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Descorchados 2018

O Lançamento:

Foi lançado na última terça-feira, dia 10 de abril, em São Paulo, o maior guia de vinhos da América Latina. O evento, promovido pela INNER, aconteceu no Villaggio JK, na Vila Olímpia, e contou com a presença de enólogos, produtores, importadores, imprensa, profissionais do ramo e consumidores apaixonados pelo vinho.

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O Guia:

Em sua 20ª edição, com mais de 1.200 páginas, o guia é a maior referência do que está acontecendo no cenário do vinho por essas bandas do Cone Sul.
Nele são apresentados vinhos de quatro países: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai. Dividido em capítulos que tratam de cada país separadamente, o guia dá um panorama de cada vale ou região, falando de seus respectivos clima e solo, principais uvas, vinícolas, além dos modismos e tendências, destacando, é claro, os melhores tintos, brancos e espumantes de cada país, os vinhos revelação do ano, os melhores em cada cepa ou estilo, os melhores por vale ou região e ainda uma lista de vinhos com estimativa de preços. São cerca de 4.500 vinhos, todos avaliados, pontuados e organizados por Patricio Tapia e sua prestimosa equipe de degustadores.

Destaques da feira:

Brasil

Vários espumantes brasileiros foram premiados, dentre eles:
1- Adolfo Lona — “Orus Edição Especial Silvia 1972, Nature Rosé Clair”. (93 pontos)
2- Casa Valduga — “Sur Lie Nature 30 meses, Chardonnay e Pinot Noir”. Vinho não clarificado, sem “degorgement”, daí seu aspecto turvo. Vinho revelação. (93 pontos)
3- Casa Valduga — “130 Special Edition Blanc de Noir Brut”. (92 pontos)

Pela primeira vez, nesta edição, o Guia Descorchados traz a avaliação de vinhos tranquilos brasileiros. Eis os melhores pontuados abaixo:

Vinhos tintos:

Os dois tintos mais bem pontuados do Brasil são da vinícola Miolo e aparecem na lista dos 10 melhores vinhos do guia.

1- “Miolo Single Vineyards Touriga Nacional 2017”. Lançamento! (93 pontos)
2- “Vinhas Velhas Tannat 2015”. (93 pontos)

luiz-argenta-vinho-bvranco-nacional-chardonnay-8-anosVinhos brancos:

1- Pizzato — “Pizzato 1.3 Sémillon 2017”. (92 pontos)
2- Luiz Argenta — “Cave 8 anos Chardonnay 2010”. Vinho revelação (92 pontos)

Vinho laranja:

1- Era dos Ventos — “Era dos Ventos Peverella 2014”. Guarda de 5 anos ou mais! (94 pontos)

Argentina

Vinhos tintos:

1- Gen Del Alma — “Seminare Malbec 2016”. Campeão em pontuação no ano passado, esse vinho confirma mais uma vez sua estrutura sólida, os taninos firmes e finos, cheio de cerejas, violeta e ótima acidez! (99 pontos)
2- Zuccardi — “Piedra Infinita Gravascal Malbec 2015”. Vinho revelação. (98 pontos)

Vinhos brancos:

1- Catena Zapata — “Adrianna Vineyard White Bones Chardonnay 2015”. Vinho de grande complexidade, com toque salino e cheio de mineralidade. (97 pontos)
2- La Giostra Del Vino — “Saltimbanco, Sauvignon Blanc 2016”. Premiado em outras edições do guia, este Sauvignon tem aromas de pêssego e tangerina, com sabores cítricos, um toque de fruta madura e muita acidez. Pode-se guardar por três ou quatro anos. (96 pontos)

Vinhos espumantes:

1- Chakana — “Ayni Nature Sparkling Wine Pinot Noir”. Espumante Rosado, com 18 meses sur lie. Complexo, com aromas intensos de frutos e viva acidez. (94 pontos)
2- Chandon — “Barão B Brut Rosé 2014”. Mescla de Chardonnay , Pinot Noir e Malbec. É encorpado, com profundidade de sabores, notas frutadas, especiadas e toque herbáceo. (94 pontos)

Chile

Vinhos tintos:

1- Vinhedos de Alcohuaz — “RHU 201, 2013”. Blend de Syrah (64%), Garnacha e Petit Syrah. Guarda de até 10 anos! (98 pontos)
2- Vinhedo Chadwick — “Vinhedo Chadwick Cabernet Sauvignon 2015”. (98 pontos)

Vinhos brancos:

1- Errázuriz — “Las Pizarras Chardonnay 2016”. Guarda de três anos ou mais! (97 pontos)
2- Tabalí — “Talinay Sauvignon Blanc 2017”. (97 pontos)
3- Ventolera — “Rare Cuvée Chardonnay 2013”. Vinho revelação. (96 pontos)

Melhor espumante:

1- Morandé — “Brut Nature Chardonnay, Pinot Noir “. (94 pontos)

Uruguai

Vinhos tintos:

