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Posts Tagged ‘vinhos boutique’

O dia de ontem não foi somente um número cabalístico no calendário de 2011. Foi também uma data que marcou o início de mais uma confraria de amigos do vinho. Reunimos oito colegas, de diversas especialidades, mas todos, de certa forma, ligados ao mundo dos vinhos. E inauguramos a confraria com o seguinte tema: Vinhos de Garage ou Boutique. Mas o que classifica um vinho como sendo de Garage ou Boutique?

Confraria-amigos-do-vinho-da-abs

Da esquerda para direita: Márcia Gombos, Arlene Colucci, Maria Uzeda, Cristina A. Prado, Bruno Vianna, Gustavo e Rafael Porto. Faltou o Yuri Bernad, que estava fotografando.

O conceito surgiu no início da década de 90 na França, com Jean Luc Thunevin, em Saint-Émilion, região de Bordeaux. Thunevin resolveu fazer um vinho especial: o Château Valandraud, com 1,5 mil garrafas produzidas na sua garagem, com barricas novas e todo o cuidado dos grandes vinhos franceses. Inicialmente, o seu sonho foi criticado pelos especialistas no assunto. Mas o Château Valandraud era tão especial que Thunevin virou mito e fonte de inspiração para a nova geração de produtores de vinhos de alta qualidade.

vin_garage_boutique O vinho de Garage ou Boutique tem como princípio uma produção limitada. Os produtores deste estilo de vinho acreditam que o segredo está na uva e no vinhedo. E não é preciso se fazer quase nada na vinificação se a uva for bem tratada. Evita-se manipulações, pesticidas ou aditivos, de forma que o vinho possa carregar consigo as peculiaridades da terra onde nasce, as características da variedade que o identifica e um pouco de cada um daqueles que participaram de sua concepção. A idéia aqui é oferecer ao consumidor a experiência única da expressão do terroir.

E foi buscando esse conceito que fizemos a seleção dos rótulos a serem degustados pelo grupo na confraria, conforme veremos a seguir:

SAVIGNY LES BEAUNE 2007

Domaine C & C Marechal, Borgonha, França

Uvas: 100% Pinot Noir

Produção: Produzido num pedaço de terra de apenas 1,6 hectares. Para a vinificação, somente leveduras naturais do terroir são usadas. A maceração dura mais de vinte dias. Fica em barris de carvalho por um período de 12 a 18 meses e é envelhecido na borra para encorajar a expressão de seus aromas.

Características: De coloração rubi com reflexos alaranjados, aromas elegantes de ameixa seca, baunilha, aroma de couro e mate e taninos aveludados. Degustado às cegas, foi facilmente identificado como um Borgonha. É um vinho delicado e fácil de beber. Intensidade aromática bastante sutil e pouco persistente.

Tempo de guarda: Está pronto pra beber.

Preço: R$173 – www.delacroixvinhos.com.br

Sobre o Produtor:

Criado em 1981 o Domaine cultiva 10 hectares de vinhas espalhadas por 6 comunas do famoso “Côte de Beaune”. Claude Maréchal, seu proprietário, é um talentoso produtor de vinhos que em seus quase 40 anos, seguiu os passos de seu mentor Henri Jayer (um dos últimos gênios do vinho). Em seu trabalho nenhum herbicida é utilizado, a colheita é manual e a poda é severa para manter a produção dos cachos de uva baixa. A vinificação é feita em tonéis abertos de madeira e a fermentação não é induzida pela adição de leveduras. Sua intenção é produzir “vins de plaisir”, que oferecem uma experiência agradável a todos.

  

TORMENTAS FULVIA GARAGEM 2009

Tormentas_Fulvia_2009 Encruzilhada do Sul, Brasil

 

Uvas: 100% Pinot Noir
Teor Alcoólico: 12,14% vol
 
Produção:

Colheita manual em caixas de 15,5 Kg, desengace manual, com seleção visual de grãos, remontagem manual por pigeage (sem uso de bomba), transporte do mosto por gravidade, sem bombeamento de sólidos, adição de leveduras enológicas e baixo teor de sulfito.
Foram produzidas somente 990 garrafas.

Características: Apesar de ser um vinho jovem, apresenta uma coloração de vinho evoluído, bastante transparente e quase atijolado. Pudemos notar também a presença de pequenas bolhas, o que pode ser um indício da presença do fungo Brettanomyces, que em pequena quantidade não é considerado um defeito, mas pode influenciar nas características visuais e aromáticas do vinho. O que de fato aconteceu. O vinho apresentou um aroma intenso de caça, que quase chega a incomodar. Outros aromas como baunilha, cassis, figo e notas florais também foram identificados. De corpo leve, taninos aveludados e boa persistência, é uma proposta diferente.

