Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Enoturismo’ Category

wineries-croatia-vinhos-croácia A Croácia possui uma longa tradição vitivinícola que vem desde os tempos dos colonizadores gregos. Apesar de ter passado por períodos de estagnação, devido aos sucessivos conflitos políticos, a vitivinicultura croata está vivendo um importante e significativo renascimento, mesmo tendo ainda que lidar com as sequelas da guerra. Iniciativas como da Organização “Roots of Peace”, que atua na remoção de minas terrestres, vêm estimulando o replantio e consequente aumento dos vinhedos.

São duas as principais regiões vinícolas da Croácia: a Primorska, na costa, e a Kontinentalna, no interior. A Primorska inclui a sub-região da Istria e toda a costa adriática até a Dalmácia, inclusive as inúmeras ilhas. A Kontinentalna vai do noroeste ao sudeste croata.

No interior, na região de Kontinentalna que conta com sete sub-regiões, são produzidos principalmente vinhos brancos com a Grasevina (cepa nativa dominante), a Riesling do Reno e a Traminac; os tintos, de menor produção nessa área, são elaborados com Syrah, Pinot Noir e Zweigelt (casta tinta da Áustria).

Já na região de Primorska, a maior parte da produção vinícola é de vinhos tintos. Na sub-região da Istria, por exemplo, as cepas mais usadas são a Cabernet Sauvignon, a Merlot, a Malvasia Nera e a Teran, conhecida como Refosco na vizinha Itália; enquanto na sub-região da Dalmácia, a principal cepa tinta nativa é a Plavac Mali (prima da Zinfandel),que gera vinhos robustos e encorpados. Algumas cepas brancas também são cultivadas na região de Primorska, sobretudo a Malvasia Istriana, e variedades nativas como a Posip, a Bogdanusa e a Marastina.

Durante a minha viagem, percorrendo todo o litoral Adriático de carro, chamaram-me a atenção a ilha de Hvar com seus campos de lavanda, olivais e vinhedos, e a Península de Peljesac que exibe a riqueza da região, oferecendo mais de 40 vinícolas, um importante centro de criação de ostras e famosas salinas.

wineries-croatia-vinhos-croácia

Na ilha de Hvar, considerada o paraíso do Adriático, fiquei hospedada no Hotel Spa Amphora que organiza grupos para visitação à Vinícola Tomic e que pode ser visitada mesmo sem agendamento. Fundada em 1997, essa vinícola está localizada na vila de Jelsa. O enólogo responsável, Andro Tomic, nascido nessa ilha, tem dedicado sua vida ao vinho e à enologia, e se empenha em reavivar a herança da viticultura de Hvar.

Em visita à Vinícola Tomic, pude degustar três de seus tintos, num espaço especialmente construído segundo a arquitetura das antigas salas de jantar Romanas, escavado em rocha, com teto abobadado e colunas de mármore Travertino. Esse belo  salão é utilizado nas festas da família e nas degustações diárias dos visitantes. Degustei o “Veliki Plavac Mali”, bem envelhecido, mostrando nítidos sinais de evolução; o “Plavac Mali 2013”, um tinto jovem, com notas terrosas, típicas da casta, ameixas e frutos negros e toque final de café e especiarias devido à curta passagem por carvalho; e o “Plavac Mali Barrique”, um produto orgânico resultado de trabalho manual em condições naturais, envelhecido em barricas de carvalho francês, esloveno e americano, por período entre 8 a 12 meses. Esse vinho elegante preserva os clássicos aromas da Plavac Mali, assim como o estilo do Velho Continente, focando na estrutura, na complexidade e na persistência. A vinícola Tomic produz tintos e brancos, valorizando sempre as uvas autóctones, e dando grande destaque ao seu “Prosek” que é um autêntico vinho croata de sobremesa, rico e doce, feito com uvas desidratadas.

vinícola-Tomic-croácia

Outra Vinícola importante e muito conhecida na ilha de Hvar é a Zlatan Otok. Fundada em 1986, essa vinícola está localizada na Vila de Sveta Nedjelja e possui vinhedos nas encostas sul da ilha, ocupando terrenos bastante íngremes que se debruçam sobre o Adriático. O proprietário Zlatan Plenkovic é tido na ilha como o “Rei da Plavac Mali” e foi eleito por mais de uma vez o melhor produtor de vinhos da Croácia, mantendo-se então dentre os melhores do ranking, com centenas de prêmios, medalhas e reconhecimento de títulos croatas e internacionais. Seus tintos são enormemente concentrados e poderosos, sobretudo o Zlatan Plavac Grand Cru. Destaque também para o complexo Zlatan Plavac Barrique que apresenta aromas com notas animais (couro), ameixas secas, amoras e um ataque de chocolate. Um Prosek também entra na sua lista de produção e é bastante elogiado.

Percorrer a Ilha de Hvar foi, sem dúvida uma das experiências mais adoráveis e enriquecedoras da minha viagem à Croácia e é, com certeza, um destino turístico inesquecível.

