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Archive for the ‘Histórias de Vinho’ Category

DSC_6600Si a Mendoza vino y no tomó vino, a que vino?

Em visita à vinícola Dominio Del Plata, de Susana Balbo, fui recebida pelo Juan, sommelier muito atencioso e que proporcionou uma visita bastante enriquecedora. Susana Balbo é uma marca forte, inclusive no Brasil, mais famosa por seu vinho base Crios, mas que produz também vinhos de pequeno volume, muito especiais, como Ben Marco e Nosotros.

Nascida em uma família tradicional e contrariando as convenções sociais da época, Susana decidiu se profissionalizar na atividade vitivinícola, tornando-se a primeira mulher enóloga da Argentina. Trabalhou em grandes vinícolas como Catena e Michel Torino até que em 1999 comprou uma fazenda e logo começou a elaboração de seus próprios vinhos, na época, com tanques e barricas emprestados. Hoje, o Dominio Del Plata é formado por Susana e seus sócios argentinos, com vinhedos próprios e associados, e produz cerca de 2 milhões de litros por ano.

No Dominio Del Plata, todo o trabalho é manual. Os cachos são cuidadosamente selecionados, depois são recebidos pelo alto para que a fermentação ocorra por gravidade, mantendo os cachos e suas uvas inteiros para um ótimo desenvolvimento de aromas e sabores durante esse processo. Os vinhos tintos não são filtrados, para preservar ao máximo sua cor e aromas e somente os brancos, rosés e alguns tintos são clarificados.

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Os vinhos da linha Crios fermentam e já seguem para engarrafar. Os demais, passam por maturação em barris de carvalho, de acordo com a intenção do produtor para cada marca.

Juan contou que a casta Torrontés, branca aromática autóctone da Argentina é um cruzamento das castas Criolla com Moscato de Alexandria. Por suas características únicas, foi encarada por Susana desde o início como uma casta de qualidade. Amadurece em barris de carvalho e resulta num vinho de destaque da casa. Juan brinca que a Torrontés é uma uva mentirosa, pois os vinhos produzidos a partir dessa casta no nariz indicam doçura, mas na boca, são secos.

Depois de mais de 10 anos de crescimento nos mercados internacionais, os filhos de Susana (José, enólogo e Ana, administradora) passaram a integrar a equipe de Susana Balbo, dando continuação à tradição familiar.

Alguns dos vinhos degustados na visita foram:

Susana Balbo Torrontés 2013, Valle de Uco

3 meses em barris de carvalho

De coloração amarelo limão, apresenta aromas de baunilha, mel, com notas cítricas e folrais. Em boca, é um vinho de corpo leve, com boa acidez, bem integrado e não é cansativo. Harmonização sugerida pelo sommelier: salada verde, sushi ou comida picante indiana ou tailandesa.

Susana Balbo Malbec 2013, Valle de Uco

13 meses em barris de carvalho

De coloração vermelho púrpura, apresenta aromas de ameixa, amora preta, cassis e notas de pimenta preta. Em boca, frutas negras maduras, chocolate e menta, com taninos marcantes e bem integrados e boa acidez. Sugestão de harmonização: carnes vermelhas, porco ou uma massa bolonhesa.

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Ben Marco Expressivo 2013, Valle de Uco

(75% Malbec, 20% Cabernet Franc e 5% Cabernet Sauvignon)

13 meses em barris de carvalho

De coloração vermelho púrpura, apresenta aromas de amora madura, cassis, violeta e notas minerais. Em boca, frutas negras maduras, com taninos firmes e fino e boa acidez. Harmonização sugerida: carnes vermelhas, porco e queijos duros.

Susana Balbo Malbec Late Harvest 2010, Agrelo

18 meses em barris de carvalho

De coloração rubi com reflexos violáceos, apresenta aromas de uva passa, compota de frutas negras, especiarias como cravo e canela, com delicada doçura em boca, bom corpo e acidez. Um vinho muito diferente que vale a experiência! Harmonização sugerida com tortas de frutas vermelhas, chocolate ou queijo azul.

