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Archive for abril \26\-02:00 2017

Aconteceu no Espaço Traffô, em São Paulo, no dia 11 de abril, o lançamento da 19ª edição do Guia de vinhos DESCORCHADOS 2017, com 1.088 páginas, mais de 400 vinícolas apresentadas e cerca de 4.000 vinhos degustados, avaliados e pontuados. O evento de lançamento do Guia é uma iniciativa de Patricio Tapia, autor do livro, e da Editora INNER, responsável pela Revista ADEGA e outras publicações e reuniu mais de 95 produtores e enólogos dos melhores vinhos da América do Sul. Estiveram presentes inúmeros representantes da imprensa e profissionais do vinho que lotaram o Espaço e tiveram a oportunidade ímpar de degustar os mais bem pontuados rótulos
O Guia apresenta um quadro completo dos principais países sul-americanos produtores de vinho (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), descrevendo todas as regiões vinícolas, contando a história de cada vinícola e, principalmente, revelando as atuais tendências da produção vinícola da América Latina.

Evento-Descorchados-2017-Vinhos
Uma das novidades da produção argentina, por exemplo, surge com o novo estilo dos Malbec, mais frescos e com mais acidez, e a incipiente ousadia surgida com a redescoberta da cepa Criola, uma das primeiras variedades introduzidas na América pelos colonizadores europeus.

No Brasil, os espumantes continuam sendo o que de melhor fazemos. Os destaques mais estrelados desta vez são os Nature elaborados pelo método tradicional.

No Chile, pequenos produtores estão apresentando vinhos autorais, elaborando, por exemplo, excepcionais Cabernet Sauvignon de terroir com menos traços de madeira, influenciando dessa maneira as grandes vinícolas chilenas.

Descorchados-2017-vinhos-carmen-chile
No Uruguai, a cepa emblemática do país, a Tannat, que sempre apresentou sua face rústica, está sendo vinificada também num estilo mais leve, mais acessível, para se beber à beira da piscina. Além disso, alguns projetos inovadores estão dando margem à viticultura atlântica, originando um “novo Uruguai face ao mar”.

Seguem abaixo alguns destaques dentre os rótulos mais bem pontuados:

Argentina:
1- “Seminare” Malbec 2015, vinícola Gente Del Alma (99 pts)
2- “Adriana White Bonnes” Chardonnay 2013, Catena Zapata (97 pts)
3- “Cuveé Nature” Pinot Noir, Chardonnay, vinícola Cruzat (94 pts)
4- “Silvestra” Rosé Pinot Noir 2016, Bodega Sylvestra (92 pts)

Brasil:
1- “Cave Geisse Terroir Nature” 2011, vinícola Geisse (93 pts)
2- “La Belle Blanche Brut Rosé”, Enos Vinhos de Boutique (92 pts)
3- “130 Brut Blanc de Noir 2013, Casa Valduga (92 pts)
4- “Gran Reserva Nature 60 meses, Casa Valduga (92 pts)

Chile:
1- “Las Tres Marias Vineyard” Cabernet Sauvignon 2011, Gandolini (98 pts)
2- “20 Barrels El Centinela Estate” Sauvignon Blanc 2016, Cono Sur (97 pts)
3- “Brut Nature” Chardonnay, Pinot Noir 2014, Caballo Loco (94 pts)
4- “Brut Nature” Chardonnay, Pinot Noir NV, Morandé (94 pts)

Uruguai:
1- “Amat” Tannat 2011, Bodegas Carrau (95 pts)
2- “Single Vineyard” Albarinho 2016, Bodega Garzón (94 pts)
3- “Sin Barrica” Tannat 2016, Bodega Bouza (93 pts)
4- “Ombú Reserve” Cabernet Franc 2016, Bodega Bracco Bosca (93 pts)

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Essa é apenas uma pequenina amostra dos milhares de vinhos apresentados no Guia. O admirável trabalho do crítico de vinhos Patricio Tapia descortina um cenário inebriante do mundo vinícola, o que torna essa edição, sem dúvida, uma indispensável fonte de referência internacional dos melhores vinhos da América Latina.

Maria Uzêda.

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Apreciar ou curtir um vinho é como muitas outras atividades na vida: quanto  mais você conhece, mais prazerosa é a experiência. Jogar ou assistir a uma partida de tênis por exemplo, é muito mais divertido quando você conhece as regras e entende as estratégias do jogo. Da mesma forma, acontece com o vinho. A ideia de que você deve dedicar horas de sua vida com estudos sobre o vinho para formar uma opinião ou avaliar um vinho não é verdade. Na verdade, você precisa somente se familiarizar com algumas regrinhas básicas.

1_taças_degustação
Tente pensar no vinho como um alimento em vez de uma bebida. Quando você vai a um restaurante, parte do seu prazer está na preparação, na apresentação e na aparência do prato. Sem falar nos aromas de um bom prato que podem  trazer uma experiência sensorial maravilhosa. Os sentidos do paladar e do olfato estão tão interligados com a comida quanto estão com o vinho. O prazer de apreciar um bom jantar é um simples trabalho de percepção sensitiva que não necessita de treinamento formal ou habilidades especiais. O ritual de uma degustação de vinho segue uma maneira similar. Felizmente, o processo é simples e você já possui as principais ferramentas necessárias que o auxiliarão na deliciosa tarefa de degustar um vinho: língua, nariz, bagagem sensorial e memória olfativa e gustativa.