Seguindo pelo litoral sul do país, em direção a Dubrovnik, a Península de Peljesac é rota imperdível para os enófilos de carteirinha. Acompanhem na próxima publicação onde falaremos sobre as Denominações Dingac e Postup e alguns destaques dentre as mais de 40 vinícolas da Península.

Maria Uzêda.

Read Full Post »

Em recente viagem à Croácia, tive a grata oportunidade de percorrer algumas regiões do país, conhecer um pouco da sua história, me encantar com as paisagens naturais, admirar as cidades antigas com sua arquitetura bem preservada e, é claro, saber mais sobre a produção vinícola.

A Croácia é um país de tumultuada trajetória histórica. Por várias vezes, os croatas tiveram que lutar por fronteiras e expulsar invasores pois, em muitas ocasiões, estiveram subjugados a outros povos como venezianos, turcos, húngaros, franceses e alemães. Após a Segunda Guerra Mundial, com a criação da Iugoslávia, que unia seis Repúblicas (Sérvia, Bósnia-Herzegovina, Eslovênia, Macedônia, Montenegro e Croácia), veio uma calmaria aparente entre as nações eslavas que não durou muito. Com a morte do líder iugoslavo Tito em 1980, a Iugoslávia começou a se desintegrar e entrou em decadência, dando origem às manifestações nacionalistas e à eclosão de uma sangrenta guerra civil.

mapa-croácia-vinhos

Em 1991, a Croácia proclamou sua independência, embora somente em 1995, com o acordo de Dayton, o país tenha restabelecido suas fronteiras e começado a vislumbrar a paz. Após longa fase de reconstrução, o país vem mostrando ao mundo seus tesouros culturais, seus incríveis parques nacionais, belas cidades que são verdadeiras relíquias históricas, declaradas como Patrimônio Mundial da Humanidade, uma mistura rara de glamour dos tempos antigos com a autenticidade croata. O cenário atual de paz é um fato bem recente naquelas bandas conflituosas dos Bálkans.

Croacia-lagos-natureza-vinhos

Quem visita a Croácia, percebe logo que é um país hospitaleiro, está bem preparado para o turismo, oferecendo boas estradas, praias paradisíacas, ótima rede hoteleira, diversas atividades culturais, rurais e enogastronômicas. E seus vinhos, bem… esse é o capítulo que mais nos interessa, pois vai explanar termos como “Plavac Mali”, “Posip”, “Dingac”, “Postup”, etc. Vale a pena acompanhar e saber a respeito do curioso mundo dos vinhos produzidos naquele país tão distante e desconhecido da maioria dos amantes do vinho. Portanto, fiquem atentos às nossas próximas publicações.

Saudações!

Maria Uzêda.

Read Full Post »

Para iniciar esta matéria, é interessante falar um pouco sobre a Ordem de Malta. Fundada em Jerusalém no século XI, a Ordem de Malta visava a assistir e proteger os peregrinos àquela terra santa. Hoje em dia a Ordem de Malta, assim como o Vaticano, é um Estado Soberano, mantém relações diplomáticas com dezenas de países, inclusive o Brasil, possui representação na OMS (Organização Mundial da Saúde) e status permanente de observador na Assembleia Geral das Nações Unidas. A Ordem opera em mais de cem países, em cinco continentes, mobilizando centenas de voluntários envolvidos nos seus diversos programas assistenciais. Atualmente, a bandeira da Ordem, com sua Cruz de Malta branca de oito pontas sobre fundo vermelho, tremula nos mastros de hospitais, clínicas e centros educacionais que prestam assistência a populações carentes, doentes e desamparadas.

La Rocca Bernarda: propriedade agrícola da Ordem de Malta.

La Rocca Bernarda: propriedade agrícola da Ordem de Malta.

Na Itália, a Ordem de Malta está sediada em Roma e possui 14 propriedades agrícolas localizadas em diversas regiões italianas (da Sicília à Friuli Venezia Giulia). Essas fazendas operam sob a administração da S.Agri.V.It.srl (Sociedade Agrícola Vitivinícola Italiana) e quatro delas são vinícolas, todas envolvidas na missão institucional da caridade e da solidariedade. São elas: “Rocca Bernarda”, na área de DOC Colli Orientali del Friuli; o “Castello di Magione”, na área de DOC Colli di Trasimeno; a “Meniconi Bracceschi Commenda”, na área de DOC de Torgiano; e a vinícola “Beato Gerardo”, na área de DOCG Asolo, em Treviso, que produz o Villa Giustiniani Prosecco Extra Dry DOCG.

Foi com grande prazer e surpresa que, em recente viagem, atravessando a região de Friuli Venezia Giulia, a NE da Itália, pude visitar uma dessas propriedades: Rocca Bernarda. Pertencente à Ordem de Malta desde 1977, essa vinícola cultiva onze variedades de uvas, produzindo ótimos tintos, aromáticos brancos e um excelente vinho doce.

rocca-bernarda-ordem-de-malta-novecento

Um dos grandes destaques da vinícola Rocca Bernarda é o seu tinto “Novecentos”, cuja safra 2008 foi lançada no mercado em 2013 para celebrar o noningentésimo aniversário da Bula Papal concedida à Ordem de Malta pelo Papa Pasquale II, em 15 de fevereiro de 1113, reconhecendo a Ordem e colocando-a sob a proteção da Santa Sé. Produzido a partir da variedade tinta “Pignolo”, o “Novecentos” é um vinho com edição anual limitada e numerada, possui grande estrutura, elegância e harmonia.

