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Em viagem à Argentina tive a oportunidade de conhecer algumas vinícolas na região de Mendoza. Dentre elas, a Zuccardi muito me surpreendeu. Logo no primeiro contato para fazer a reserva de visitação, fui questionada se não gostaria de almoçar no restaurante da vinícola. O que a princípio não estava nos planos, acabou sendo uma experiência sensacional que somou-se a uma visita muito especial.

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Com uma vista espetacular dos Andes, a Zuccardi tem sua sede e restaurante localizados em Maipú. O restaurante tem como proposta servir uma comida regional. É um menu fixo, com entrada, diferentes cortes de carne servidos com salada e legumes e sobremesa típica, sendo que para cada um dos pratos, um vinho Zuccardi é servido para harmonizar. Além disso, é possível degustar os excelentes azeites produzidos por eles. Uma verdadeira orgia enogastronômica que vale cada centavo.

Logo na sequência, fui recebida pelo guia Nicolás na bodega, que me contou um pouco da história dessa família e me apresentou alguns dos vinhos assinatura da casa.

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A história da vinícola tem início em 1963 com Tito Zuccardi, engenheiro descendente de italianos que vivia na Argentina. Tito comprou terras na região de Mendoza, desenvolveu um sistema próprio de irrigação, o que foi uma evolução do sistema tradicional e começou a vender o sistema para outros produtores. Sob o nome Uvas del Sol, nasceu a vinícola de Tito focada na produção de vinhos de mesa, produto este que tinha à época uma elevada demanda interna.

Em 1970, Alberto Zuccardi Filho começou a trabalhar com Tito, seu pai, e tornou-se responsável pela ampliação da produção e evolução da qualidade dos vinhos da vinícola, que passou a ser chamada de Santa Julia em homenagem a sua primeira filha. E sim, aqui falamos do Santa Julia que conhecemos dos supermercados. Essa é a linha de entrada da família Zuccardi, produzida numa bodega própria.

Ao longo dos anos, Santa Julia tornou-se muito conhecido e recebeu status de custo-benefício argentino. Alberto Zuccardi logo percebeu o quanto a qualidade de suas uvas vinha evoluindo e o potencial que representavam para seus vinhos. Assim, em 1997 lançou o primeiro Família Zuccardi “Q”, um Tempranillo. O “Q” é adotado para classificar a qualidade superior. Com tamanho sucesso, no ano seguinte foram produzidos Zuccardi “Q” a partir de outras castas, como Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Malbec, sendo que este último tornou-se destaque.

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Hoje a Zuccardi possui 1.000 hectares com produção própria nas regiões de Maipú, Santa Rosa e Uco, sendo a terceira maior vinícola da Argentina (atrás de Trapiche e Norton) e a primeira maior familiar. São mais de 32 cepas distintas plantadas e 20 milhões de litros produzidos do Santa Julia por ano, sendo 70% direcionado à exportação para mais de 45 países, sendo o Brasil o terceiro maior importador. Para o Família Zuccardi, que são vinhos mais elaborados, são produzidos 500 mil litros.

As uvas do Santa Julia são colhidas mais cedo com o intuito de obter um vinho com menos álcool, mais frutado e mais fácil de beber, enquanto as uvas do Zuccardi amadurecem por mais tempo, gerando vinhos mais complexos, com mais álcool e mais estrutura. Seus vinhos são segmentados entre as linhas Série A, Zuccardi “Q”, Especialidades e Ícones.

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A Zuccardi vem buscando cada vez mais produzir vinhos de origem, que expressem a característica da uva e do terroir. Praticamente não usa madeira nos vinhos e tem usado os tanques de concreto para preservar ao máximo sabores, aromas e coloração das uvas. Com essa filosofia, sustenta uma excelente reputação, obtendo premiações internacionais e altas pontuações conferidas por renomados críticos do mundo dos vinhos.

Alguns dos vinhos degustados na visita:

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Torrontés Série A 2014, Salta

De coloração amarelo palha, apresenta aromas suaves de lichia, frutas brancas e ervas frescas. Em boca, leve, delicado, ótima acidez, muito equilibrado. Não é cansativo como a maioria dos Torrontés que conhecemos. Vale a experiência!