Tempo de guarda: Está pronto pra beber.

Preço: R$ 120,00 unitário – http://www.tormentas.com.br
 
Sobre o Produtor:

O Projeto Tormentas é um projeto de Marco Danielle, que tem como meta elaborar vinhos sérios, capazes de consolidar o vinho brasileiro no mundo com o respeito da comunidade internacional, confirmando o Brasil como mais uma nação produtora de vinhos de terroir, à altura do que de melhor se faz no mundo, sem contudo abrir mão de uma pureza de uma vinicultura radicalmente natural, rejeitando correções, aditivos químicos e manipulações, usando as melhores uvas como único ingrediente no objetivo de expressar terra e fruta com franca honestidade e o mínimo de intervenção.

 

SOLUNE ZINFANDEL 2006

Solune Winery, Sierra Foothils, Estados Unidos

Região: Sierra Foothills, Califórnia
Uvas: 100% Zinfandel
Produção: 1.000 caixas
Envelhecimento: 16 meses em barris de carvalho francês e americano.
Álcool: 15,2% GL.

Características: De coloração rubi, pouco transparente e brilho intenso. Possui boa intensidade aromática, expressando fruta em compota, anis, baunilha e melado. Em boca, bom corpo e taninos agradáveis, com notas de caramelo, pimenta e certo tostado. Degustado às cegas, não teve sua casta ou região identificados, e foi confundido por vinhos de região quente, como um Malbec Argentino ou um vinho Alentejano. O vinho provocou em um dos participantes do grupo uma lembrança interessante de infância, da calda de caramelo do pudim da avó.

Preço: R$259,00 – http://www.wineexperience.com.br

Sobre o Produtor:

Refletindo as raízes francesas do viticultor de origem canadense Jacques Mercier, a denominação Solune é a somatória de soleil e lune, traduzindo os não poucos trunfos das uvas seletas que crescem na bela área de Sierra Foothills, onde se complementam o sol e a lua, como o brilho rico e a maciez sedosa que honram as incríveis caudalies que ele é capaz de ostentar.

EME 2007

E-M-E-Casado-Morales Casado de Morales, Rioja Alavessa, Espanha

Uvas: 100% Graciano

Grau alcoólico: 13,8%

Produção: 6.500 garrafas

Tempo de barrica: Fermentação em depósitos de aço inoxidável de 5.000Kg, com contínuos controles de temperatura (28ºC). Onze meses em barricas novas de carvalho francês, americano, romeno, húngaro, chinês e 4 meses em garrafa com contínuos controles.

Características: Coloração violácea escura bem fechada e negra, quase impenetrável, característica da variedade. Apresenta aromas intensos de cedro, com notas de tabaco, chocolate e ameixa. Possui boa intensidade aromática e persistência. Em boca, bom corpo, taninos agradáveis e ótima personalidade. Degustado às cegas, foi identificado como velho mundo e possivelmente um Rioja. Porém a casta não foi identificada. Teve a melhor aprovação pelo grupo.

Preço: R$130,00 – http://www.CultVinho.com

Sobre o Produtor:

Os vinhedos próprios da família dão um caráter consistente ao vinho. Estão localizados em uma das mais prestigiadas regiões produtoras do mundo, Rioja Alavessa em Laguardia e Lapuebla de Labarca, a uma altitude de 430-580 metros acima do nível do mar.

O microclima único, altitude, latitude e solo, com uma temperatura anual média de 13ºC, e a cadeia de montanhas de Sierra Cantabria que protege os vinhedos dos ventos gelados do norte criam um terroir único para cada um dos vinhedos.

Seu peculiar sistema de cultivo os tem permitido desenvolver um sistema de controle e permitido elaborar vinhos de altíssima qualidade, descobrindo o potencial de cada um dos vinhedos.

E a noite de descobertas não acabou por aí. Para celebrar o início da confraria de amigos amantes vinho abrimos um espumante inglês, que não se classificaria como um vinho de garage, mas que foi, certamente, uma interessante novidade, já que a Inglaterra não possui expressão internacional na produção de vinhos. Mas esse é outro assunto que iremos discutir na próxima semana. Fique atento!

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