1- Bodega Família Deicas — “Deicas Valle de los Manantiales Tannat 2016”. (95 pontos)
2- Bodega Garzón — “Pétit Clos Cabernet Franc 2016”. Vinho revelação. (94 pontos)
3- Bodega Bouza — “Parcela Única B6 Tannat 2016”. (94 pontos)

Vinhos brancos:

1- Bodega Garzón — “Single Vineyard Albariño 2017”. (93 pontos)
2- Pizzorno Family Estates — “Reserva Sauvignon Blanc 2015”. (92 pontos)

Vinhos espumantes:

1- Bodegas Carrau — “Dixième Brut Nature Chardonnay “. (92 pontos)
2- Pizzorno Family Estates — “Pizzorno Rosé Brut Nature Pinot Noir 2016”. (92 pontos)

Esperamos ter transmitido aqui uma ideia do que foi o evento de lançamento do Guia Descorchados 2018. Fruto de um trabalho de muito fôlego, o Guia é um catálogo completo que norteia com segurança as escolhas de consumidores e profissionais do ramo do vinho.

Maria Uzêda.

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vinho-brasil As primeiras videiras do Brasil foram trazidas pela expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, em 1532. Brás Cubas, fundador da cidade de Santos é, reconhecidamente, o primeiro a cultivar a vinha em nossas terras. As uvas eram da qualidade Vitis vinifera (ou seja, uvas européias adequadas para a produção de vinho fino), oriundas de Portugal e da Espanha.

No Rio Grande do Sul, a videira chegou em 1626, trazida por jesuítas que plantaram videiras européias em Sete Povos das Missões para utilização em missas. No entanto, a dificuldade de adaptação de variedades européias em nossas terras, em função do terroir difícil (condições de clima e solo), impediu a disseminação da vitivinicultura no Brasil.

Já em 1840, videiras americanas das espécies Vitis labrusca e Vitis bourquina (variedades Isabel, Concord e outras) foram importadas por um comerciante que as plantou basicamente para o consumo in natura, na forma da fruta fresca ou passas, mas que se adaptaram tão bem ao clima local que logo começaram a ser utilizadas para a produção de vinho.

Região de Vinhos Sul A vitivinicultura gaúcha teve um grande impulso a partir de 1875, com a chegada de imigrantes italianos, que aportaram com videiras trazidas principalmente da região do Veneto – e uma forte cultura de produção e consumo de vinhos. Apesar do sucesso inicial, as videiras européias não se adaptaram ao clima úmido tropical e foram dizimadas por doenças fungícas. Porém, perceberam que as variedades americanas, como a uva Isabel, eram mais resistentes e deu-se continuidade à produção de vinhos que, embora de qualidade inferior, espalharam-se para outras regiões do país, tornando-se base do desenvolvimento da vitivinicultura no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Conducao das videiras em latada

Condução das videiras em latada

 Há algumas décadas, a preocupação com a melhoria da qualidade dos vinhos e das técnicas agronômicas fizeram com que, novamente, se iniciasse o plantio de variedades viníferas. A partir de 1970, vinícolas multinacionais, como a Moet & Chandon, a Martini & Rossi e a Heublein estabeleceram-se na Serra Gaúcha, trazendo equipamentos de alta tecnologia e técnicas viticulturais modernas. A melhora no sistema de condução das videiras, o acesso à tecnologia, a automação e o cuidado na seleção das uvas são alguns dos fatores que contribuíram com a qualidade do produto brasileiro, tornando-o mais competitivo.

Uva e Vinho Outras regiões produtoras, além da Serra Gaúcha, que vem se destacando na produção de vinho são as regiões do Vale do São Francisco, na Bahia, onde acontecem em média duas colheitas anuais devido ao clima quente o ano todo, e a região de São Joaquim em Santa Catarina, com vinhos de ótima qualidade.

Hoje o consumo de vinho no Brasil ainda é muito baixo, com uma média de cerca de 2 litros de vinho por ano, volume bem inferior aos cerca de 32 litros consumidos pelos argentinos e os 24 litros dos uruguaios. Na Europa, o consumo anual por habitante é de aproximadamente 60 litros, o que mostra que o Brasil tem um grande potencial de crescimento em relação ao consumo de vinho.

De alguns anos para cá, o vinho brasileiro vem ganhando maior expressão e hoje, já e exportado para diversos países pelo mundo, como os Estados Unidos e Suíça, por exemplo. Vinícolas como Salton, Miolo, Casa Valduga, Lídio Carraro e Cave Geisse já acumulam prêmios internacionais, principalmente com seus vinhos tintos e espumantes. Vale dar um destaque especial para os espumantes, que se beneficiam de um clima bastante favorável para sua produção e que vem agradando o paladar de brasileiros e enófilos, mundo afora.

E você, já percebeu esse salto na evolução de qualidade dos vinhos brasileiros?

Referências:

www.wikipedia.com

www.enologia.org.br

www.academiadovinho.com.br

www.ibravin.org.br

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