Aluvional 2012, Paraje Altamira

Malbec de microterroir, é um vinho ícone sem barrica, produzido em solo aluvional com bicarbonato de cálcio e pedras brancas. A videira absorve o bicarnonato que proporciona características únicas à uva. De coloração violeta, apresenta enorme complexidade aromática exibindo frutas negras e notas minerais características do terroir. Em boca, bom corpo e acidez, taninos macios. Está excelente!

Tito Zuccardi 2013, Paraje Altamira

Malbec, Cabernet Sauvignon, Ancellota

Uma homenagem ao avô, Tito Zuccardi. De coloração intensa violácea, apresenta aromas de violeta e frutas negras. Em boca, bom corpo e acidez, muita fruta e taninos marcantes. Excelente!

Zuccardi Concreto 2014, Paraje Altamira

Malbec de solos calcáreos

A fermentação deste vinho, como o próprio nome diz, é feita em concreto com cachos inteiros. De coloração vermelho violáceo, apresenta aromas de frutas negras e notas minerais. Em boca, boa acidez, encorpado e bastante tânico. Muito bom!

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Se você for a Mendoza, a visita à Zuccardi é parada obrigatória. Não deixe de reservar com antecedência uma mesa no restaurante e a visitação na bodega. Para os interessados, a vinícola oferece também programas como piquenique em seus jardins, cursos de degustação de vinho e azeite e aulas de culinária regional.

Saiba mais no site: www.casadelvisitante.com ou www.familiazuccardi.com.

Um brinde e boa viagem!

Cristina Almeida Prado.

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Quando falamos em Chile e seus grandes vinhos, Errazuriz é certamente um nome para ser lembrado. Em viagem a esse país, tive a oportunidade de conhecer a vinícola, que tem uma sede grandiosa e moderna, e aprender um pouco mais sobre seus vinhos e sua história.

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A história da vinícola teve início em 1870 quando a família de origem basca Errazuriz, fundadora da primeira companhia de iluminação no Chile e de grande influência nesse país, decidiu diversificar seus negócios e iniciou a produção de vinhos. Dom Maximiano Errazuriz, seu fundador, foi um grande visionário, quando na contramão das demais vinícolas que se expandiam no entorno de Santiago, decidiu ir mais adiante, a 100km ao norte da capital, onde encontrou um terroir excepcional no Vale do Aconcágua e na mesma década lançou seu primeiro vinho.

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Com 300 hectares de terras plantadas, a vinícola Errazuriz ganhou importante relevância no desenvolvimento da região onde se iniciou um pequeno povoado chamado de Vila Errazuriz, com uma igreja, uma escola e casas para os trabalhadores.

Quase 60 anos depois, no entanto, o Chile vivenciou um turbulento período em sua história, com uma série de reformas políticas, entre elas, medidas que visavam o controle do consumo de álcool no país, que comprometeram a produção e a evolução tecnológica da vinícola. Somente em 1975 o país retomou o livre comércio, abrindo portas não apenas para uma nova etapa de modernização da produção, mas especialmente para o ganho de visibilidade dos vinhos chilenos mundo a fora.

Em 1983 um importante personagem surgia na história da vinícola. Eduardo Chadwick, filho de Dom Alfonso Errazuriz Chadwick, quinta geração da família, aprimorou seus conhecimentos com estudos em Bordeaux, tomou a frente dos negócios da família e investiu em tecnologia e na produção de vinhos de nível mundial. Chadwick foi responsável pela criação da primeira joint-venture na história do vinho chileno, associando-se a Robert Mondavi, da vinícola Mondavi nos Estados Unidos, para criação de um vinho de excelência: o Seña.

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De produção biodinâmica, o Seña teve sua primeira safra em 1995 e se tornou um vinho ícone da casa. É produzido a partir de 5 castas: Cabernet Sauvignon, Carmenère, Petit Verdot, Merlot e Cabertnet Franc e vem ganhando altas pontuações e inúmeras premiações em avaliações mundiais desde seu lançamento.

Outros vinhos ícones da Errazuriz são o Dom Maximiano, assinatura da casa, produzido a partir das uvas Caberbet Sauvignon (75%), Carmenère, Petit Verdot e Malbec e o KAI, que significa planta em língua indígena, é 100% Carmenère, uva símbolo chilena, que precisa de muito sol para obter sua melhor expressão e que encontra no Aconcágua as condições ideais.

Não poderíamos falar da Errazuriz, sem mencionar a uva Syrah, pois a vinícola foi pioneira na produção de vinhos desta cepa no Chile e apresenta um belo exemplar no vale do Aconcágua, com uma proposta de ser um vinho mais frutado e mais fácil, sob o rótulo La Cumbre.

