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Dia 01 – Visita ao Domaine Camus

Em viagem recente à França, tive a oportunidade de passar alguns dias na Borgonha, região reconhecida mundialmente por seus vinhos e considerada também um dos centros gastronômicos do país. Uma peculiaridade dessa região é que seus vinhos são monovarietais, ao contrário dos assemblages, que são característicos das demais regiões da França. Na Borgonha, a elegante Pinot Noir é a principal uva tinta produzida e para os brancos, a intensa Chardonnay.

Meu roteiro começou saindo de Dijon, principal cidade da região, localizada ao norte da Côte D’Or, em direção a Gevrey Chambertin até chegar ao Domaine Camus. Fui recebida pela simpática Mademoiselle Camus, proprietária desta tradicional vinícola, que me permitiu conhecer um pouco da história da propriedade e degustar alguns de seus deliciosos vinhos.

Mademoiselle-Camus-Domaine-Gevrey-Chambertin-Borgonha

Cristina Almeida Prado e Mademoiselle Camus

A história do Domaine Camus tem início 1732, quando a família Camus mudou-se para a região e adquiriu cerca de 18 hectares de terra em uma das mais nobres regiões da Borgonha. Na época, a família envolveu-se na produção de óleos feitos a partir de nozes e amêndoas que cultivavam em suas terras e produziam vinho apenas para consumo local. Foi apenas em 1900 que decidiram focar na produção de vinhos, tendo em vista o crescimento e valorização deste negócio na região e a qualidade de seu terroir.

Hoje a propriedade produz vinhos classificados como Village, que levam o nome da comuna, e Grand Cru, a mais alta classificação da Borgonha, e que leva o nome da parcela de onde vieram as uvas. Em bons anos, sua produção pode chegar a 50 ou 60.000 garrafas. As melhores colheitas podem gerar vinhos complexos o suficiente para serem guardados por mais de 50 anos. O domínio guarda ainda garrafas de 1937, safra considerada excepcional e tão histórica que as garrafas ainda eram produzidas “no sopro”, o que lhes conferia um formato irregular. No Domaine Camus, as garrafas levam cápsulas de cera, que são colocadas manualmente, como forma de manter uma tradição de longa data.

Camus-Domaine-Gevrey-Chambertin-Borgonha

A “fût”, como é chamada a barrica na Borgonha, tem capacidade para 228 litros.

Tradição e cuidado traduzem o trabalho do Domaine Camus. A colheita das uvas é feita manualmente. A fermentação de seus vinhos pode durar até 3 semanas para extrair o máximo de sabores e taninos das cascas das uvas. Depois, seus vinhos descansam por cerca de 18 meses em barris de carvalho antes de serem engarrafados.

Após um passeio pela cave, ouvindo as histórias de Mademoiselle Camus, pude degustar alguns de seus vinhos:

Camus-Domaine-Gevrey-Chambertin-Borgonha

2/3 da propriedade do Domaine Camus são de vinhos Grand Cru, mais alta classificação da Borgonha

-Charmes Chambertin Grand Cru 2009

Gervey-Chambertin, Borgonha

Notas: De coloração rubi com reflexos atijolados. Apresentou aromas de morango e frutas vermelhas maduras. Em boca, bastante fruta, bom corpo, taninos macios e muita elegância. Excelente!

-Charmes Chambertin Grand Cru 2005

Gervey-Chambertin, Borgonha

Notas: De coloração rubi com reflexos atijolados, apresentou aromas de frutas vermelhas maduras com notas de couro e chocolate. Em boca, taninos elegantes e acidez equilibrada. Muito bom.

-Charmes Chambertin Grand Cru 1998

Gervey-Chambertin, Borgonha

Notas: De coloração atijolada, com fortes traços de evolução, apresentou aromas de couro, champignon e compota de frutas vermelhas. Em boca, taninos aveludados, boa acidez e retrogosto marcante. Excelente!

E assim começou minha viagem pela Borgonha, com uma calorosa visita, recheada de histórias e bons vinhos. De lá, segui para a próxima vinícola, descendo sentido Beaune e apreciando uma linda paisagem.

Acompanhe nos próximos posts as demais descobertas.

Domaine Camus Père & Fils: 21, Rue Mal de Lattre de Tassigny, 21220 Gevrey-Chambertin, França.

Santé!

Cristina Almeida Prado.

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