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A história da Viña San Esteban tem início com José Vicente e seu filho Horácio, viticultores de família com tradição de muitas gerações na produção de uvas no vale do Aconcágua, que acreditando na qualidade e potencial de suas uvas e terroir, vislumbraram a produção de vinhos de alto nível com a essência do Aconcágua. Horácio, chileno formado em enologia em Bordeaux, adquire experiência nos vinhedos de Bordeaux e Califórnia, ampliando seus conhecimentos na produção de vinhos. Quando retorna ao Chile, além de toda bagagem, vem trazendo tecnologia inovadora para a região e, em 1974, nascia a Viña San Esteban.

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Localizada a 870m do nível do mar, a Viña San Esteban, conhecida também como In Situ por sua linha de vinhos mais famosa, tem hoje cerca de 150 hectares e produção de 3 milhões de garrafas por ano. Com a proposta de oferecer a essência do vale do Aconcágua em uma garrafa, os vinhos da San Esteban são focados no mercado exterior e chegam às adegas de enófilos de mais de 20 países.

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Além de suas lindas vinhas, numa romântica paisagem entre as cadeias dos Andes e a cordilheira da Costa, a propriedade possui algo a mais de especial. Em meio a seus vinhedos, existem sítios arqueológicos com petroglifos que datam de 1.000 anos atrás. Este atrativo inspirou a criação da marca da Viña San Esteban e pode ser visitado com agendamento prévio.

Na visita à propriedade, degustei alguns de seus vinhos:

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In Situ Sauvignon Blanc Reserva 2015

De coloração amarelho palha, apresentou aromas de maracujá, limão e notas herbáceas. Fácil de beber, frutado, ótima acidez e muito frescor.

In Situ Cabernet Sauvignon Reserva 2014

De coloração vermelho rubi intenso, apresentou aromas de frutas negras com notas de pimenta preta e cedro. Fácil de beber, bastante frutado, boa acidez e taninos macios.

In Situ Gran Reserva Carmenère 2014

14 meses de estágio em barrica francesa

De coloração vermelho carmim, apresentou ótima intensidade aromática, com aromas de cerejas negras e amoras com notas de pimenta preta. Em boca, bom corpo e média acidez.

In Situ Gran Reserva Cabernet Sauvigon 2014

14 meses em barrica francesa

De coloração vermelho rubi intenso, apresentou aromas de cerejas negras, amoras e pimenta preta. Em boca, bom corpo e acidez elevada.

Para quem desejar visitar a vinícola, basta enviar um e-mail e agendar um horário.

Viña San Esteban: www.insitu-travel.cl

Endereço:  Avda. la Florida 2220, San Esteban – Los Andes

Contato: insitu@vse.cl, +56 342 482842

Um brinde!

Cristina A. Prado

Seguindo o roteiro de visita no Vale do Aconcágua, fui em direção à Flaherty, mais uma vinícola integrante da MOVI Chile (movimento dos pequenos vinhateiros do Chile). Essa vinícola, ainda jovem e pequena, não era de fácil localização. Sem nenhuma sinalização na estrada, nem identificação na fachada, rodei um tempo até encontrar sua sede. Mas esse detalhe não era à toa: a Flaherty não é aberta ao público e sua proposta é personalizar o atendimento a seus poucos visitantes, que necessitam agendar previamente a visita.

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A história da Flaherty começa com Eduardo Flaherty, enólogo americano formado na universidade de Davis, na Califórnia que, com sua esposa Jenny, veio ao Chile para trabalhar em uma colheita na Concha y Toro. A paixão pelo Chile e pelo trabalho com as vinhas foi tão forte, que acabaram criando raízes. Ed teve seu primeiro cargo como enólogo na vinícola Cono Sur. Algum tempo mais tarde, trabalhou na gigante Errazuriz onde permaneceu por 8 anos e logo em seguida, mais 8 anos na Tarapacá.

Com toda a bagagem adquirida, Ed passou a trabalhar como consultor de vinhos para diversas vinícolas da região e em 2002, com o apoio de sua esposa Jenny, começou a produzir seus próprios vinhos.

A Flaherty é uma vinícola boutique que produz vinhos elegantes e cheios de personalidade. Em 2014 sua produção foi de 20.000 garrafas e pretende chegar em até 60.000 em 5 anos. A proposta é continuar com uma produção pequena para manter o estilo de seus vinhos.

