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Posts Tagged ‘Cave Geisse’

Aconteceu no Espaço Traffô, em São Paulo, no dia 11 de abril, o lançamento da 19ª edição do Guia de vinhos DESCORCHADOS 2017, com 1.088 páginas, mais de 400 vinícolas apresentadas e cerca de 4.000 vinhos degustados, avaliados e pontuados. O evento de lançamento do Guia é uma iniciativa de Patricio Tapia, autor do livro, e da Editora INNER, responsável pela Revista ADEGA e outras publicações e reuniu mais de 95 produtores e enólogos dos melhores vinhos da América do Sul. Estiveram presentes inúmeros representantes da imprensa e profissionais do vinho que lotaram o Espaço e tiveram a oportunidade ímpar de degustar os mais bem pontuados rótulos
O Guia apresenta um quadro completo dos principais países sul-americanos produtores de vinho (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai), descrevendo todas as regiões vinícolas, contando a história de cada vinícola e, principalmente, revelando as atuais tendências da produção vinícola da América Latina.

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Uma das novidades da produção argentina, por exemplo, surge com o novo estilo dos Malbec, mais frescos e com mais acidez, e a incipiente ousadia surgida com a redescoberta da cepa Criola, uma das primeiras variedades introduzidas na América pelos colonizadores europeus.

No Brasil, os espumantes continuam sendo o que de melhor fazemos. Os destaques mais estrelados desta vez são os Nature elaborados pelo método tradicional.

No Chile, pequenos produtores estão apresentando vinhos autorais, elaborando, por exemplo, excepcionais Cabernet Sauvignon de terroir com menos traços de madeira, influenciando dessa maneira as grandes vinícolas chilenas.

Descorchados-2017-vinhos-carmen-chile
No Uruguai, a cepa emblemática do país, a Tannat, que sempre apresentou sua face rústica, está sendo vinificada também num estilo mais leve, mais acessível, para se beber à beira da piscina. Além disso, alguns projetos inovadores estão dando margem à viticultura atlântica, originando um “novo Uruguai face ao mar”.

Seguem abaixo alguns destaques dentre os rótulos mais bem pontuados:

Argentina:
1- “Seminare” Malbec 2015, vinícola Gente Del Alma (99 pts)
2- “Adriana White Bonnes” Chardonnay 2013, Catena Zapata (97 pts)
3- “Cuveé Nature” Pinot Noir, Chardonnay, vinícola Cruzat (94 pts)
4- “Silvestra” Rosé Pinot Noir 2016, Bodega Sylvestra (92 pts)

Brasil:
1- “Cave Geisse Terroir Nature” 2011, vinícola Geisse (93 pts)
2- “La Belle Blanche Brut Rosé”, Enos Vinhos de Boutique (92 pts)
3- “130 Brut Blanc de Noir 2013, Casa Valduga (92 pts)
4- “Gran Reserva Nature 60 meses, Casa Valduga (92 pts)

Chile:
1- “Las Tres Marias Vineyard” Cabernet Sauvignon 2011, Gandolini (98 pts)
2- “20 Barrels El Centinela Estate” Sauvignon Blanc 2016, Cono Sur (97 pts)
3- “Brut Nature” Chardonnay, Pinot Noir 2014, Caballo Loco (94 pts)
4- “Brut Nature” Chardonnay, Pinot Noir NV, Morandé (94 pts)

Uruguai:
1- “Amat” Tannat 2011, Bodegas Carrau (95 pts)
2- “Single Vineyard” Albarinho 2016, Bodega Garzón (94 pts)
3- “Sin Barrica” Tannat 2016, Bodega Bouza (93 pts)
4- “Ombú Reserve” Cabernet Franc 2016, Bodega Bracco Bosca (93 pts)

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Essa é apenas uma pequenina amostra dos milhares de vinhos apresentados no Guia. O admirável trabalho do crítico de vinhos Patricio Tapia descortina um cenário inebriante do mundo vinícola, o que torna essa edição, sem dúvida, uma indispensável fonte de referência internacional dos melhores vinhos da América Latina.

Maria Uzêda.

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A região de vinhos do Vale dos Vinhedos e arredores revela sempre grandes experiências. Minha história com o mundo dos vinhos teve um marco importante por ali, há sete anos, quando estive a passeio e me descobri encantada com os sabores e poesias de cada produtor, cada parcela de vinhedos e cada nova garrafa aberta. Por isso, para mim, voltar à região traz sempre um bom sentimento. E a certeza de que novas descobertas estão por vir.

vinhedos vinícola GeisseDesta vez estive na região de Pinto Bandeira, logo ao norte de Bento Gonçalves, mais conhecida como a região dos vinhos de montanha. Fui visitar a vinícola Geisse, antiga Cave de Amadeu. Já conhecia bem suas borbulhas de alguns eventos de vinho de que participei, além de saber dos importantes prêmios que receberam nos últimos anos, que deram um importante reconhecimento à qualidade de seus produtos. Alguns dizem que são os melhores espumantes que o Brasil já produziu. Eu prefiro não julgar o que dizem, mas posso sim contar a minha experiência.

Carlos Abarzua Cave GeisseQuem me recebeu foi o Sr. Carlos Abarzua, enólogo da casa, de origem Chilena, mas já com muitos anos de Brasil. Uma figura amável, que me recebeu muito bem e deixou clara a sensação de que para trabalhar com vinhos não basta entender muito do produto. É preciso gostar de pessoas e saber passar com o coração esse conhecimento e essa inexplicável paixão que é o mundo dos vinhos. E assim, Carlos me contou um pouco sobre a história da vinícola Geisse, de seu trabalho e de seus produtos.