A quem desejar visitar, uma reserva prévia se faz necessária e pode ser feita por e-mail ou telefone nos contatos: turismo@sbwines.com.ar, osadia@sbwines.com.ar, +54 261 4989231, +54 9 261 156626754.

Um brinde!

Cristina A. Prado

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A história da vinícola Catena Zapata tem início em 1898 com a chegada do italiano Nicola Catena à Argentina, em busca de oportunidades no mundo novo. Nicola plantou seu primeiro vinhedo de Malbec, uma casta então utilizada em algumas regiões na França, em 1902, acreditando no potencial dessa casta na região de Mendoza, um palpite que só veio se concretizar plenamente quase um século depois.

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Foi Domingo, o filho mais velho de Nicola, que levou adiante o sonho de seu pai, estabelecendo a marca Catena como um dos maiores produtores de vinhos em Mendoza. Na época, produzia-se o famoso vinho de garrafão direcionado totalmente para o mercado interno. Em 1960, no entanto, a economia argentina quebrou e a família Catena sofreu para se manter.

Um novo capítulo da Catena começou a ser desenhado em 1980 com Nicolás Catena, filho de Domingo, que teve a oportunidade de estudar em Berkeley, na Califórnia, e junto com sua esposa conheceu os vinhos da única região no novo mundo que começavam a fazer frente aos melhores vinhos franceses – o vale de Napa. Quando retornou à Argentina com uma nova visão, vendeu sua vinícola produtora de vinho de mesa, mantendo apenas a vinícola que produzia vinhos finos, e tornou-se a primeira vinícola a exportar vinhos argentinos.

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Em busca dos melhores terroirs na região de Mendoza, Nicolás estava disposto a arriscar, e em 1992 plantou vinhedos em Gualtallary Alto, a 5.000 metros de altitude, indo contra as recomendações de seu enólogo, que acreditava que as uvas não amadureceriam o suficiente. No fim, Nicolás descobriu que as regiões com altitude elevada de Mendoza eram excepcionais para a produção de vinhos equilibrados, elegantes e com deliciosos e aveludados taninos.

Após o falecimento de seu pai, Nicolás trabalhou arduamente para produzir o primeiro Catena Malbec, em 1994, vinho este que estrelou no Wall Street Journal como o Malbec Argentino número 1. Somente dez anos depois a Malbec viria a se tornar uma casta conhecida pelo mundo.

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Hoje, o vinho ícone da casa é o Estiba Reservado, um corte bordalês (Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Petit Verdot) de uvas plantadas a mais de 3.000 metros. O segundo, é o Nicolás Catena, corte de Cabernet Sauvignon e Malbec, lançado em 1997 e o terceiro, o Catena Argentino, um vinho de altitude 100% Malbec com elevada concentração de taninos.

A vinícola Catena produz 4 milhões de litros por ano. Faz parte de uma holding com quem produz em uma estrutura separada o Alamos, excelente custo-benefício e a marca com maior volume da Argentina, com 17 milhões de litros por ano.

Em visita à Catena Zapata, pude experimentar alguns de seus vinhos ícones, sendo que o Estiba 2014 foi provado diretamente da barrica:

Catena Alta Chardonnay 2012

12 meses em barrica francesa

De coloração amarelo dourado, apresenta aromas de frutas cítricas e tropicais como abacaxi e notas de manteiga, caramelo e mel. Em boca, apresenta corpo, acidez e álcool médios e sabores de frutas tropicais com notas minerais.

VINHOS-CATENA-ZAPATA-BODEGAMalbec Argentino 2010

Vinhedos Adrianna e Nicasia, com mais de 100 anos

24 meses em barrica francesa

De coloração púrpura profundo, apresenta aromas intensos de frutas negras maduras como amora, groselha e uva passa e notas de pimenta preta. Em boca, é encorpado, apresenta taninos marcantes, acidez e álcool bem integrados, com muita fruta negra madura.