Após um passeio pelas instalações da vinícola, guiada pela Jenny, fizemos uma degustação, que incluiu seu vinho Aconcágua 2014 que não estava nem no mercado na ocasião. Em seguida, desfrutamos de um delicioso almoço preparado pela própria Jenny: uma salada ceasar com frango e croutons e, de sobremesa, um sorvete de banana com brownie.

Flaherty 2013, Aconcágua

60% Syrah, 25% Cabernet Sauvignon, 5% Petit Syrah, Tempranillo e Malbec

18 meses em carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas de ameixa e cerejas negras notas tostadas. Em boca, muita fruta, boa acidez e taninos aveludados. Muito bom!

Flaherty 2013, Calquenes

Syrah

18 meses em carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas de frutas negras com notas de mentol e eucaliptos. Em boca, muita fruta, boa acidez e taninos marcantes. Está excelente!

Flaherty 2014, Aconcágua

Syrah, Cabernet Sauvignon, Petit Syrah, Tempranillo e Malbec

18 meses em carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas de ameixa, cerejas negras, pimenta preta com notas tostadas. Em boca, muita fruta, boa acidez e taninos marcantes. Uma delícia!

A visita a Flaherty foi especial, assim como são seus vinhos.

Para quem desejar conhecer, seus vinhos podem ser encontrados nas principais lojas especializadas de Santiago, algumas lojas no Brasil ou agendando uma visita.

Mais informações: www.flahertywines.com

Um brinde!

Cristina A. Prado.

 

 

Há alguns meses participei de uma degustação organizada pela MOVI Chile (movimento dos pequenos vinhateiros do Chile) que tinha como proposta apresentar à imprensa vinhos de algumas vinícolas boutique. Fiquei realmente surpreendida com a qualidade dos vinhos e decidi incluir algumas das vinícolas em meu roteiro ao Chile.

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A primeira visita foi a Von Siebenthal, onde fui recebida pelo Mateo. Toda a história da vinícola começa com um personagem chamado Irineu, um artista suíço que se apaixonou por uma chilena e decidiu construir sua vida neste país de belíssimas riquezas naturais. Um dia, compartilhou com um amigo suíço algumas fotos e histórias deste país. E foi assim que, em 1998 o advogado Mauro deixou seu país com seu filho Mateo e chegou ao Chile com uma bagagem cheia de sonhos.

Localizada no vale do Aconcágua, a Von Siebenthal tem hoje 32 hectares de vinhas e produz seus vinhos a partir das uvas tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère, Cabernet Franc, Syrah e Petit Verdot, e Viogner para seu único vinho branco.

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Aos pés dos Andes, o vale do Aconcágua está localizado a cerca de 80 km para o norte de Santiago. É uma região com grande oscilação de temperatura entre o dia e a noite, muito vento e pouca chuva ao longo do ano, o que permite um amadurecimento adequado das uvas e ajuda a prevenir o desenvolvimento de fungos.

O vinho símbolo da vinícola, de maior reconhecimento e expressão é o Parcela #7, com produção anual de 100 mil garrafas. Já seu vinho ícone é o Toknar, com 24 meses em barricas de carvalho francês e americano e estrutura para ser guardado por até 25 anos. Mas a novidade da vinícola é o Viogner, que passa de 12 a 14 meses em barrica e que, conforme ressaltou Mateo, tem estrutura suficiente para harmonizar com carne vermelha.

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Os vinhos da Von Siebenthal estão focados principalmente no mercado exterior, sendo exportados para mais de 30 países. O Brasil é o seu segundo maior mercado, logo após a China, mas seus vinhos podem ser encontrados também nos principais restaurantes de Santiago.

Ao final da visita, Mateo apresentou o Parcela #7 e o Carabantes Syrah:

Parcela #7 2012

Carbernet Sauvignon, Petit Verdot, Cabernet Franc e Merlot

14 meses em barris de carvalho

De coloração rubi, apresentou aromas de frutas negras maduras, como groselhas, e notas de pimenta preta. Em boca, acidez elevada, taninos elegantes e muita fruta.

Carabantes 2012

Syrah

18 meses em barris de carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas explosivos de frutas negras maduras, como cassis e ameixa, com notas de mentol e chocolate. Em boca, corpo cheio, média acidez e taninos macios.

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Para quem deseja conhecer a vinícola, é necessário agendamento prévio que pode ser feito por e-mail ou telefone.

