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Archive for the ‘Histórias de Vinho’ Category

Há alguns meses participei de uma degustação organizada pela MOVI Chile (movimento dos pequenos vinhateiros do Chile) que tinha como proposta apresentar à imprensa vinhos de algumas vinícolas boutique. Fiquei realmente surpreendida com a qualidade dos vinhos e decidi incluir algumas das vinícolas em meu roteiro ao Chile.

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A primeira visita foi a Von Siebenthal, onde fui recebida pelo Mateo. Toda a história da vinícola começa com um personagem chamado Irineu, um artista suíço que se apaixonou por uma chilena e decidiu construir sua vida neste país de belíssimas riquezas naturais. Um dia, compartilhou com um amigo suíço algumas fotos e histórias deste país. E foi assim que, em 1998 o advogado Mauro deixou seu país com seu filho Mateo e chegou ao Chile com uma bagagem cheia de sonhos.

Localizada no vale do Aconcágua, a Von Siebenthal tem hoje 32 hectares de vinhas e produz seus vinhos a partir das uvas tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenère, Cabernet Franc, Syrah e Petit Verdot, e Viogner para seu único vinho branco.

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Aos pés dos Andes, o vale do Aconcágua está localizado a cerca de 80 km para o norte de Santiago. É uma região com grande oscilação de temperatura entre o dia e a noite, muito vento e pouca chuva ao longo do ano, o que permite um amadurecimento adequado das uvas e ajuda a prevenir o desenvolvimento de fungos.

O vinho símbolo da vinícola, de maior reconhecimento e expressão é o Parcela #7, com produção anual de 100 mil garrafas. Já seu vinho ícone é o Toknar, com 24 meses em barricas de carvalho francês e americano e estrutura para ser guardado por até 25 anos. Mas a novidade da vinícola é o Viogner, que passa de 12 a 14 meses em barrica e que, conforme ressaltou Mateo, tem estrutura suficiente para harmonizar com carne vermelha.

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Os vinhos da Von Siebenthal estão focados principalmente no mercado exterior, sendo exportados para mais de 30 países. O Brasil é o seu segundo maior mercado, logo após a China, mas seus vinhos podem ser encontrados também nos principais restaurantes de Santiago.

Ao final da visita, Mateo apresentou o Parcela #7 e o Carabantes Syrah:

Parcela #7 2012

Carbernet Sauvignon, Petit Verdot, Cabernet Franc e Merlot

14 meses em barris de carvalho

De coloração rubi, apresentou aromas de frutas negras maduras, como groselhas, e notas de pimenta preta. Em boca, acidez elevada, taninos elegantes e muita fruta.

Carabantes 2012

Syrah

18 meses em barris de carvalho

De coloração violácea, apresentou aromas explosivos de frutas negras maduras, como cassis e ameixa, com notas de mentol e chocolate. Em boca, corpo cheio, média acidez e taninos macios.

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Para quem deseja conhecer a vinícola, é necessário agendamento prévio que pode ser feito por e-mail ou telefone.

Von Siebenthal:

E-mail: latorre.soledad@gmail.com

Telefone: +56 9 9459 6173

Um brinde!

Cristina A. Prado.

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Em recente viagem ao Chile, tive a oportunidade de conhecer os vales de Casablanca e Aconcágua, no entorno de Santiago, e visitar algumas de suas vinícolas. A primeira visita foi à Emiliana, que está há 50 minutos de carro de Santiago, sentido Valparaíso.

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Quem me recebeu foi a Angélica, guia de visitas, e o Josué, hospitality manager, que, super atenciosos, compartilharam um pouco sobre a história e filosofia da vinícola e me apresentaram alguns de seus vinhos.

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Com cerca de 20 anos de história, a Emiliana é hoje a maior vinícola orgânica do mundo e cultiva suas uvas nas principais regiões vinícolas do Chile. Como filosofia, diz-se que um vinhedo orgânico é um organismo vivo autossustentável: um sistema fechado que se mantém saudável com o uso da própria fauna, flora e minerais em seu favor. Não utiliza pesticidas ou qualquer produto químico em suas vinhas, mas produz uma série de ervas e grãos que são utilizados em compostos que ajudam a fortalecer e proteger os vinhedos de pragas.