Nicolás Catena 2011

Vinhedos Adrianna, Nicasia, Domingos e La Pirámide

Cabernet Sauvignon e Malbec, 24 meses de barrica francesa

De coloração vermelho rubi intenso, apresenta aromas de frutas negras como ameixa, com notas de pimenta preta e couro. Em boca, é encorpado e apresenta taninos marcantes, acidez e álcool bem integrados, com fruta negra madura e toques tostados.

A quem deseja fazer uma visita à Catena, o agendamento pode ser feito diretamente pelo site (www.catenawines.com) ou através do e-mail turismo@catenazapata.com. É, certamente, uma experiência e tanto!

Um brinde!

Cristina Almeida Prado.

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Em viagem a Mendoza pude visitar a Viña Cobos, uma vinícola argentina reconhecida mundialmente pela excelente qualidade de seus vinhos. A Cobos tem como sócio fundador o enólogo Paul Hobbs, personagem que destacou-se no vale de Napa na elaboração dos vinhos da Robert Mondavi e na elaboração do vinho ícone Opus One. Hoje, além de responsável pela Viña Cobos, é proprietário da Paul Hobbs Winery e da Crossban na Califórnia, da Crocus na França e da Yacoubian-Hobbs na Armênia e presta assessoria a mais de 30 vinícolas pelo mundo.

Paul Hobbs chegou a Mendoza em 1988 procurando as regiões mais destacadas dentro de Luján de Cuyo e do Vale de Uco, para a elaboração de vinhos únicos com o conceito de parcela única, ou o micro-terroir.

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Na Viña Cobos as uvas são cuidadosamente controladas e classificadas conforme a parcela onde foram colhidas, possibilitando conhecer e avaliar o potencial de cada vinho, e respeitando o que o vinhedo oferece. O sistema gravitacional da vinícola permite que a fruta seja tratada gentilmente, evitando machucar os grãos de uva e conseguindo uma ótima fermentação. Os vinhos revelam uma boa expressão da fruta e um adequado componente de madeira, conferido por barris de carvalho francês e americano. Os vinhos não passam por clarificação para manter sua complexidade e promover sua textura e persistência final. O estilo de elaboração adotado permite preservar ao máximo o trabalho realizado no vinhedo, resultando em vinhos que são uma autêntica expressão do terroir.

Desde a primeira safra do Cobos Malbec, em 1999, a Viña Cobos conseguiu uma conquista na vitivinicultura, ao posicionar o Malbec e a Argentina ao lado dos melhores produtores mundiais. Seu prestígio é reconhecido tanto pela crítica quanto pelos consumidores ao redor do mundo. A Cobos exporta 70% de seus vinhos, sendo o Brasil o 4o principal mercado.

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Os vinhos degustados durante a visita foram os seguintes:

FELINO CHARDONNAY 2015

De coloração amarelo limão, apresenta grande intensidade no nariz com aromas de frutas brancas como peras, pêssego e abacaxi, além de flores brancas e notas de pão torrado. Em boca, apresenta boa untuosidade, corpo e acidez. Um vinho elegante, aromático, com grande equilíbrio e persistência.

COCODRILO CORTE 2013 (Malbec, Petit Verdot e Cabernet Franc)

De coloração rubi profundo, com notas violáceas, apresenta aromas de frutas negras como cassis e cereja com notas de especiarias como cravo e pimenta, e um toque herbáceo como eucalipto. Em boca, apresenta taninos finos, bom corpo, acidez média e boa persistência.

BRAMARE MALBEC, VALLE DE UCO, 2013

De coloração vermelho púrpura e intensidade profunda, apresenta aromas de cassis, chocolate, pimenta preta e notas terrosas. Em boca, é um vinho encorpado, com taninos marcantes, frutas negras e especiarias e um final longo.