A Errazuriz, que celebra este ano 147 anos de existência, tornou-se a oitava maior vinícola em produção no Chile, produzindo 16 milhões de garrafas anualmente e a terceira em faturamento. Para seus vinhos ícones, há todo um tratamento especial que ajuda a garantir um elevado padrão de qualidade. A produção acontece por gravidade, processo que inicia no alto da cantina, de cima para baixo, com o intuito de causar menos stress nos cachos. Além disso, não fazem batonage para não pressionar muito as uvas e não pegar o sabor amargo das sementes e fermentam a frio para obter os melhores sabores, coloração e aromas. Não é à toa que seus vinhos são ricos e cheios de complexidade, proporcionando aos enófilos do mundo todo uma experiência deliciosa.

Alguns dos vinhos degustados na visita à sede:

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Max Reserva Errazuriz Chardonnay 2014

Apresenta aromas de frutas tropicais maduras. Em boca, bom corpo, sabores delicados de abacaxi, frescor e certa untuosidade. Usam bem pouca barrica para manter a característica da fruta. Muito bem produzido.

Aconcagua Costa Syrah 2014

Aromas de frutas negras e vermelhas maduras, lembrando cerejas e framboesas com notas de especiarias. Em boca, corpo médio e boa acidez, muita fruta e certa mineralidade. Muito bom!

KAI Carmenère 2013

Aromas de frutas negras e vermelhas com notas vegetais delicadas e tabaco. Em boca, apresenta bom corpo, taninos aveludados, sabores intensos de frutas negras e vermelhas, acidez média. 14,5% álcool. Excelente exemplar da Carmenère!

Errazuriz Dom Maximiano 2013

Excelente complexidade no nariz, lembrando frutas vermelhas, como cerejas, framboesa e cassis, com notas de tabaco e especiarias. Em boca, apresenta bom corpo e acidez, taninos marcantes. Está um pouco jovem ainda, mas evoluirá muito bem. É uma pérola que vale ter na adega para uma ocasião especial.

Para quem deseja visitar a vinícola, basta acessar o site, escolher o modelo de visita e degustação desejado e confirmar a reserva. Para quem planeja passar pela região, é certamente um passeio que não pode ficar de fora.

Um brinde,

Cristina Xavier.

 

 

 

 

DESCORCHADOS 2017

Aconteceu no Espaço Traffô, em São Paulo, no dia 11 de abril, o lançamento da 19ª edição do Guia de vinhos DESCORCHADOS 2017, com 1.088 páginas, mais de 400 vinícolas apresentadas e cerca de 4.000 vinhos degustados, avaliados e pontuados. O evento de lançamento do Guia é uma iniciativa de Patricio Tapia, autor do livro, e da Editora INNER, responsável pela Revista ADEGA e outras publicações e reuniu mais de 95 produtores e enólogos dos melhores vinhos da América do Sul. Estiveram presentes inúmeros representantes da imprensa e profissionais do vinho que lotaram o Espaço e tiveram a oportunidade ímpar de degustar os mais bem pontuados rótulos
O Guia apresenta um quadro completo dos principais países sul-americanos produtores de vinho (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), descrevendo todas as regiões vinícolas, contando a história de cada vinícola e, principalmente, revelando as atuais tendências da produção vinícola da América Latina.

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Uma das novidades da produção argentina, por exemplo, surge com o novo estilo dos Malbec, mais frescos e com mais acidez, e a incipiente ousadia surgida com a redescoberta da cepa Criola, uma das primeiras variedades introduzidas na América pelos colonizadores europeus.

No Brasil, os espumantes continuam sendo o que de melhor fazemos. Os destaques mais estrelados desta vez são os Nature elaborados pelo método tradicional.

No Chile, pequenos produtores estão apresentando vinhos autorais, elaborando, por exemplo, excepcionais Cabernet Sauvignon de terroir com menos traços de madeira, influenciando dessa maneira as grandes vinícolas chilenas.

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No Uruguai, a cepa emblemática do país, a Tannat, que sempre apresentou sua face rústica, está sendo vinificada também num estilo mais leve, mais acessível, para se beber à beira da piscina. Além disso, alguns projetos inovadores estão dando margem à viticultura atlântica, originando um “novo Uruguai face ao mar”.