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Além disso, a presença de animais, como galinhas, que ajudam a comer larvas e insetos, joaninhas criadas localmente, que se alimentam de pulgões e pequenos insetos, lhamas, que na época adequada são soltas pelos vinhedos para ajudar na redução das folhagens das vinhas e abelhas, que ajudam na polinização da flora da região, ajudando a manter o ecossistema saudável.

DSC_5355Já o biodinamismo, filosofia também seguida pela Emiliana em alguns de seus vinhedos, acredita num equilíbrio energético entre todos seus elementos, considerando a posição dos astros como direcionadores do calendário do vinhedo. Este calendário é desenhado por um engenheiro agrônomo junto a um astrônomo. Diz-se que a posição dos astros influencia na energia da natureza e existem alguns momentos energéticos específicos que irão definir o melhor momento para fertilização de solo e vinhedo, poda e colheita, por exemplo.

Além de todo o cuidado com a natureza, a Emiliana acredita ser fundamental manter a paixão de seus colaboradores pelo trabalho para que isso se reflita na qualidade de seus vinhos. Oferece uma série de benefícios para os trabalhadores e seus familiares, como assistência médica e a possibilidade do uso das terras para produção de verduras e frutas.

A Emiliana produz seus vinhos brancos a partir das uvas Chardonnay, Viogner, Marsanne, Roussane e Sauvignon Blanc, enquanto para as tintas, Merlot, Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Mouvèdre e Syrah.

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No vale de Casablanca, que é uma região fria mesmo no verão, o clima é adequado para a produção de excelentes brancos, pois permite às uvas mais tempo para amadurecer e desenvolver seus aromas e sabores. A Pinot Noir é também uma uva que se adaptou muito bem à região.

Os vinhos degustados nesta visita foram:

Novas Viogner 2013, Casablanca

De coloração amarela com reflexos dourados, apresenta aromas de flores brancas com notas de damasco e pêssego maduro. Em boca, corpo e acidez médios. Boa untuosidade. Muito bom!

Adobe Gewurztraminer 2015, Rapel

De coloração amarelo palha, apresenta aromas intensos de lichia, flores e frutas brancas maduras. Em boca, a sensação se repete. É um exemplar bem típico da Gewurztraminer.

Novas Carmenère, Cabernet Sauvignon 2013, Cochagua

93 Pontos por James Suckling

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de frutas vermelhas e negras maduras. Em boca, apresenta boa estrutura, acidez, taninos macios e muita fruta com um discreto toque vegetal. Está delicioso!

Coyam 2012, Colchagua

Syrah, Carmenère, Merlot, Cabernet Sauvignon, Malbec e Mouvèdre

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de ameixa, groselha e amoras negras. Em boca, bom corpo e acidez, com taninos marcantes. Vinho ícone da casa, passou 13 meses em carvalho 80% francês e 20% americano. Pode ser guardado por até 15 anos. Excelente vinho!

Gê 2012, Colchagua

Carmenère, Syrah, Cabernet Sauvignon

Coloração rubi intensa, apresenta aromas de frutas negras maduras, como ameixa e amora, com notas de chocolate e pimenta preta. Em boca, bom corpo e acidez, com taninos marcantes. Vinho ícone da casa, produzido a partir de vinhas velhas, com 16 meses de passagem em carvalho francês. Pode ser guardado por até 20 anos. Excelente vinho!

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Conhecer mais de perto o admirável trabalho realizado por esta vinícola foi, certamente, uma experiência e tanto, e reforça todo o romantismo e misticismo que há por trás de cada garrafa de vinho que abrimos, nos surpreendendo e nos enchendo de prazer.

A Emiliana recebe visitas diariamente em sua sede no vale da Casablanca, com agendamento prévio. Se estiver pela região, recomendo o passeio.

Emiliana Vinhos Orgânicos

Site: www.emiliana.cl

No Brasil, você pode encontrar os vinhos da Emiliana nos sites www.vinomundi.com.br e www.worldwine.com.br

Um brinde!