BRAMARE MALBEC, LUJÁN DE CUYO, 2013

De coloração vermelho púrpura e intensidade profunda, apresenta aromas de cassis, chocolate, pimenta preta e notas mentoladas. Em boca, é um vinho encorpado, com taninos marcantes, frutas negras e especiarias e um final longo e grande persistência.

BRAMARE MALBEC, ZINGARETTI VINEYARD, V. UCO, 2013

De coloração vermelho rubi com reflexos púrpura e intensidade profunda, apresenta aromas de frutas negras, floral, chocolate, notas de pimenta e herbáceas. Em boca, é um vinho encorpado, com taninos marcantes, frutas negras e especiarias e um final longo e grande persistência.

BRAMARE MALBEC, MARCHIORI ESTATE, 2013

De coloração vermelho rubi com reflexos púrpura e intensidade profunda, apresenta grande expressão aromática, com frutas vermelhas e negras maduras, notas minerais lembrando grafite, notas de chocolate e tabaco. Em boca, bom corpo, acidez equilibrada, frutas negras maduras, com final longo e persistente.

BRAMARE CABERNET SAUVIGNON, MARCHIORI ESTATE, 2013

De coloração vermelho rubi, apresenta aromas de frutas negras como cassis, com notas de tabaco, pimenta preta, cravo, grafite e chocolate. Em boca, é um vinho encorpado, com taninos marcantes, frutas negras e final longo.

Foi uma visita muito especial e os vinhos degustados certamente ficarão na memória.

Para quem desejar conhecer a Cobos, uma visita pode ser agendada através do site: http://vinacobos.com/pt-br/visitas/

Um brinde!

Cristina Almeida Prado.

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Viajando pela Califórnia, tinha planos de passar pelas regiões vinícolas de Napa e Sonoma. Já estava ciente dos terríveis incêndios que se espalharam por essas bandas durante as últimas semanas, aterrorizando moradores e vinicultores, entretanto, não fazia ideia da real extensão da tragédia. Testemunhei um cenário dantesco que partiria os corações dos apaixonados por vinho: vinhedos, maquinarias e instalações carbonizados. Felizmente, muitas vinícolas não foram afetadas. O mais curioso foi observar que não foi um incêndio localizado, isto é, houve vários focos esparsos de incêndio em diversas regiões.

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Como se não bastasse, li num jornal local, o San Francisco Chronicle, que a fumaça que se espalhou pelos vinhedos acarretará sérias alterações nos aromas e sabores das uvas nas próximas safras. Alguns produtores submeteram suas uvas a testes em laboratórios, pesquisando a possível presença de componentes químicos voláteis como o methylguaiacol, por exemplo, que fica na atmosfera e pode afetar as uvas. Segundo afirma, alguns vitivinicultores, muitas uvas já estão sendo rejeitadas.

Impressionaram-me também as mensagens espalhadas pelo caminho onde passava. Eram palavras emocionadas de agradecimento aos bombeiros que lutaram bravamente, deixando impressões de verdadeiros heróis, palavras de fraternidade entre vizinhos, trazendo força e incentivo aos moradores.

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Apesar de tudo, consegui visitar algumas vinícolas, dentre elas, a respeitada Buena Vista Winery. Mas este será tema para um próximo post.

Hoje, fica aqui apenas o registro de minhas tristes impressões de tamanha tragédia ocorrida nas regiões vinícolas da Califórnia.

Maria Uzêda.

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Para os enófilos de carteirinha, curtir uma sessão de cinema, deliciando-se com passeios por regiões vinícolas, com histórias de vinhos e harmonizações, é uma excelente oportunidade para aprender um pouco mais sobre o mundo do vinho e encontrar inspiração para novas experiências.
Seguem abaixo alguns filmes sugeridos por mim:

IMG_9770 1- O JULGAMENTO DE PARIS _ Baseado em uma história real, o filme retrata os primeiros anos da indústria do vinho na região do Napa Valley nos anos 70, para onde parte o conhecedor e crítico de vinhos Steven Spurrier, interessado nos recentes rumores de que os novos vinhos americanos vinham conquistando um futuro promissor. Após uma temporada percorrendo a região, Spurrier seleciona um rótulo que lhe pareceu de excelente qualidade e leva consigo alguns exemplares para Paris onde ocorreria, em 1976, uma competição internacional. Concorrendo com os mais renomados vinhos franceses, numa degustação às cegas, a premiação de primeiro lugar do vinho californiano Château Montelena acabou colocando a região do Napa no mapa dos melhores produtores de vinho.