Von Siebenthal:

E-mail: latorre.soledad@gmail.com

Telefone: +56 9 9459 6173

Um brinde!

Cristina A. Prado.

Em recente viagem ao Chile, tive a oportunidade de conhecer os vales de Casablanca e Aconcágua, no entorno de Santiago, e visitar algumas de suas vinícolas. A primeira visita foi à Emiliana, que está há 50 minutos de carro de Santiago, sentido Valparaíso.

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Quem me recebeu foi a Angélica, guia de visitas, e o Josué, hospitality manager, que, super atenciosos, compartilharam um pouco sobre a história e filosofia da vinícola e me apresentaram alguns de seus vinhos.

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Com cerca de 20 anos de história, a Emiliana é hoje a maior vinícola orgânica do mundo e cultiva suas uvas nas principais regiões vinícolas do Chile. Como filosofia, diz-se que um vinhedo orgânico é um organismo vivo autossustentável: um sistema fechado que se mantém saudável com o uso da própria fauna, flora e minerais em seu favor. Não utiliza pesticidas ou qualquer produto químico em suas vinhas, mas produz uma série de ervas e grãos que são utilizados em compostos que ajudam a fortalecer e proteger os vinhedos de pragas.

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Além disso, a presença de animais, como galinhas, que ajudam a comer larvas e insetos, joaninhas criadas localmente, que se alimentam de pulgões e pequenos insetos, lhamas, que na época adequada são soltas pelos vinhedos para ajudar na redução das folhagens das vinhas e abelhas, que ajudam na polinização da flora da região, ajudando a manter o ecossistema saudável.

DSC_5355Já o biodinamismo, filosofia também seguida pela Emiliana em alguns de seus vinhedos, acredita num equilíbrio energético entre todos seus elementos, considerando a posição dos astros como direcionadores do calendário do vinhedo. Este calendário é desenhado por um engenheiro agrônomo junto a um astrônomo. Diz-se que a posição dos astros influencia na energia da natureza e existem alguns momentos energéticos específicos que irão definir o melhor momento para fertilização de solo e vinhedo, poda e colheita, por exemplo.

Além de todo o cuidado com a natureza, a Emiliana acredita ser fundamental manter a paixão de seus colaboradores pelo trabalho para que isso se reflita na qualidade de seus vinhos. Oferece uma série de benefícios para os trabalhadores e seus familiares, como assistência médica e a possibilidade do uso das terras para produção de verduras e frutas.

A Emiliana produz seus vinhos brancos a partir das uvas Chardonnay, Viogner, Marsanne, Roussane e Sauvignon Blanc, enquanto para as tintas, Merlot, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Mouvèdre e Syrah.

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No vale de Casablanca, que é uma região fria mesmo no verão, o clima é adequado para a produção de excelentes brancos, pois permite às uvas mais tempo para amadurecer e desenvolver seus aromas e sabores. A Pinot Noir é também uma uva que se adaptou muito bem à região.

Os vinhos degustados nesta visita foram:

Novas Viogner 2013, Casablanca

De coloração amarela com reflexos dourados, apresenta aromas de flores brancas com notas de damasco e pêssego maduro. Em boca, corpo e acidez médios. Boa untuosidade. Muito bom!

Adobe Gewurztraminer 2015, Rapel

De coloração amarelo palha, apresenta aromas intensos de lichia, flores e frutas brancas maduras. Em boca, a sensação se repete. É um exemplar bem típico da Gewurztraminer.

Novas Carmenère, Cabernet Sauvignon 2013, Cochagua

93 Pontos por James Suckling

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de frutas vermelhas e negras maduras. Em boca, apresenta boa estrutura, acidez, taninos macios e muita fruta com um discreto toque vegetal. Está delicioso!

Coyam 2012, Colchagua

Syrah, Carmenère, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec e Mouvèdre

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de ameixa, groselha e amoras negras. Em boca, bom corpo e acidez, com taninos marcantes. Vinho ícone da casa, passou 13 meses em carvalho 80% francês e 20% americano. Pode ser guardado por até 15 anos. Excelente vinho!

Gê 2012, Colchagua

Carmenère, Syrah, Cabernet Sauvignon

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de frutas negras maduras, como ameixa e amora, com notas de chocolate e pimenta preta. Em boca, bom corpo e acidez, com taninos marcantes. Vinho ícone da casa, produzido a partir de vinhas velhas, com 16 meses de passagem em carvalho francês. Pode ser guardado por até 20 anos. Excelente vinho!