Cristina A. Prado

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Para iniciar esta matéria, é interessante falar um pouco sobre a Ordem de Malta. Fundada em Jerusalém no século XI, a Ordem de Malta visava a assistir e proteger os peregrinos àquela terra santa. Hoje em dia a Ordem de Malta, assim como o Vaticano, é um Estado Soberano, mantém relações diplomáticas com dezenas de países, inclusive o Brasil, possui representação na OMS (Organização Mundial da Saúde) e status permanente de observador na Assembleia Geral das Nações Unidas. A Ordem opera em mais de cem países, em cinco continentes, mobilizando centenas de voluntários envolvidos nos seus diversos programas assistenciais. Atualmente, a bandeira da Ordem, com sua Cruz de Malta branca de oito pontas sobre fundo vermelho, tremula nos mastros de hospitais, clínicas e centros educacionais que prestam assistência a populações carentes, doentes e desamparadas.

La Rocca Bernarda: propriedade agrícola da Ordem de Malta.

La Rocca Bernarda: propriedade agrícola da Ordem de Malta.

Na Itália, a Ordem de Malta está sediada em Roma e possui 14 propriedades agrícolas localizadas em diversas regiões italianas (da Sicília à Friuli Venezia Giulia). Essas fazendas operam sob a administração da S.Agri.V.It.srl (Sociedade Agrícola Vitivinícola Italiana) e quatro delas são vinícolas, todas envolvidas na missão institucional da caridade e da solidariedade. São elas: “Rocca Bernarda”, na área de DOC Colli Orientali del Friuli; o “Castello di Magione”, na área de DOC Colli di Trasimeno; a “Meniconi Bracceschi Commenda”, na área de DOC de Torgiano; e a vinícola “Beato Gerardo”, na área de DOCG Asolo, em Treviso, que produz o Villa Giustiniani Prosecco Extra Dry DOCG.

Foi com grande prazer e surpresa que, em recente viagem, atravessando a região de Friuli Venezia Giulia, a NE da Itália, pude visitar uma dessas propriedades: Rocca Bernarda. Pertencente à Ordem de Malta desde 1977, essa vinícola cultiva onze variedades de uvas, produzindo ótimos tintos, aromáticos brancos e um excelente vinho doce.

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Um dos grandes destaques da vinícola Rocca Bernarda é o seu tinto “Novecentos”, cuja safra 2008 foi lançada no mercado em 2013 para celebrar o noningentésimo aniversário da Bula Papal concedida à Ordem de Malta pelo Papa Pasquale II, em 15 de fevereiro de 1113, reconhecendo a Ordem e colocando-a sob a proteção da Santa Sé. Produzido a partir da variedade tinta “Pignolo”, o “Novecentos” é um vinho com edição anual limitada e numerada, possui grande estrutura, elegância e harmonia.

Especial atenção é dada à variedade branca denominada “Picolit”. Tida como “a pérola da enologia Friulana”, a “Picolit” teve a sua devida importância restaurada no cenário da viticultura da região, graças aos diversos estudos e replantios efetuados na propriedade vinícola de Rocca Bernarda. O vinho “Rocca Bernarda Picolit Colli Orientali del Friuli DOCG” é doce, de colheita tardia, elaborado em estilo passito. Fresco e rico, com aromas de frutas secas e concentração untuosa em boca, pode-se imaginar os motivos de sua reputação como um dos mais famosos vinhos brancos doces da Itália.

Como bem sabemos, uma viagem pode descortinar fascinantes histórias ligadas ao mundo vinho. Conhecer a história da Ordem de Malta e os vinhos italianos relacionados a ela foi sem dúvida uma experiência curiosa e enriquecedora.

Contatos:
http://www.roccabernarda.com
Info@roccabernarda.com

Maria Uzêda

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A Califórnia é o maior estado americano produtor de vinhos, contando com inúmeras regiões bem conhecidas, tais como o vale do Napa, Sonoma, Mendocino e Santa Barbara, de onde se originam vinhos de renome, como por exemplo, o famoso “Chateau Santa Helena”, vencedor do célebre concurso que aconteceu em Paris em 1976 e ficou gravado na história como o “Julgamento de Paris”. Contudo, existe na Califórnia uma pequena área vinícola bem menos divulgada que vem se destacando e merece especial atenção do público enófilo: o Vale de Temecula. Há pouco mais de um mês, visitei essa região e gostaria de passar aos leitores o meu testemunho.

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Localizado ao sul da Califórnia, há cerca de uma hora de San Diego, o Vale de Temecula é uma agradável surpresa para aqueles apaixonados por vinho e que apreciam a natureza. As suaves colinas cobertas com centenas de acres de vinhedos plantados, as inúmeras vinícolas que estão sempre de portas abertas ao visitante e a intensa programação turística da região garantem uma excitante experiência de tirar o fôlego de qualquer um.