IMG_9771 2- SIDEWAYS _ O filme é uma inebriante e picante comédia que conta a história de dois trintões que partem numa viagem que seria a despedida de solteiro de um deles. Durante o trajeto pela Costa Central da Califórnia, os dois fazem diversas degustações de vinhos pelas regiões por que passam: Santa Bárbara, Santa Rosa, San Luis Obispo, vale de Santa Maria. Assim os amigos, comicamente incompatíveis, vão mostrando os altos e baixos da vida, mergulhados em vinhos, mulheres e diversão. É marcante a passagem em que o protagonista (Miles) conversa com sua amiga Maia: ele faz uma soberba descrição da Pinot Noir, sua uva predileta, e ela enaltece o valor e o significado da bebida de Baco.

IMG_9772 3- A FESTA DE BABETE _ A história se passa no século XIX, num pequeno vilarejo da Dinamarca onde duas irmãs muito religiosas dão continuidade ao trabalho de seu falecido pai, um pastor luterano. Tudo começa a mudar com a chegada de uma francesa ao vilarejo. As irmãs acabam acolhendo a mulher que, em troca de abrigo, passa a cozinhar para elas. Doze anos mais tarde, as irmãs decidem prestar uma homenagem ao pai que estaria completando cem anos de vida e a cozinheira, Babete, insiste em oferecer um jantar à francesa. Na noite do jantar, os convidados, veem descortinar a sua frente um inesquecível banquete. Esse é um filme delicado, intenso e memorável em que vinho e comida protagonizam uma história que não cansamos de ver e rever.

IMG_9775 4- UM ANO NA BORGONHA _ O filme é um documentário que conta a história de uma francesa negociante que importa diversos rótulos franceses para os EUA. Num determinado momento, ela decide viajar pela região da Borgonha, para conhecer seus produtores e acompanhar todo o trabalho nos vinhedos e na elaboração dos vinhos. Em sua temporada pela região, procura também entender os diferentes terroirs existentes na Borgonha e suas cepas mais importantes, a Chardonnay e a Pinot Noir. O relato de alguns produtores como Morey-Coffinet e Clos du Vougeot, que falam de sua paixão pelos seus vinhedos e a dedicação com que elaboram seus vinhos, nos emociona profundamente. O filme é uma verdadeira aula sobre uma notável região francesa que acumula muita sabedoria e experiência na arte da vitivinicultura.

IMG_9774 5- UM ANO EM CHAMPAGNE _ Esse belíssimo documentário leva o espectador a uma viagem pela região de Champagne, onde ele pode acompanhar os trabalhos dos viticultores durante um ano no complexo e exclusivo processo de produção do mais famoso vinho borbulhante. É muito interessante acompanhar o relato de vários produtores que falam de seus negócios e da tradição de família que vem sendo passada por várias gerações. O filme expõe, por um lado, todo o drama de apreensão e desafios em que vive o vinicultor durante o ano, e, em contrapartida, revela a magia da celebração final quando se estouram as rolhas. Um irresistível convite a um brinde!

IMG_9773 6- PARIS PODE ESPERAR _ Esse é um filme atual que está no circuito dos cinemas. A história começa em Cannes onde um produtor de cinema (Alec Baldwin) está a trabalho acompanhado de sua esposa Anne (Diane Lane). Sempre atribulado, o cineasta segue para Marrocos e sua esposa acaba aceitando a carona de um francês, sócio do marido, que também ia para Paris. Começa então uma viagem de carro que percorre belas regiões vinícolas como a Provence, o vale do Rhône, a Borgonha e Champagne. Nesse trajeto, os dois vão fazendo diversas paradas, e é aí que o filme exibe todos os deleites imaginários que comprovam que, na França, comida e vinho estão intrinsecamente ligados e fazem parte de uma forte herança cultural e enogastronômica.