Seguem abaixo alguns destaques dentre os rótulos mais bem pontuados:

Argentina:
1- “Seminare” Malbec 2015, vinícola Gente Del Alma (99 pts)
2- “Adriana White Bonnes” Chardonnay 2013, Catena Zapata (97 pts)
3- “Cuveé Nature” Pinot Noir, Chardonnay, vinícola Cruzat (94 pts)
4- “Silvestra” Rosé Pinot Noir 2016, Bodega Sylvestra (92 pts)

Brasil:
1- “Cave Geisse Terroir Nature” 2011, vinícola Geisse (93 pts)
2- “La Belle Blanche Brut Rosé”, Enos Vinhos de Boutique (92 pts)
3- “130 Brut Blanc de Noir 2013, Casa Valduga (92 pts)
4- “Gran Reserva Nature 60 meses, Casa Valduga (92 pts)

Chile:
1- “Las Tres Marias Vineyard” Cabernet Sauvignon 2011, Gandolini (98 pts)
2- “20 Barrels El Centinela Estate” Sauvignon Blanc 2016, Cono Sur (97 pts)
3- “Brut Nature” Chardonnay, Pinot Noir 2014, Caballo Loco (94 pts)
4- “Brut Nature” Chardonnay, Pinot Noir NV, Morandé (94 pts)

Uruguai:
1- “Amat” Tannat 2011, Bodegas Carrau (95 pts)
2- “Single Vineyard” Albarinho 2016, Bodega Garzón (94 pts)
3- “Sin Barrica” Tannat 2016, Bodega Bouza (93 pts)
4- “Ombú Reserve” Cabernet Franc 2016, Bodega Bracco Bosca (93 pts)

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Essa é apenas uma pequenina amostra dos milhares de vinhos apresentados no Guia. O admirável trabalho do crítico de vinhos Patricio Tapia descortina um cenário inebriante do mundo vinícola, o que torna essa edição, sem dúvida, uma indispensável fonte de referência internacional dos melhores vinhos da América Latina.

Maria Uzêda.

Apreciar ou curtir um vinho é como muitas outras atividades na vida: quanto  mais você conhece, mais prazerosa é a experiência. Jogar ou assistir a uma partida de tênis por exemplo, é muito mais divertido quando você conhece as regras e entende as estratégias do jogo. Da mesma forma, acontece com o vinho. A ideia de que você deve dedicar horas de sua vida com estudos sobre o vinho para formar uma opinião ou avaliar um vinho não é verdade. Na verdade, você precisa somente se familiarizar com algumas regrinhas básicas.

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Tente pensar no vinho como um alimento em vez de uma bebida. Quando você vai a um restaurante, parte do seu prazer está na preparação, na apresentação e na aparência do prato. Sem falar nos aromas de um bom prato que podem  trazer uma experiência sensorial maravilhosa. Os sentidos do paladar e do olfato estão tão interligados com a comida quanto estão com o vinho. O prazer de apreciar um bom jantar é um simples trabalho de percepção sensitiva que não necessita de treinamento formal ou habilidades especiais. O ritual de uma degustação de vinho segue uma maneira similar. Felizmente, o processo é simples e você já possui as principais ferramentas necessárias que o auxiliarão na deliciosa tarefa de degustar um vinho: língua, nariz, bagagem sensorial e memória olfativa e gustativa.

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Ao iniciar uma degustação tenha em mente as seguintes observações:
1- Cor e aparência
2- Aromas
3- Gostos
4- Equilíbrio entre fruta, açúcar, acidez e taninos
5- Persistência ou final

Há três coisas que você deve saber sobre a cor do vinho:

4_cor_do_vinho_degustação 1- A cor vem da casca. Qualquer que seja a cor da uva, tinta ou branca, o suco é claro, quase transparente, mesmo da mais negra uva. Por exemplo, o famoso Champagne é feito com três diferentes uvas, duas tintas e uma branca, no entanto, esse vinho é dourado (e é delicioso!). Depois de prensadas, obtém-se um suco com cascas. Se a pessoa que vai elaborar o vinho deseja que este seja branco, deve então remover rapidamente as cascas; se deseja que seja tinto, deverá deixar que as cascas dêem cor ao suco (processo de maceração). Quanto mais tempo as cascas permanecem em contato com esse suco (mosto), mais escura e intensa será a cor do vinho. Uvas de pele mais grossa como a Malbec, a Shiraz e a Nero d’Avola resultam em vinhos tintosos.