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Conhecer mais de perto o admirável trabalho realizado por esta vinícola foi, certamente, uma experiência e tanto, e reforça todo o romantismo e misticismo que há por trás de cada garrafa de vinho que abrimos, nos surpreendendo e nos enchendo de prazer.

A Emiliana recebe visitas diariamente em sua sede no vale da Casablanca, com agendamento prévio. Se estiver pela região, recomendo o passeio.

Emiliana Vinhos Orgânicos

Site: www.emiliana.cl

No Brasil, você pode encontrar os vinhos da Emiliana nos sites www.vinomundi.com.br e www.worldwine.com.br

Um brinde!

Cristina A. Prado

Croácia – Capítulo III

Saindo do “paraíso do Adriático”, segui em direção à Península de Peljesac considerada o “império dos vinhos”. O Conselho de Turismo demarcou bem as rotas do vinho nessa península, por isso é muito fácil visitar os produtores e sua adegas. Excelentes exemplares de vinhos elaborados com a cepa nativa Plavac Mali provêm das Denominações Dingac e Postup, na Península. Um vinho Dingac é classificado como o de mais alto padrão pelas leis vitivinícolas croatas (1965) – “Vrhunsko Vino” (Premium Quality Wine). Somente cerca de 5% dos vinhos do país recebem essa designação. Uma porcentagem um pouco maior é classificada como “Kvalitetno Vino” (Quality Wine) e o restante é rotulado como “Stolno Vino” (Table Wine).

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A área de Postup foi a segunda região vinícola, depois de Dingac, a ser protegida pelo Estado (1967). Pequenas diferenças distinguem os vinhos Postup dos vinhos Dingac. Embora os Postup não se aproximem do caráter robusto típico dos Dingac, eles estão perfeitamente aptos a desenvolver grande estrutura e complexidade.

Esse é um destino imperdível para os amantes do vinho, pois há mais de 40 vinícolas instaladas nessa Península, dentre as quais eu destacaria a Grgic Vina, a Matusko Vina e a Korta Katarina.

A vinícola Grgic está localizada na vila de Trstenik, e foi fundada por Miljenko Grgic, um viticultor croata muito conhecido no mundo do vinho. Seu rico passado conectado à produção de vinhos, a experiência adquirida trabalhando durante muitos anos no Vale do Napa, na Califórnia, somados aos prêmios e condecorações que ele conquistou, são a base da produção dos vinhos que ele caprichosamente elabora a partir das variedades locais Posip e Plavac Mali.

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Outra vinícola bem conhecida é a Matusko cuja família vem mantendo a tradição por décadas, cultivando uvas e produzindo vinhos. Sua antiga adega, que começou com uma pequena sala de degustação, tornou-se nos últimos anos um dos mais conhecidos destinos croatas de turistas enófilos. Localizada na vila de Potomje, a vinícola Matusko produz vinhos de qualidade, incluindo tintos, brancos, um rosé e um espumante, sem falar no seu ótimo azeite. Durante minha visita nessa vinícola, fui muito bem atendida por Neda Bakalic que me serviu quatro rótulos, acompanhados de fatias de pão e azeite. Meu destaque é para o “Reserva Dingac Barrique 2008”, que exala aromas doces e em boca traz marcantes notas de passas ao rum, apresenta taninos elegantes e um delicioso e longo final. Macio, encorpado e bem equilibrado, mal se percebem os seus 15,2% de teor alcoólico.

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A vinícola Korta Katarina é outra parada obrigatória para os enófilos que passeiam pela Península. Local de fácil acesso, bem à beira da estrada, a KK oferece uma bela sala de degustação, com funcionários educados e muito bem treinados como o Ivo Cibilic que me atendeu, além, é claro, da loja para a venda direta dos vinhos KK. A vinícola, que fica próxima à cidade de Orebic, foi fundada em 2005 por Lee e Pam Anderson, americanos que se apaixonaram pelas belezas do litoral croata e encontraram um lugar ideal para construir a vinícola e um hotel. Valendo-se da mais moderna tecnologia, produzem excelentes vinhos elaborados com as cepas nativas Plavac Mali e Posip, todos classificados como “Vrhunsko Vino”.