2_vinho_e_comida_degustação
Ao iniciar uma degustação tenha em mente as seguintes observações:
1- Cor e aparência
2- Aromas
3- Gostos
4- Equilíbrio entre fruta, açúcar, acidez e taninos
5- Persistência ou final

Há três coisas que você deve saber sobre a cor do vinho:

4_cor_do_vinho_degustação 1- A cor vem da casca. Qualquer que seja a cor da uva, tinta ou branca, o suco é claro, quase transparente, mesmo da mais negra uva. Por exemplo, o famoso Champagne é feito com três diferentes uvas, duas tintas e uma branca, no entanto, esse vinho é dourado (e é delicioso!). Depois de prensadas, obtém-se um suco com cascas. Se a pessoa que vai elaborar o vinho deseja que este seja branco, deve então remover rapidamente as cascas; se deseja que seja tinto, deverá deixar que as cascas dêem cor ao suco (processo de maceração). Quanto mais tempo as cascas permanecem em contato com esse suco (mosto), mais escura e intensa será a cor do vinho. Uvas de pele mais grossa como a Malbec, a Shiraz e a Nero d’Avola resultam em vinhos tintosos.

2- Cor e taninos estão intimamente relacionados: além da pigmentação, a casca é responsável pelos taninos. Então, quanto mais tempo o suco permanece em contato com as cascas, mais taninos esse vinho terá.

3- A cor é o primeiro indicador numa degustação. Se você colocar um vinho branco na taça e ele for amarelo palha com reflexos esverdeados, você pode esperar um vinho leve e cítrico; se for amarelo dourado, provavelmente é um branco mais encorpado e mais untuoso. Para o tinto, faça o teste do papel branco (incline ligeiramente a taça e posicione-a sob a luz e sobre um papel branco e observe): se apresentar boa transparência, você deve ter aí um tinto leve, normalmente com boa acidez; se houver média opacidade, poderá ser um tinto de corpo médio que costumam ter taninos moderados; e se mostrar-se mais opaco e de coloração intensa, poderemos chamar de vinho tinto encorpado, com taninos mais evidentes.
As nuanças de cor também nos passam informações. Um vinho branco mais translúcido, de coloração amarelo claro ou com reflexos esverdeados, indica vinhos mais jovens, cheios de vivacidade e aromas frutados; um branco menos brilhante, de amarelo dourado ou âmbar, costuma ser mais envelhecido, ganhando harmonia,delicadeza e complexidade aromática. Já os tintos com cor intensa e mais fechada (vermelho ou púrpura) indica um vinho jovem, com aromas pronunciados de frutas, boa acidez e taninos perceptíveis; ao passo que um tinto com tons granada ou atijolados indica vinho mais envelhecido, com complexidade aromática e com acidez e taninos mais integrados.

3_avaliação_degustação_vinhos
Olfato e paladar estão intimamente relacionados. Aproximadamente 80% do que sentimos ao provar algo depende enormemente da cooperação do nosso olfato, isto é 80% do que percebemos no palato é atribuído ao sentido do olfato. Qual de nós nunca perdeu o paladar quando está resfriado com congestão nasal?

Ao descrever os aromas de um vinho, existem dois pontos chaves a serem lembrados. O primeiro aspecto a ser descrito diz respeito à intensidade dos aromas (altamente aromático, convidativo, ou mais sutil e tênue. O segundo aspecto deve ser a descrição daquilo que o aroma do vinho o faz lembrar.
A seguir, listamos abaixo, por grupo e por tipo específico, algumas características aromáticas dos vinhos:

FRUTADOS: abacaxi, maracujá, lima, pêssego, melão, maçã verde, amora, framboesa, morango, groselha, uva passa, etc.
FLORAIS: jasmim, rosa, violeta, dama da noite, camomila, etc.
ESPECIARIAS: aniz, cravo, canela, louro, manjericão, pimentão, orégano, pimenta, etc.
HERBÁCEOS: grama, feno, menta ou hortelã, etc.
ANIMAIS: couro, caça, suor, etc.
MINERAIS: terra molhada, petróleo, etc.
QUÍMICOS E ETÉREOS: acetona, álcool, enxofre, fermento, etc.
AMADEIRADOS: cedro, carvalho, serragem, baunilha, etc.
EMPIREUMÁTICOS: tostado, defumado, café, chocolate, tabaco, açúcar queimado, caramelo, etc.
ADOCICADOS: compota, mel, melado, geleia, etc.

No exame gustativo, a classificação dos gostos é semelhante à utilizada no exame olfativo, ou seja relaciona-se com o reconhecimento olfativo, porém cinco aspectos são detectados de imediato pela nossa língua: o doce, o amargo, o álcool, a acidez e os taninos.
Identificamos o doce, na área anterior da língua, isto é, na ponta. Percebemos o amargo na parte do fundo da língua. O álcool nos dá a sensação de ardência ou queimação, a acidez estimula a salivação e os taninos lembram a cica dos frutos verdes.

Após a apresentação de todos os subsídios acima, acreditamos que os amigos apreciadores de vinho, terão condições mínimas de avaliar melhor e formar suas próprias opiniões a respeito de um vinho degustado. Esperamos, caro leitor, que, agora que você já conhece algumas regras de degustação, o simples gesto de levar uma taça de vinho à boca se torne uma experiência divertida, prazeroza e inesquecível.

Maria Uzêda.

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