O turismo local é diversificado, criativo e organizado, bem ao estilo americano. As atividades vão de passeios de balão sobre os vinhedos a café da manhã com champagne, além da possibilidade de fazer um piquenique entre as parreiras e também poder realizar eventos corporativos ou casamentos. À noite, o agito se concentra na charmosa Old Town de Temecula com sua arquitetura peculiar que nos faz lembrar do velho oeste.

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A maioria das vinícolas possui sede com construção moderna, espaçosas salas de degustação, gift shops, finos restaurantes, muitos dos quais envidraçados, descortinando magníficas vistas para os vinhedos. Opções de acomodação também são oferecidas por algumas vinícolas que possuem hotel luxuoso, resort e spa. Tudo, enfim, conspira a favor de uma inesquecível experiência em Temecula.

Os vinhedos de Temecula deixaram de florescer quando uma praga, disseminada por insetos, se alastrou pela Califórnia: o mal de Pierce. Somente recentemente a região renasceu graças aos grandes investimentos e persistentes trabalhos de recuperação e ampliação dos vinhedos, experimentos de enxertia e dedicação esmerada dos vitivinicultores, privilegiados por um microclima único, um solo granítico com boa drenagem e a brisa fresca proveniente do Pacífico que aí chega através do corredor conhecido como “Rainbow Gap”. Isso vem se refletindo diretamente na qualidade dos vinhos produzidos na região, muitos deles com premiação reconhecida.

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Um dos exemplos de sucesso é a portentosa “South Coast Winery Resort and SPA”, uma das mais renomadas da região. Instalada desde 1968, a vinícola planta 18 variedades de uvas, produz 45 diferentes vinhos e conta com cerca de 1800 prêmios recebidos em concursos regionais e internacionais. Dos vinhos que degustei, eu destacaria os seguintes:

“Carter Estate Private Reserve” 2012

Casta: 100% Viognier

Notas: fermentado inicialmente em inox para acentuar a fruta, finaliza a seguir em barricas novas de carvalho francês. É um vinho com aromas de flor de laranjeira, mel e pêssego; em boca é delicado, elegante, madeira integrada, equilibrado, apesar dos 14,4% de álcool.

“South Coast Tempranillo” 2009

Casta: 100% Tempranillo

Notas: estágio em barricas novas de carvalho americano, combinado com barricas usadas de carvalho francês; aromas de cerejas e amoras silvestres e notas defumadas; em boca tem bom corpo, é bem balanceado com taninos aveludados, mantendo discretos os 14,8% de álcool.

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Já a “Callaway Vineyards and Winery” é uma vinícola especializada em pequena produção que se destaca pelos seus vinhos Reserva premiados. Além de possuir um dos primeiros vinhedos estabelecidos no Vale, a Callaway foi a primeira vinícola na região a abrir ao público uma sala de degustação. Essa vinícola impressiona tanto pela beleza de suas instalações quanto pela alta qualidade de seus vinhos. Dos vinhos aqui degustados, cito os seguintes:

“Winemaker’s Reserve Syrah” 2010

Notas: aromas de geleia de frutas negras, especiarias como pimenta do reino e noz-moscada; em boca, ameixas pretas, amoras e groselha, taninos finos, notas de chocolate e toque de pimenta, com longo e delicioso final. Muito bom!

“Winemaker’s Reserve Cabernet Sauvignon” 2010

Castas: 94% de Cabernet Sauvignon e 6% de Petit Verdot

Notas: de coloração rubi com reflexos granada, apresenta aromas exóticos de menta e aniz, pimentão e frutos negros; em boca, amoras e cassis, novamente o aniz, um toque herbáceo, taninos redondos e elegantes com final persistente levemente picante. Excelente!

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É muito fácil circular pelo vale e visitar as vinícolas de Temecula, pois ficam vizinhas umas das outras ao longo da Rancho Califórnia Road (a principal) e da Portola Road. Com uma taxa de dez dólares em média, o visitante pode degustar de três a cinco vinhos diferentes, dependendo da vinícola. Em Temecula, não importa se você é um profissional ou apreciador de vinhos, o que conta mesmo é o espírito aventureiro e desbravador que anima o coração dos verdadeiros amantes do vinho.