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Em minha visita à KK, após a degustação, Ivo me apresentou uma embalagem com três safras diferentes do “KK Plavac Mali” que não hesitei em comprar e incluir na minha bagagem. A ideia era fazer uma degustação vertical com amigos aqui no Brasil, num inesquecível encontro de prazer e alegria que o vinho é capaz de proporcionar. Os vinhos de safras 2007, 2008 e 2010 apresentaram-se bem distintos, dentre os quais se destacou o “KK Plavac Mali 2007”, vinho de coloração granada, com nítido halo de evolução e discreto sedimento ao final; em boca, notaram-se frutas vermelhas em compota, um toque herbáceo, especiarias, taninos finos e final persistente. O “KK Plavac Mali” possui ótimo potencial de envelhecimento. Maravilhoso!

Embora não tenha alcançado ainda renome mundial, a produção vinícola da Croácia tem aumentado bastante e já apresenta muitos exemplares que se destacam e impressionam. Hoje, a Croácia é exemplo de luta, trabalho e superação, demonstrando o quão forte é sua identidade em tudo que faz.

Maria Uzêda

Contatos:

http://www.kortakatarinawinery.com / visit@kortakatarina.com

http://www.matusko-vina.hr / matusko@net.hr

http://www.grgic-vina.com / info@grgic-vina.com

http://www.zlatanotok.hr / zlatanotok@zlatanotok.hr

http://www.bastiana.hr / bastiana@gmail.hr

http://www.decanter.com.br (alguns rótulos da vinícola Korta Katarina podem ser encontrados na Importadora Decanter)

wineries-croatia-vinhos-croácia A Croácia possui uma longa tradição vitivinícola que vem desde os tempos dos colonizadores gregos. Apesar de ter passado por períodos de estagnação, devido aos sucessivos conflitos políticos, a vitivinicultura croata está vivendo um importante e significativo renascimento, mesmo tendo ainda que lidar com as sequelas da guerra. Iniciativas como da Organização “Roots of Peace”, que atua na remoção de minas terrestres, vêm estimulando o replantio e consequente aumento dos vinhedos.

São duas as principais regiões vinícolas da Croácia: a Primorska, na costa, e a Kontinentalna, no interior. A Primorska inclui a sub-região da Istria e toda a costa adriática até a Dalmácia, inclusive as inúmeras ilhas. A Kontinentalna vai do noroeste ao sudeste croata.

No interior, na região de Kontinentalna que conta com sete sub-regiões, são produzidos principalmente vinhos brancos com a Grasevina (cepa nativa dominante), a Riesling do Reno e a Traminac; os tintos, de menor produção nessa área, são elaborados com Syrah, Pinot Noir e Zweigelt (casta tinta da Áustria).

Já na região de Primorska, a maior parte da produção vinícola é de vinhos tintos. Na sub-região da Istria, por exemplo, as cepas mais usadas são a Cabernet Sauvignon, a Merlot, a Malvasia Nera e a Teran, conhecida como Refosco na vizinha Itália; enquanto na sub-região da Dalmácia, a principal cepa tinta nativa é a Plavac Mali (prima da Zinfandel),que gera vinhos robustos e encorpados. Algumas cepas brancas também são cultivadas na região de Primorska, sobretudo a Malvasia Istriana, e variedades nativas como a Posip, a Bogdanusa e a Marastina.

Durante a minha viagem, percorrendo todo o litoral Adriático de carro, chamaram-me a atenção a ilha de Hvar com seus campos de lavanda, olivais e vinhedos, e a Península de Peljesac que exibe a riqueza da região, oferecendo mais de 40 vinícolas, um importante centro de criação de ostras e famosas salinas.

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Na ilha de Hvar, considerada o paraíso do Adriático, fiquei hospedada no Hotel Spa Amphora que organiza grupos para visitação à Vinícola Tomic e que pode ser visitada mesmo sem agendamento. Fundada em 1997, essa vinícola está localizada na vila de Jelsa. O enólogo responsável, Andro Tomic, nascido nessa ilha, tem dedicado sua vida ao vinho e à enologia, e se empenha em reavivar a herança da viticultura de Hvar.

