000 garrafas ao ano, dependendo da safra, e cerca de 80% de sua produção vai para o exterior.

Em nossa visita, conhecemos toda sua estrutura de produção, com os tanques de fermentação em concreto e os cellars onde os vinhos descansam por 18 meses em barricas francesas antes de serem engarrafados. Ao final, seguimos para uma degustação:

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Château Gazin 2009

90% Merlot, 7% Cabernet Sauvignon e 3% Cabernet Franc (14,5% álcool)

Aromas de frutas negras maduras, com notas de menta e especiarias. Em boca, corpo cheio, taninos marcantes e retrogosto frutado. Excelente! Pode ser guardado por até 30 anos.

Château Gazin 2004

85% Merlot, 10% Cabernet Sauvignon e 5% Cabernet Franc (13% álcool)

Aroma animal, lembrando couro, com notas de café. Em boca, toque herbáceo, como mate, corpo cheio e taninos mais domados. Pode ser guardado por cerca de 10 anos.

Onde encontrar no Brasil: Mistral (www.mistral.com.br)

Château Clinet

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De lá, seguimos para o Château Clinet e fomos recebidas pela Monique, gerente de negócios, que nos guiou por toda a estrutura de produção da vinícola, assim como pelos vinhedos, nos contando a história da propriedade.

A propriedade em si, produz vinhos há longos anos. Mas sua história como Château Clinet é bem mais recente e data de 1999 quando a família, que já tinha negócios em agricultura e produzia vinhos em outra região, comprou as terras, deixando-as sob responsabilidade de Ronan Laborde, enólogo que tem como característica marcante a busca incessante pela inovação e a expressão do terroir. Os vinhos do Château Clinet, mesmo com a sua ainda jovem trajetória, são reconhecidos mundialmente como símbolo de excelência e traduzem muito bem as características de um Pomerol.

O Château Clinet possui 11 hectares e sua produção chega a 50.000 garrafas ao ano. Seu primeiro vinho descansa por 16 meses em barricas de carvalho francês e Ronan vem fazendo também experiências com carvalho alemão e austríaco. Até 2006 a vinícola contava com a consultoria de Michel Rolland, mas hoje o segredo de sua produção fica por conta de Ronan.

Seguimos para uma degustação, onde tivemos o prazer de ser acompanhados por Monique e Ronan:

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Ronan by Clinet 2011

100% Merlot (13% álcool)

Suas uvas são provenientes de diversas regiões de Bordeaux. A proposta é de ser um vinho fácil e mais para o dia-a-dia. Com aromas bastante frutados e notas levemente tostadas, possui bom corpo e taninos aveludados. Fácil de beber e muito bom.

Fleur de Clinet 2011

95% Merlot, 5% Cabernet Franc (14% álcool)

Produzido a partir de uvas de diferentes produtores, apresenta aromas frutados, possui taninos macios e retrogosto persistente. Delicioso! Pode ser guardado por mais 5 anos.

Château Clinet 2011

90% Merlot, 9% Cabernet Sauvignon e 1% Cabernet Franc (13,5% álcool)

Apresenta aromas de frutas negras e notas de baunilha. Em boca, boa adstringência e taninos marcantes. Excelente!

Château Clinet 2012

Aromas de frutas negras e compota. Em boca, corpo cheio, taninos marcantes e muito equilibrado. Muito bom.

Onde encontrar: Grand Cru (www.grandcru.com.br)

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Visitar a região de Pomerol e descobrir seus inebriantes vinhos é uma experiência que recomendo aos enófilos de plantão, mas é importante notar que ao contrário do Médoc, região bastante turística com seus grandes Châteaux, em Pomerol os Châteaux mais parecem casas de fazenda e nem sempre é possível encontrar seus nomes na entrada das propriedades. Ali, são poucos os produtores que possuem sala de degustação e apenas alguns estão abertos ao público sem agendamento prévio. Portanto, procure se informar e agendar sua visita com antecedência.

Santé!

Cristina Almeida Prado.

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