Contatos:

http://www.temeculawines.org

http://www.southcoastwinery.com

http://www.callawaywinery.com

Maria Uzêda.

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Falar da vinícola Torres é falar de um império que impõe respeito no mundo dos vinhos. Com mais de 1.300 hectares de território plantado, a Torres é hoje a maior vinícola da Espanha. Sua reputação lhe conferiu inúmeras premiações, como a de melhor vinícola européia do ano, promovida pela revista “Wine Enthusiast” em 2006. A Torres administra também a Miguel Torres no Chile e a Marimar Estate nos Estados Unidos.

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Vinhedos de Mas Rabell, vinícola Torres, Espanha

Na semana passada, em um agradável encontro promovido pela importadora Devinum, tive a oportunidade de conhecer o simpático Jordi Franch, Diretor Comercial da Torres, que me contou um pouco da história da vinícola, que já está em sua quinta geração da família, de seus principais feitos e de seus vinhos.

Fundada em 1870, em Penedés, a nordeste da Espanha, a vinícola Torres nasceu de uma parceria entre dois irmãos de uma família que desde o século XVII cultivava vinhas, mas sem apelo comercial. Jaime Torres era o irmão que dominava o comércio com as Américas, enquanto Miguel Torres dominava a produção de vinhos. Juntos começaram o negócio familiar focados no mercado externo, vendendo seus vinhos em barris, sem imaginar a dimensão que a Torres tomaria. A vinícola logo começou a ganhar visibilidade e recebeu ilustres visitas em sua sede, como a do rei Afonso XIII em 1904.

Poucos anos depois, já na segunda geração da família, nasceu a primeira marca da Torres: a Coronas, marca que deu fama mundial à vinícola e que é reconhecida até os dias de hoje. Essa mesma geração foi também responsável pelo início da produção de brandies, o vinho fortificado da Torres. Tamanha fora sua aceitação e sucesso no mercado externo que tornou a Torres a maior exportadora de brandy do país.

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Produção de brandies, vinícola Torres, Espanha

Os negócios iam bem, até que veio a guerra civil espanhola e em 1939 a vinícola foi parcialmente destruída por um bombardeio. Ao fim da guerra, iniciou-se a reconstrução da vinícola e os vinhos passaram a ser vendidos pela primeira vez em garrafas.

Nos anos seguintes, nasceram marcas como Sangre de Toro, produto de entrada da Torres produzido a partir de Garnacha e Cariñena, e Viña Sol, feito a partir das castas Parellada e Garnacha Blanca com uma proposta de frescor. Próximo ao centenário, a vinícola aderiu à vitivinicultura moderna, começou a cultivar variedades estrangeiras, como a Cabernet Sauvignon e a Chardonnay e a utilizar tanques de inox para a fermentação.

Em 1979, a Torres expandiu seus negócios para outros territórios. Nasceu a Miguel Torres no Chile e alguns anos depois, a Marimar Estates em Sonoma, nos Estados Unidos. Seus vinhos traduzem a tradição e o conhecimento da família aliados à riqueza do terroir dessas regiões.

Na Espanha, a Torres ampliou seu negócio para outras terras e está hoje em regiões como Ribera Del Duero, Rioja, Jumilla, Toro, Rueda, Priorato e Penedés, produzindo uma variedade de castas autóctones, como Tempranillo, Monastrell, Garnacha e Cariñena e castas internacionais, como Syrah, Merlot, Sauvignon Blanc e Riesling. Sua produção chega a atingir mais de 40 milhões de litros por ano e seus vinhos estão presentes em mais de 140 países.

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Castelo de Milmanda, vinícola Torres, Espanha

A reputação deste império que é a vinícola Torres a tornou um ponto turístico muito procurado por amantes do vinho de diversos países, chegando a receber mais de 130.000 visitantes por ano somente na sede de Penedés. Se você estiver na Espanha e tiver a oportunidade de visitar, vale gastar algumas horas desfrutando de seus vinhos, ampliando seu conhecimento sobre esta marca histórica e apreciando a natureza incrível no entorno de suas sedes. São três os locais que permitem visitação: a sede de Penedés (Parcs Del Penedés), principal local de visitação, a vinícola de El Lloar no Priorato e o Castelo de Milmanda, em Conca de Barberà. Mas se não for à Espanha, por sorte, seus vinhos são facilmente encontrados por aqui.