2- Cor e taninos estão intimamente relacionados: além da pigmentação, a casca é responsável pelos taninos. Então, quanto mais tempo o suco permanece em contato com as cascas, mais taninos esse vinho terá.

3- A cor é o primeiro indicador numa degustação. Se você colocar um vinho branco na taça e ele for amarelo palha com reflexos esverdeados, você pode esperar um vinho leve e cítrico; se for amarelo dourado, provavelmente é um branco mais encorpado e mais untuoso. Para o tinto, faça o teste do papel branco (incline ligeiramente a taça e posicione-a sob a luz e sobre um papel branco e observe): se apresentar boa transparência, você deve ter aí um tinto leve, normalmente com boa acidez; se houver média opacidade, poderá ser um tinto de corpo médio que costumam ter taninos moderados; e se mostrar-se mais opaco e de coloração intensa, poderemos chamar de vinho tinto encorpado, com taninos mais evidentes.
As nuanças de cor também nos passam informações. Um vinho branco mais translúcido, de coloração amarelo claro ou com reflexos esverdeados, indica vinhos mais jovens, cheios de vivacidade e aromas frutados; um branco menos brilhante, de amarelo dourado ou âmbar, costuma ser mais envelhecido, ganhando harmonia,delicadeza e complexidade aromática. Já os tintos com cor intensa e mais fechada (vermelho ou púrpura) indica um vinho jovem, com aromas pronunciados de frutas, boa acidez e taninos perceptíveis; ao passo que um tinto com tons granada ou atijolados indica vinho mais envelhecido, com complexidade aromática e com acidez e taninos mais integrados.

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Olfato e paladar estão intimamente relacionados. Aproximadamente 80% do que sentimos ao provar algo depende enormemente da cooperação do nosso olfato, isto é 80% do que percebemos no palato é atribuído ao sentido do olfato. Qual de nós nunca perdeu o paladar quando está resfriado com congestão nasal?

Ao descrever os aromas de um vinho, existem dois pontos chaves a serem lembrados. O primeiro aspecto a ser descrito diz respeito à intensidade dos aromas (altamente aromático, convidativo, ou mais sutil e tênue. O segundo aspecto deve ser a descrição daquilo que o aroma do vinho o faz lembrar.
A seguir, listamos abaixo, por grupo e por tipo específico, algumas características aromáticas dos vinhos:

FRUTADOS: abacaxi, maracujá, lima, pêssego, melão, maçã verde, amora, framboesa, morango, groselha, uva passa, etc.
FLORAIS: jasmim, rosa, violeta, dama da noite, camomila, etc.
ESPECIARIAS: aniz, cravo, canela, louro, manjericão, pimentão, orégano, pimenta, etc.
HERBÁCEOS: grama, feno, menta ou hortelã, etc.
ANIMAIS: couro, caça, suor, etc.
MINERAIS: terra molhada, petróleo, etc.
QUÍMICOS E ETÉREOS: acetona, álcool, enxofre, fermento, etc.
AMADEIRADOS: cedro, carvalho, serragem, baunilha, etc.
EMPIREUMÁTICOS: tostado, defumado, café, chocolate, tabaco, açúcar queimado, caramelo, etc.
ADOCICADOS: compota, mel, melado, geleia, etc.

No exame gustativo, a classificação dos gostos é semelhante à utilizada no exame olfativo, ou seja relaciona-se com o reconhecimento olfativo, porém cinco aspectos são detectados de imediato pela nossa língua: o doce, o amargo, o álcool, a acidez e os taninos.
Identificamos o doce, na área anterior da língua, isto é, na ponta. Percebemos o amargo na parte do fundo da língua. O álcool nos dá a sensação de ardência ou queimação, a acidez estimula a salivação e os taninos lembram a cica dos frutos verdes.

Após a apresentação de todos os subsídios acima, acreditamos que os amigos apreciadores de vinho, terão condições mínimas de avaliar melhor e formar suas próprias opiniões a respeito de um vinho degustado. Esperamos, caro leitor, que, agora que você já conhece algumas regras de degustação, o simples gesto de levar uma taça de vinho à boca se torne uma experiência divertida, prazeroza e inesquecível.

Maria Uzêda.