A lista de filmes relacionados ao vinho é longa. Para quem gosta, é um prato cheio, pois, para os amigos enófilos, assistir a um bom filme que fale de vinho e comida é como um passeio no céu!

Maria Uzêda

 

 

 

 

 

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Em viagem à Argentina tive a oportunidade de conhecer algumas vinícolas na região de Mendoza. Dentre elas, a Zuccardi muito me surpreendeu. Logo no primeiro contato para fazer a reserva de visitação, fui questionada se não gostaria de almoçar no restaurante da vinícola. O que a princípio não estava nos planos, acabou sendo uma experiência sensacional que somou-se a uma visita muito especial.

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Com uma vista espetacular dos Andes, a Zuccardi tem sua sede e restaurante localizados em Maipú. O restaurante tem como proposta servir uma comida regional. É um menu fixo, com entrada, diferentes cortes de carne servidos com salada e legumes e sobremesa típica, sendo que para cada um dos pratos, um vinho Zuccardi é servido para harmonizar. Além disso, é possível degustar os excelentes azeites produzidos por eles. Uma verdadeira orgia enogastronômica que vale cada centavo.

Logo na sequência, fui recebida pelo guia Nicolás na bodega, que me contou um pouco da história dessa família e me apresentou alguns dos vinhos assinatura da casa.

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A história da vinícola tem início em 1963 com Tito Zuccardi, engenheiro descendente de italianos que vivia na Argentina. Tito comprou terras na região de Mendoza, desenvolveu um sistema próprio de irrigação, o que foi uma evolução do sistema tradicional e começou a vender o sistema para outros produtores. Sob o nome Uvas del Sol, nasceu a vinícola de Tito focada na produção de vinhos de mesa, produto este que tinha à época uma elevada demanda interna.

Em 1970, Alberto Zuccardi Filho começou a trabalhar com Tito, seu pai, e tornou-se responsável pela ampliação da produção e evolução da qualidade dos vinhos da vinícola, que passou a ser chamada de Santa Julia em homenagem a sua primeira filha. E sim, aqui falamos do Santa Julia que conhecemos dos supermercados. Essa é a linha de entrada da família Zuccardi, produzida numa bodega própria.

Ao longo dos anos, Santa Julia tornou-se muito conhecido e recebeu status de custo-benefício argentino. Alberto Zuccardi logo percebeu o quanto a qualidade de suas uvas vinha evoluindo e o potencial que representavam para seus vinhos. Assim, em 1997 lançou o primeiro Família Zuccardi “Q”, um Tempranillo. O “Q” é adotado para classificar a qualidade superior. Com tamanho sucesso, no ano seguinte foram produzidos Zuccardi “Q” a partir de outras castas, como Chardonnay, Cabernet Sauvignon e Malbec, sendo que este último tornou-se destaque.

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Hoje a Zuccardi possui 1.000 hectares com produção própria nas regiões de Maipú, Santa Rosa e Uco, sendo a terceira maior vinícola da Argentina (atrás de Trapiche e Norton) e a primeira maior familiar. São mais de 32 cepas distintas plantadas e 20 milhões de litros produzidos do Santa Julia por ano, sendo 70% direcionado à exportação para mais de 45 países, sendo o Brasil o terceiro maior importador. Para o Família Zuccardi, que são vinhos mais elaborados, são produzidos 500 mil litros.

As uvas do Santa Julia são colhidas mais cedo com o intuito de obter um vinho com menos álcool, mais frutado e mais fácil de beber, enquanto as uvas do Zuccardi amadurecem por mais tempo, gerando vinhos mais complexos, com mais álcool e mais estrutura. Seus vinhos são segmentados entre as linhas Série A, Zuccardi “Q”, Especialidades e Ícones.