Mais informações no site da vinícola Torres.

Um brinde à Espanha e suas preciosidades!

Cristina Almeida Prado.

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Descrever a Espanha e suas regiões vinícolas em um único post é um tanto desafiador. Isso porque a Espanha além de ser um território extenso, com uma grande diversidade geográfica e climática, possui produção vinícola por praticamente todas as suas terras, fato que a torna o país produtor com o maior percentual de área plantada com vinhas e o terceiro maior produtor de vinho no mundo. Sua história é também muito rica e apresenta alguns acontecimentos marcantes, que serviram de pano de fundo para o curso de sua trajetória no mundo vinícola, conferindo-lhe o merecido respaldo e reconhecimento mundial que possui hoje.

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Aqueduto romano em Segóvia, Espanha.

Os primeiros registros arqueológicos da presença da viticultura na Espanha datam de cerca de 4.000 a 3.000 anos antes de Cristo, muito antes da era dos fenícios, dos cartagenos e dos romanos, fato esse que pode explicar as mais de 400 variedades de uvas existentes hoje na Espanha. No tempo dos romanos, a Espanha, já conhecida como Hispania, exportou seus vinhos para quase toda a Europa, dando início a seu primeiro mercado de exportação. Mas com a queda do império romano e a invasão dos mouros, houve um período em que o consumo de álcool foi proibido por motivos religiosos. Com a Reconquista espanhola, o país voltou a produzir e a exportar seus vinhos, tendo como principal mercado a Inglaterra.

A partir daí, inúmeros fatores propiciaram importantes mudanças na história da produção de vinhos na Espanha. Um deles foi a expansão do império hispânico nas Américas, que abriu novos mercados após 1492. Outro fato se deu em meados do século XIX, conforme comentamos na matéria intitulada “Bodegas López de Heredia“, quando a epidemia da filoxera se alastrou pela França e levou muitos franceses a abrir negócio na vizinha Espanha, especialmente na região de La Rioja. Nessa ocasião, métodos bordaleses foram implantados, dando início definitivo ao uso de barricas de 550 litros para elaborar seus vinhos tintos e, igualmente, seus brancos. Diga-se de passagem, essa herança francesa deu origem a uma ferrenha tradição de passar vinhos tintos e brancos por barrica, o que muitas vezes escondia sabores e aromas da variedade da uva, por isso, hoje há uma tendência de deixar os vinhos menos tempo sob a influência da madeira para valorizar a fruta.

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Vinícola Lopez de Heredia em La Rioja, Espanha.

Outros fatos expressivos como o retorno à democracia em 1978 e a entrada da Espanha na União Européia em 1986 impulsionaram a indústria vinícola espanhola nas últimas décadas. Novos métodos de plantio, condução e poda nos vinhedos, modernização dos equipamentos nas adegas e, recentemente, o uso da irrigação autorizado por lei em 2003, levaram a um expressivo aprimoramento da qualidade dos vinhos espanhóis que cada vez mais vêm conquistando os enófilos do mundo inteiro.

A Espanha vinícola divide-se em três partes: o Noroeste que inclui as frias terras litorâneas da Galícia e, no interior, Castilla Y León com terras altas e quentes; o Nordeste que abrange La Rioja, Navarra, Aragón, Catalunha e ilhas Baleares; e o Centro e Sul, com as regiões de Castilla La Mancha, Extremdura, Valencia e Murcia, Andaluzia e ilhas Canárias.

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Vinícola Abadia Retuerta na Ribeira del Duero, Espanha.

A legislação vinícola espanhola reformulada em 2003, elevou seu grau de exigências em relação às categorias já existentes e acrescentou duas novas: DO Pago e VCIG. Veja a seguir, a classificação vinícola espanhola vigente:

– Vino de mesa (VdM): esse vinho não pode indicar no rótulo a origem regional, a cepa nem a safra.

– Vino de la tierra (VdlT): semelhante ao “Vin de pays” da França, esse vinho é menos regulado que os DOs e os VCIGs, e é proveniente de área bem mais vasta.

– Vino de Calidad con Indicación Geográfica (VCIG): categoria criada em 2003, inclui os vinhos que apresentam bom desempenho e podem ser promovidos a DO, se mantiver essa condição por, no mínimo, 5 anos.