Aconteceu pela primeira vez, em São Paulo, no Espaço Traffô, um evento promovido por um grupo de vinhateiros independentes do Chile, com o apoio do ProChile e assessoria da Destination Wine. Estiveram presentes as 32 vinícolas que hoje compõem esse grupo, com a participação de seus respectivos representantes, proprietários e enólogos que apresentaram seus produtos, contaram suas histórias e interagiram com o público convidado de uma forma muito simpática.

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O MOVI CHILE (Movimento de Vinhateiros Independentes do Chile), que nasceu em 2009, é uma associação de pequenos produtores familiares, com experiências variadas e muita diversidade na filosofia de fazer vinho. Quem se associa ao grupo deve trazer algo a mais, uma contribuição ao projeto MOVI. Inovar, pesquisar e desenvolver o que já está estabelecido e conhecido é palavra de ordem, visando a produção de vinhos de alta qualidade, em pequenas quantidades de forma artesanal e independente, expressando o melhor de seu “terroir”.

O MOVI NIGHT foi uma noite de deleite e gratas surpresas. A exposição estava dividida em três grupos de vinhos ou três “Flights”.

No Flight A, vimos o “Novo Chile” com ótimos exemplares de Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Syrah. Especial destaque para:

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1- “D” La Recova 2015, um Sauvignon Blanc do Vale de Casa Blanca, com 92 pontos na edição Descorchados 2016.

2- “Kingstone Family Vineyards” 2013, um excelente Pinot Noir do Vale de Casa Blanca.

3- “Starry Night” 2010, um maravilhoso Syrah do Vale do Maipo.

4- “Polkura” 2010, espetacular blend de Colchágua elaborado com Syrah, Viognier, Malbec, Grenache e Cabernet Sauvignon.

No Flight B, degustamos os “Clássicos Recarregados”, com vinhos mais encorpados e com muita personalidade que incluía Carmenères e fabulosos blends. Veja abaixo alguns destaques:

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1- “Peumayen” Gran Reserva 2014, 100% Carmenère, do Vale do Aconcágua.

2- “Rucumilla” 2011, um impressionante vinho orgânico elaborado com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Malbec e Syrah.

3- “Flaherty” 2013, um maravilhoso blend do Vale do Aconcágua, com 16 meses de barrica. Seu produtor, o californiano Ed Flaherty, que estava presente no evento, é um dos membros fundadores do MOVI CHILE.

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4- “Montelig” 2009, um espetacular blend da Von Siebenthal, fundada em 1998 por Mauro von Siebenthal, advogado suíço aficcionado por vinho.

5- “Casa Bouzá” 2013, excepcional blend feito com uvas orgânicas Carmenère, Syrah e Cabernet Sauvignon, de vinhedos próprios no Vale do Maipo.

No Flyght C, o tema era “O Antigo agora é o Novo”, e apresentou vinhos produzidos desde o Atacama até o Vale do Maule. Eis alguns deles:

1- “Armidita” 2013, 100% Moscatel, vinho de sobremesa originário da região desértica do Atacama.

2- “Lot 47”, Garage Wine 2013, 100% Carignan.

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3- “Ins Tinto”, Garage Red Wine 2013, blend elaborado com Cabernet Sauvignon, Carmenère, Syrah e Petit Verdot do Vale do Maule, com 12 meses de barrica francesa, ganhou 93 pontos na edição Descorchados 2016.

Nessa primeira edição do MOVI NIGHT, pudemos constatar o quanto os vinhateiros independentes do Chile trabalham de forma séria, moderna e entusiástica e estão prontos para levar adiante a sua história. Parabéns a todos os integrantes do MOVI CHILE que se empenham em produzir vinhos com a capacidade de nos emocionar.

Maria Uzêda

woc-logo A sexta edição da Wines of Chile aconteceu há alguns dias com registro recorde de público. O evento teve o total apoio do ProChile, escritório do governo chileno no Brasil para promoção e exportação dos produtos chilenos, e a valorosa assessoria da CH2A Comunicação. A Wines of Chile reuniu trinta e quatro produtores no salão de eventos do Hotel Unique e exibiu uma amostra exemplar do quanto o Chile é capaz em matéria de vinhos.

Graças a uma diversidade incrível de terroirs, às distintas regiões com influências costeiras, andinas e, inclusive, desérticas (Atacama), sem falar das inúmeras variedades de uvas que respondem bem às perfeitas condições climáticas de norte a sul, o Chile vem mostrando a força da sua marca, liderando em produção, exportação e qualidade o mercado de vinhos do Novo Mundo.