Tudo começou quando o enólogo chileno Mario Geisse veio ao Brasil há mais de trinta anos para dirigir a Chandon do Brasil, no Rio Grande do Sul, e viu no terroir da região um potencial interessante para a produção de espumantes. Logo, buscou terras que apresentassem as características desejadas para a produção de borbulhas do mais alto nível. E chegou a Pinto Bandeira, região de montanha que oferece boa amplitude térmica, solos pobres e com boa drenagem e com ventos constantes, que ajudam na sanidade das plantas. Mario Geisse, diretor técnico da Casa Silva, renomada vinícola chilena famosa por seus Pinot Noirs, fundou ali a vinícola Geisse poucos anos após se instalar no Brasil.

garrafas em autólise no pupitre remuageDesde sua criação, Geisse buscou utilizar em sua vinícola métodos pouco difundidos ou quase inexistentes no Brasil na ocasião, como a condução das videiras por espaldeiras, a vinificação por gravidade ou mesmo a produção de suas borbulhas pelo método champegnoise. Ainda hoje, atento às novidades do mercado, Geisse e sua equipe preocupam-se em utilizar métodos e tecnologias inovadoras que dão certo. A novidade mais recente é uma máquina utilizada nos vinhedos com um sistema de ar quente que atua no controle de pragas. Esse sistema foi desenvolvido no Chile e tem mostrado excelentes resultados. A máquina é passada periodicamente por entre as parreiras e sabe-se que, quando a videira é impactada pelo forte jato de ar quente, ela libera uma substância protetora que a fortalece, protegendo-a do ataque de pragas. Além disso, nota-se que o sistema tem proporcionado outros benefícios, tais como o fortalecimento da planta, com folhas mais verdes e resistentes, até uma concentração maior do resveratrol, substância encontrada na casca da uva que fornece benefícios à saúde. Por esses e outros motivos, a vinícola Geisse denomina-se ecologicamente correta, mostrando uma preocupação com a saúde das videiras e da manutenção do meio ambiente.

cantina vinícola Geisse ChardonnayEm minha visita tive a oportunidade de conhecer a cantina da vinícola Geisse em pleno funcionamento, com os tanques cheios e aquele aroma característico de fermentação. O Sr. Carlos me serviu uma taça de seu chardonnay direto do tanque, recém fermentado, apenas aguardando sua estabilização, que mostrou uma riqueza de aromas e acidez marcante. De lá, seguimos para um mirante no alto da propriedade, onde pude apreciar todas as parcelas da vinícola Geisse e sentir no rosto os ventos constantes da região de montanha. Por fim, uma parada na área destinada a eventos para degustação dos produtos tops da casa.

Cave Geisse Brut 2008, Pinto Bandeira, RS

70% Chardonnay, 30% Pinot Noir – 12,5%, 2 anos de autólise

Com perlage abundante e persistente, aromas intensos de fermento, frutas secas e notas tostadas, o espumante apresenta acidez equilibrada, boa persistência e estrutura em boca.

Preço: R$49,00

Cave Geisse Nature 2009, Pinto Bandeira, RS

70% Chardonnay, 30% Pinot Noir – 12,5%, 2 anos de autólise

Perlage abundante, com aromas delicados de frutas secas, leveduras e notas cítricas. O espumante surpreende por sua elegância e equilíbrio.

Preço: R$49,00

Cave Geisse Rosé Brut 2006, Pinto Bandeira, RS

100% Pinot Noir – 12,5%, 3 anos de autólise

Perlage abundante e persistente, coloração rosada e aromas de morangos, frutas vermelhas e notas tostadas. O espumante tem uma característica diferente dos demais produtos da casa – uma rápida passagem por barrica. Elegante, com boa acidez e boa persistência.

Preço: R$82,00

Cave Geisse Terroir Nature 2006, Pinto Bandeira, RS

62% Chardonnay, 38% Pinot Noir – 12,5%, 3 anos de autólise

Perlage abundante e persistente, com aromas de damascos, frutas brancas, fermento e notas florais. Possui bom corpo e cremosidade, boa acidez e ótima persistência.

Preço: R$82,00

espumantes Cave GeisseHoje a vinícola Geisse produz anualmente 170 mil garrafas e seus produtos podem ser encontrados principalmente em empórios e restaurantes. Também exportam para alguns países como Estados Unidos, Inglaterra e Bélgica, apesar de não ser o seu foco. O sucesso da vinícola Geisse certamente vem de muito trabalho, dedicação e paixão aos vinhedos e à produção.

O Sr. Carlos conta que trabalham em busca da perfeição e que o objetivo da vinícola Geisse é se tornar o melhor produto da América do Sul. E deixa o convite para que os apaixonados pelo vinho não percam a oportunidade de visitar a região que está em pleno crescimento e claro, conhecer a vinícola Geisse e seus produtos, que apaixonam naturalmente.

Assim encerrei minha visita com mais uma grande experiência e o sentimento de que os produtos nacionais cada vez mais surpreendem. E que a vinícola Geisse, com as suas borbulhas, é digna do topo da lista.

Conheça: www.vinicolageisse.com.br

Onde encontrar: www.vinhosevinhos.com.br e www.vinhosnet.com.br

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