– Denominación de Origen (DO): semelhante ao vinho francês de “Appellation d’Origene Contrôlée”, esse vinho deve representar o estilo da sua região de origem e seguir as leis locais. Essa categoria é controlada pelo Conselho Regulador e por um Comitê Independente.

– Denominación de Origen Calificada (DOCa): entra nessa categoria o vinho que possuir alta qualidade constante por pelo menos 10 anos.

– Denominación de Origen de Pago (DO Pago): categoria recentemente criada para “premiar” os melhores vinhos de vinícolas com histórico de qualidade e reconhecidamente considerados excelentes.

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De modo geral, os vinhos espanhóis são classificados de acordo com o tempo que passam nas adegas:

– Vino de Denominación de Origen Simples ou Sin Crianza: são os vinhos jovens, sem passagem por barrica, prontos para o consumo.

– Vino de Crianza: vinho que passa um mínimo de 6 meses em barrica e 18 meses em aço inoxidável ou em garrafa, contando um total de dois anos antes de chegar ao mercado.

– Reserva: vinho que passa um mínimo de 12 meses em barrica e 2 anos em garrafa, somando um total de 3 anos antes da venda.

– Gran Reserva: vinho que passa um mínimo de 18 meses em barrica e 3 anos e meio em garrafa e não pode ser vendido antes de 5 anos.

Em relação às cepas, apesar de a Espanha possuir centenas de varietais, somente cerca de vinte cepas entram na elaboração dos vinhos espanhóis. As principais tintas são:

– Tempranillo: essa é a tinta emblemática do País; é destaque na região de La Rioja e em Ribeira del Duero onde é chamada de Tinto Fino; encontrada também na região de Toro onde é chamada de Tinta de Toro, na Catalunha, com o nome de Ul de Liebre e em Castilla La Mancha como Cencibel. Segundo nosso saudoso Saul Galvão, essa cepa é a “marca registrada” dos tintos da Espanha.

– Garnacha: cepa de origem francesa (Grenache), dá corpo e álcool aos tintos; encontrada principalmente na região do Priorato.

– Cariñena: cepa de origem francesa (Carignan), dá vinhos com sabores de ameixas pretas e pimenta do reino; utilizada no Priorato e em La Rioja onde é conhecida como Mazuelo.

– Graciano: cepa que entra em pequenas proporções nos tintos de classe de La Rioja, emprestando-lhes cor e acidez.

– Mencía: cepa clássica da região de Bierzo (Castilla Y León), muito similar à Cabernet Franc.

– Monastrel e Bobal: cepas com significante presença no leste espanhol, na região do Levante (Valencia e Murcia).

Além dessas, tintas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Pinot Noir entram também na elaboração de muitos tintos espanhóis.

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Vinhedos da Vega Sicilia na Ribera del Duero, Espanha.

Dentre as principais cepas brancas, encontramos:

– Airén: cepa branca mais plantada no país, cultivada principalmente na região de Castilla La Mancha.

– Albariño: conhecida em Portugal como Alvarinho onde entra na elaboração dos famosos vinhos verdes, essa cepa é típica da região de Rias Baixas, na Galícia, e gera vinhos frutados e com boa acidez.

– Macabeo: muito cultivada na Catalunha, essa cepa entra na elaboração do famoso espumante espanhol, o Cava, conferindo-lhe vivacidade e acidez; também chamada de Viura em La Rioja, onde é a mais importante cepa que compõe o corte do Rioja branco, pois dá ao vinho boa estrutura e grande capacidade de envelhecer.

– Parellada: cepa que dá corpo e cremosidade aos Cavas espanhóis; também produz vinhos tranquilos, frutados, com toque cítrico.

– Xarel-lo: cepa importante na elaboração do Cava, dando complexidade e propiciando capacidade de amadurecimento.

– Verdejo: cepa que produz vinhos leves aromáticos e com boa acidez na região de Rueda (Castilla Y León).

– Palomino: essa é a grande uva branca com a qual é elaborado o Jerez, na região de Andaluzia, ao sul da Espanha; o Jerez é um vinho fortificado espanhol e um dos mais antigos vinho finos do mundo.

– Pedro Jiménez: cepa também usada na produção do Jerez, em geral, na versão mais adocicada.