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A Zuccardi vem buscando cada vez mais produzir vinhos de origem, que expressem a característica da uva e do terroir. Praticamente não usa madeira nos vinhos e tem usado os tanques de concreto para preservar ao máximo sabores, aromas e coloração das uvas. Com essa filosofia, sustenta uma excelente reputação, obtendo premiações internacionais e altas pontuações conferidas por renomados críticos do mundo dos vinhos.

Alguns dos vinhos degustados na visita:

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Torrontés Série A 2014, Salta

De coloração amarelo palha, apresenta aromas suaves de lichia, frutas brancas e ervas frescas. Em boca, leve, delicado, ótima acidez, muito equilibrado. Não é cansativo como a maioria dos Torrontés que conhecemos. Vale a experiência!

Aluvional 2012, Paraje Altamira

Malbec de microterroir, é um vinho ícone sem barrica, produzido em solo aluvional com bicarbonato de cálcio e pedras brancas. A videira absorve o bicarnonato que proporciona características únicas à uva. De coloração violeta, apresenta enorme complexidade aromática exibindo frutas negras e notas minerais características do terroir. Em boca, bom corpo e acidez, taninos macios. Está excelente!

Tito Zuccardi 2013, Paraje Altamira

Malbec, Cabernet Sauvignon, Ancellota

Uma homenagem ao avô, Tito Zuccardi. De coloração intensa violácea, apresenta aromas de violeta e frutas negras. Em boca, bom corpo e acidez, muita fruta e taninos marcantes. Excelente!

Zuccardi Concreto 2014, Paraje Altamira

Malbec de solos calcáreos

A fermentação deste vinho, como o próprio nome diz, é feita em concreto com cachos inteiros. De coloração vermelho violáceo, apresenta aromas de frutas negras e notas minerais. Em boca, boa acidez, encorpado e bastante tânico. Muito bom!

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Se você for a Mendoza, a visita à Zuccardi é parada obrigatória. Não deixe de reservar com antecedência uma mesa no restaurante e a visitação na bodega. Para os interessados, a vinícola oferece também programas como piquenique em seus jardins, cursos de degustação de vinho e azeite e aulas de culinária regional.

Saiba mais no site: www.casadelvisitante.com ou www.familiazuccardi.com.

Um brinde e boa viagem!

Cristina Almeida Prado.

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Quando falamos em Chile e seus grandes vinhos, Errazuriz é certamente um nome para ser lembrado. Em viagem a esse país, tive a oportunidade de conhecer a vinícola, que tem uma sede grandiosa e moderna, e aprender um pouco mais sobre seus vinhos e sua história.

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A história da vinícola teve início em 1870 quando a família de origem basca Errazuriz, fundadora da primeira companhia de iluminação no Chile e de grande influência nesse país, decidiu diversificar seus negócios e iniciou a produção de vinhos. Dom Maximiano Errazuriz, seu fundador, foi um grande visionário, quando na contramão das demais vinícolas que se expandiam no entorno de Santiago, decidiu ir mais adiante, a 100km ao norte da capital, onde encontrou um terroir excepcional no Vale do Aconcágua e na mesma década lançou seu primeiro vinho.

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Com 300 hectares de terras plantadas, a vinícola Errazuriz ganhou importante relevância no desenvolvimento da região onde se iniciou um pequeno povoado chamado de Vila Errazuriz, com uma igreja, uma escola e casas para os trabalhadores.

Quase 60 anos depois, no entanto, o Chile vivenciou um turbulento período em sua história, com uma série de reformas políticas, entre elas, medidas que visavam o controle do consumo de álcool no país, que comprometeram a produção e a evolução tecnológica da vinícola. Somente em 1975 o país retomou o livre comércio, abrindo portas não apenas para uma nova etapa de modernização da produção, mas especialmente para o ganho de visibilidade dos vinhos chilenos mundo a fora.