Em visita à Vinícola Tomic, pude degustar três de seus tintos, num espaço especialmente construído segundo a arquitetura das antigas salas de jantar Romanas, escavado em rocha, com teto abobadado e colunas de mármore Travertino. Esse belo  salão é utilizado nas festas da família e nas degustações diárias dos visitantes. Degustei o “Veliki Plavac Mali”, bem envelhecido, mostrando nítidos sinais de evolução; o “Plavac Mali 2013”, um tinto jovem, com notas terrosas, típicas da casta, ameixas e frutos negros e toque final de café e especiarias devido à curta passagem por carvalho; e o “Plavac Mali Barrique”, um produto orgânico resultado de trabalho manual em condições naturais, envelhecido em barricas de carvalho francês, esloveno e americano, por período entre 8 a 12 meses. Esse vinho elegante preserva os clássicos aromas da Plavac Mali, assim como o estilo do Velho Continente, focando na estrutura, na complexidade e na persistência. A vinícola Tomic produz tintos e brancos, valorizando sempre as uvas autóctones, e dando grande destaque ao seu “Prosek” que é um autêntico vinho croata de sobremesa, rico e doce, feito com uvas desidratadas.

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Outra Vinícola importante e muito conhecida na ilha de Hvar é a Zlatan Otok. Fundada em 1986, essa vinícola está localizada na Vila de Sveta Nedjelja e possui vinhedos nas encostas sul da ilha, ocupando terrenos bastante íngremes que se debruçam sobre o Adriático. O proprietário Zlatan Plenkovic é tido na ilha como o “Rei da Plavac Mali” e foi eleito por mais de uma vez o melhor produtor de vinhos da Croácia, mantendo-se então dentre os melhores do ranking, com centenas de prêmios, medalhas e reconhecimento de títulos croatas e internacionais. Seus tintos são enormemente concentrados e poderosos, sobretudo o Zlatan Plavac Grand Cru. Destaque também para o complexo Zlatan Plavac Barrique que apresenta aromas com notas animais (couro), ameixas secas, amoras e um ataque de chocolate. Um Prosek também entra na sua lista de produção e é bastante elogiado.

Percorrer a Ilha de Hvar foi, sem dúvida uma das experiências mais adoráveis e enriquecedoras da minha viagem à Croácia e é, com certeza, um destino turístico inesquecível.

Seguindo pelo litoral sul do país, em direção a Dubrovnik, a Península de Peljesac é rota imperdível para os enófilos de carteirinha. Acompanhem na próxima publicação onde falaremos sobre as Denominações Dingac e Postup e alguns destaques dentre as mais de 40 vinícolas da Península.

Maria Uzêda.

Em recente viagem à Croácia, tive a grata oportunidade de percorrer algumas regiões do país, conhecer um pouco da sua história, me encantar com as paisagens naturais, admirar as cidades antigas com sua arquitetura bem preservada e, é claro, saber mais sobre a produção vinícola.

A Croácia é um país de tumultuada trajetória histórica. Por várias vezes, os croatas tiveram que lutar por fronteiras e expulsar invasores pois, em muitas ocasiões, estiveram subjugados a outros povos como venezianos, turcos, húngaros, franceses e alemães. Após a Segunda Guerra Mundial, com a criação da Iugoslávia, que unia seis Repúblicas (Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Eslovênia, Macedônia, Montenegro e Croácia), veio uma calmaria aparente entre as nações eslavas que não durou muito. Com a morte do líder iugoslavo Tito em 1980, a Iugoslávia começou a se desintegrar e entrou em decadência, dando origem às manifestações nacionalistas e à eclosão de uma sangrenta guerra civil.

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Em 1991, a Croácia proclamou sua independência, embora somente em 1995, com o acordo de Dayton, o país tenha restabelecido suas fronteiras e começado a vislumbrar a paz. Após longa fase de reconstrução, o país vem mostrando ao mundo seus tesouros culturais, seus incríveis parques nacionais, belas cidades que são verdadeiras relíquias históricas, declaradas como Patrimônio Mundial da Humanidade, uma mistura rara de glamour dos tempos antigos com a autenticidade croata. O cenário atual de paz é um fato bem recente naquelas bandas conflituosas dos Bálkans.

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Quem visita a Croácia, percebe logo que é um país hospitaleiro, está bem preparado para o turismo, oferecendo boas estradas, praias paradisíacas, ótima rede hoteleira, diversas atividades culturais, rurais e enogastronômicas. E seus vinhos, bem… esse é o capítulo que mais nos interessa, pois vai explanar termos como “Plavac Mali”, “Posip”, “Dingac”, “Postup”, etc. Vale a pena acompanhar e saber a respeito do curioso mundo dos vinhos produzidos naquele país tão distante e desconhecido da maioria dos amantes do vinho. Portanto, fiquem atentos às nossas próximas publicações.

Saudações!

Maria Uzêda.

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