Esperamos que, nesses poucos parágrafos, tenhamos conseguido proporcionar aos nossos leitores uma ideia abrangente do cenário tão peculiar, extenso e complexo que caracteriza a Espanha vinícola.

Encerramos com um pensamento de Saul Galvão que recomenda: “Um bom vinho espanhol deve ter equilíbrio entre a fruta e o paladar da madeira. Esse é um detalhe importante que o consumidor deve lembrar ao avaliar um vinho espanhol.”

Cristina Almeida Prado e Maria Uzêda.

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O movimento conhecido como “Outubro Rosa” nasceu nos Estados Unidos na década de 90 com o intuito de alertar a população sobre o câncer de mama. O movimento é celebrado até hoje, numa dimensão muito mais global, com engajamento de diversas entidades públicas e privadas ao redor do mundo, que buscam promover a conscientização sobre a doença e a importância do diagnóstico precoce.

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De acordo com a World Health Organization, o câncer de mama é o segundo tipo de câncer mais incidente em mulheres e representou 25% do total de casos de câncer no mundo em 2012, sendo a causa mais frequente de morte por câncer em mulheres. Por isso, mulheres do Brasil e do mundo devem fazer exames regulares, conforme recomendação médica. Esses exames podem ajudar a identificar o câncer antes de a pessoa ter sintomas, quando as chances de cura são muito maiores.

Nós, do blog Sommelière, apoiamos o “Outubro Rosa” e através de nossos canais de comunicação levamos o assunto a nossos leitores, incentivando-os a fazer um acompanhamento de sua saúde e de seus familiares. E tendo como inspiração o mundo dos vinhos, usamos os vinhos rosés como símbolo de nosso apoio a esta causa.

Nem tinto nem branco, o vinho rosé pode apresentar tons que vão desde o laranja-claro ao púrpura vívido, dependendo das uvas utilizadas e da técnica de produção. O vinho rosé pode ser produzido a partir de uvas tintas ou brancas e tintas, mas necessariamente uma das uvas deve ser tinta. Isso porque são os taninos presentes nas cascas das tintas que darão a sua coloração rosada. A diferença na coloração obtida entre tintos e rosés decorre do tempo de contato das cascas com o mosto (suco resultante da prensa das uvas) durante a fermentação. Nos rosés, esse contato é mais curto e suficiente para dar a coloração desejada ao vinho.

O vinho rosé é uma ótima pedida para o verão por ser leve, refrescante e fácil de beber. É também um vinho coringa para harmonizações, podendo ser combinado com uma diversidade de peixes e frutos do mar, carnes brancas e molhos. Os rosés mais famosos do mundo são os da região da Provence, no sul da França. Mas hoje é possível encontrar excelentes exemplares de diversos países produtores.

Deixamos nossa dica de alguns deliciosos rosés para você celebrar a chegada do calor e se engajar à causa do Outubro Rosa:

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Viña Brava Torres Rosado 2013

Produtor: Torres

Cariñena e Garnacha

Catalunya, Espanha

Notas: De coloração rosa vívido, apresenta aromas frescos e frutados de cereja e morango. Em boca é bastante frutado, apresenta elegante acidez, frescor e suave textura.

Preço: R$27,00

www.bodegatorres.es

Lagarde Blanc de Noir 2013

Produtor: Lagarde

50% Malbec, 50% Pinot Noir

Mendoza, Argentina

Notas: De coloração rosada, com reflexos rubis, apresenta aromas delicados com notas de frutas como cereja e framboesa. Em boca, é suave e sedoso, com bom volume e muito refrescante.

Preço: R$49,00

www.lagarde.com.ar

Escuro Rojo

Produtor: Baron Philippe de Rothschild

66% Syrah, 21% Cabernet Sauvignon e 14% Carmenère

Maipo, Chile

Notas: De coloração rosada com reflexos brilhantes. No nariz abre com algumas notas intensas de morangos silvestres frescos e romã, evolui para aromas de groselha e especiarias. Em boca, revela generosos aromas de cereja e framboesa.

Preço: R$69,90

www.bpdr.com

Informações de compra no site da Devinum ou através do e-mail cristina@sommeliere.com.br.

Mais informações sobre o “Outubro Rosa”:

Instituto Nacional do Câncer (INCA)

Instituto Se Toque

Um brinde à vida!

Cristina Almeida Prado e Maria Uzêda.

 

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