Em 1983 um importante personagem surgia na história da vinícola. Eduardo Chadwick, filho de Dom Alfonso Errazuriz Chadwick, quinta geração da família, aprimorou seus conhecimentos com estudos em Bordeaux, tomou a frente dos negócios da família e investiu em tecnologia e na produção de vinhos de nível mundial. Chadwick foi responsável pela criação da primeira joint-venture na história do vinho chileno, associando-se a Robert Mondavi, da vinícola Mondavi nos Estados Unidos, para criação de um vinho de excelência: o Seña.

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De produção biodinâmica, o Seña teve sua primeira safra em 1995 e se tornou um vinho ícone da casa. É produzido a partir de 5 castas: Cabernet Sauvignon, Carmenère, Petit Verdot, Merlot e Cabertnet Franc e vem ganhando altas pontuações e inúmeras premiações em avaliações mundiais desde seu lançamento.

Outros vinhos ícones da Errazuriz são o Dom Maximiano, assinatura da casa, produzido a partir das uvas Caberbet Sauvignon (75%), Carmenère, Petit Verdot e Malbec e o KAI, que significa planta em língua indígena, é 100% Carmenère, uva símbolo chilena, que precisa de muito sol para obter sua melhor expressão e que encontra no Aconcágua as condições ideais.

Não poderíamos falar da Errazuriz, sem mencionar a uva Syrah, pois a vinícola foi pioneira na produção de vinhos desta cepa no Chile e apresenta um belo exemplar no vale do Aconcágua, com uma proposta de ser um vinho mais frutado e mais fácil, sob o rótulo La Cumbre.

A Errazuriz, que celebra este ano 147 anos de existência, tornou-se a oitava maior vinícola em produção no Chile, produzindo 16 milhões de garrafas anualmente e a terceira em faturamento. Para seus vinhos ícones, há todo um tratamento especial que ajuda a garantir um elevado padrão de qualidade. A produção acontece por gravidade, processo que inicia no alto da cantina, de cima para baixo, com o intuito de causar menos stress nos cachos. Além disso, não fazem batonage para não pressionar muito as uvas e não pegar o sabor amargo das sementes e fermentam a frio para obter os melhores sabores, coloração e aromas. Não é à toa que seus vinhos são ricos e cheios de complexidade, proporcionando aos enófilos do mundo todo uma experiência deliciosa.

Alguns dos vinhos degustados na visita à sede:

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Max Reserva Errazuriz Chardonnay 2014

Apresenta aromas de frutas tropicais maduras. Em boca, bom corpo, sabores delicados de abacaxi, frescor e certa untuosidade. Usam bem pouca barrica para manter a característica da fruta. Muito bem produzido.

Aconcagua Costa Syrah 2014

Aromas de frutas negras e vermelhas maduras, lembrando cerejas e framboesas com notas de especiarias. Em boca, corpo médio e boa acidez, muita fruta e certa mineralidade. Muito bom!

KAI Carmenère 2013

Aromas de frutas negras e vermelhas com notas vegetais delicadas e tabaco. Em boca, apresenta bom corpo, taninos aveludados, sabores intensos de frutas negras e vermelhas, acidez média. 14,5% álcool. Excelente exemplar da Carmenère!

Errazuriz Dom Maximiano 2013

Excelente complexidade no nariz, lembrando frutas vermelhas, como cerejas, framboesa e cassis, com notas de tabaco e especiarias. Em boca, apresenta bom corpo e acidez, taninos marcantes. Está um pouco jovem ainda, mas evoluirá muito bem. É uma pérola que vale ter na adega para uma ocasião especial.

Para quem deseja visitar a vinícola, basta acessar o site, escolher o modelo de visita e degustação desejado e confirmar a reserva. Para quem planeja passar pela região, é certamente um passeio que não pode ficar de fora.

Um brinde,

Cristina Xavier.

 

 

 

 

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