Foram muitos os destaques desse evento. Veja a seguir:

foto 2-3Alguns Pinots Noirs estrelaram nesta noite como por exemplo o “Ocio 2013” da Vinha Cono Sur, o “Leyda Lot 2013” e o “Leyda Single Vineyard Las Brisas 2013” da Vinha Leyda, e o “1865 Single Vineyard 2014” da Vinha San Pedro.

A Vinha Errazuriz se destacou com o “Max Reserva Cabernet Sauvignon 2011” e “Aconcagua Costa Syrah 2012”.

A Vinha Casa Silva trouxe um Carmenère fabuloso: “Casa Silva Microterroir de los Lingues 2009”.

A Vinha Morandé inovou com um interessante corte de Petit Verdot 50% e Petit Syrah 50%.

A Vinha Montes exibiu seu vinho ultrapremium, o “Montes Alpha M 2011” (estilo clássico Bordeaux) e o “Purple Angel 2012”, um vinho com base Carmenère.

foto 3-4A Emiliana Organic Vineyards apresentou um excelente branco de inusitado corte: “Signos de Origen Blanco 2014” (63% Chardonnay,14% Viognier, 12% Marsane, 11% Roussanne).

A Vinha El Principal deu destaque aos seus ótimos blends “Memórias 2012” e “El Principal 2011”.

A Vinha Carmem trouxe o seu maravilhoso “Carmem Gold Reserve 2010”, o vinho Premium ícone da empresa.

O Tasting Wines of Chile em São Paulo foi uma grata oportunidade para todo o público presente que teve a chance de experimentar, mesmo que por algumas horas, um pedacinho do paraíso vinícola chileno.

Maria Uzêda

A história da Viña San Esteban tem início com José Vicente e seu filho Horácio, viticultores de família com tradição de muitas gerações na produção de uvas no vale do Aconcágua, que acreditando na qualidade e potencial de suas uvas e terroir, vislumbraram a produção de vinhos de alto nível com a essência do Aconcágua. Horácio, chileno formado em enologia em Bordeaux, adquire experiência nos vinhedos de Bordeaux e Califórnia, ampliando seus conhecimentos na produção de vinhos. Quando retorna ao Chile, além de toda bagagem, vem trazendo tecnologia inovadora para a região e, em 1974, nascia a Viña San Esteban.

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Localizada a 870m do nível do mar, a Viña San Esteban, conhecida também como In Situ por sua linha de vinhos mais famosa, tem hoje cerca de 150 hectares e produção de 3 milhões de garrafas por ano. Com a proposta de oferecer a essência do vale do Aconcágua em uma garrafa, os vinhos da San Esteban são focados no mercado exterior e chegam às adegas de enófilos de mais de 20 países.

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Além de suas lindas vinhas, numa romântica paisagem entre as cadeias dos Andes e a cordilheira da Costa, a propriedade possui algo a mais de especial. Em meio a seus vinhedos, existem sítios arqueológicos com petroglifos que datam de 1.000 anos atrás. Este atrativo inspirou a criação da marca da Viña San Esteban e pode ser visitado com agendamento prévio.

Na visita à propriedade, degustei alguns de seus vinhos:

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In Situ Sauvignon Blanc Reserva 2015

De coloração amarelho palha, apresentou aromas de maracujá, limão e notas herbáceas. Fácil de beber, frutado, ótima acidez e muito frescor.

In Situ Cabernet Sauvignon Reserva 2014

De coloração vermelho rubi intenso, apresentou aromas de frutas negras com notas de pimenta preta e cedro. Fácil de beber, bastante frutado, boa acidez e taninos macios.

In Situ Gran Reserva Carmenère 2014

14 meses de estágio em barrica francesa

De coloração vermelho carmim, apresentou ótima intensidade aromática, com aromas de cerejas negras e amoras com notas de pimenta preta. Em boca, bom corpo e média acidez.

In Situ Gran Reserva Cabernet Sauvigon 2014

14 meses em barrica francesa

De coloração vermelho rubi intenso, apresentou aromas de cerejas negras, amoras e pimenta preta. Em boca, bom corpo e acidez elevada.

Para quem desejar visitar a vinícola, basta enviar um e-mail e agendar um horário.

Viña San Esteban: www.insitu-travel.cl

Endereço:  Avda. la Florida 2220, San Esteban – Los Andes

Contato: insitu@vse.cl, +56 342 482842

Um brinde!

Cristina A. Prado