Especial atenção é dada à variedade branca denominada “Picolit”. Tida como “a pérola da enologia Friulana”, a “Picolit” teve a sua devida importância restaurada no cenário da viticultura da região, graças aos diversos estudos e replantios efetuados na propriedade vinícola de Rocca Bernarda. O vinho “Rocca Bernarda Picolit Colli Orientali del Friuli DOCG” é doce, de colheita tardia, elaborado em estilo passito. Fresco e rico, com aromas de frutas secas e concentração untuosa em boca, pode-se imaginar os motivos de sua reputação como um dos mais famosos vinhos brancos doces da Itália.

Como bem sabemos, uma viagem pode descortinar fascinantes histórias ligadas ao mundo vinho. Conhecer a história da Ordem de Malta e os vinhos italianos relacionados a ela foi sem dúvida uma experiência curiosa e enriquecedora.

Contatos:
http://www.roccabernarda.com
Info@roccabernarda.com

Maria Uzêda

Read Full Post »

Uma das melhores coisas da vida é viajar. Uma viagem não precisa de motivos, ela simplesmente é consequência de um natural impulso aventureiro que todo ser humano possui. E para os enófilos de carteirinha, é uma excelente oportunidade para desbravar o mundo do vinho, tornando o seu passeio muito mais interessante. É o que chamamos hoje em dia de “enoturismo”, um segmento da atividade turística que vem conquistando cada vez mais adeptos.

vinhedos-douro-portugal

Vinhedos do Douro, Portugal

Segundo a “Condé Nast Traveller”, uma das mais prestigiadas revistas de viagens do mundo, Portugal foi eleito em 2013 como o melhor destino do planeta para se viajar, em especial, pelas regiões do Alentejo e do Douro. Mas, é claro, outros inúmeros destinos por regiões vinícolas mundo afora oferecem maravilhosos atrativos. Aqui mesmo, no Brasil, por exemplo, há vários circuitos pelas diferentes regiões vinícolas, com roteiros especiais no tema da enofilia, quer para leigos como para especialistas.

“Rota do Sabor” e “Caminhos de Pedra” são boas opções de passeio na Serra Gaúcha. Um jantar harmonizado com vinhos locais no Hotel-restaurante Casacurta, em Garibaldi, ou ainda um piquenique no parreiral da pequena vinícola familiar Cristófoli, no distrito de Faria Lemos, próximo a Bento Gonçalves, são encantadoras alternativas para o turista apaixonado por vinho.

A vinícola Casa Valduga, no Vale dos Vinhedos, é responsável pela implantação do primeiro complexo enoturísticos do Brasil, dispondo de ampla sala de degustação, restaurantes e aconchegantes pousadas com vista para os parreirais. A famosa vinícola Miolo oferece visitas guiadas por enólogos, passando pelos vinhedos, pelas instalações de elaboração do vinho, terminando na sala de degustação. São verdadeiras aulas. E para quem não abre mão das mordomias, uma das melhores paradas é o Hotel Spa do Vinho no Vale dos Vinhedos, em frente à Miolo.

garrafas em autólise no pupitre remuage

Outra região vinícola é destaque no sul do Brasil: a Campanha Gaúcha. Apesar de menos conhecida que a Serra Gaúcha, vem chamando a atenção pelos bons vinhos ali produzidos. A vinícola Guatambu, por exemplo, que recebeu em 2014 o prêmio de melhor vinho tinto nacional na maior feira de vinhos da América Latina, a Expovinis de SP, oferece aos visitantes a “Guatambu Estância do Vinho”, um complexo enoturístico com visita guiada às suas instalações vinícolas consideradas uma das mais modernas do País, com um respeitável restaurante especializado em parrilla e cavalgadas pela propriedade. Localizada próximo à cidade de D. Pedrito (RS), no km 265 da BR 293, a vinícola Guatambu é uma atração enoturística imperdível.

Entretanto, se por acaso, você planejar uma viagem ao Nordeste, saiba de antemão que há por lá a chamada “Rota da Uva e do Vinho” que vem fortalecendo o turismo no Vale do São Francisco, com várias vinícolas situadas entre o norte da Bahia e o sertão pernambucano. Essa área vitivinícola abrange os municípios pernambucanos de Lagoa Grande, Petrolina e Santa Maria da Boa Vista, além de Casa Nova, cidade baiana que implantou o enoturismo na região, graças à vinícola Miolo que vem fazendo grandes investimentos nessa região.

A Miolo possui atualmente excelente infraestrutura para acolher o turista. Inaugurou um passeio pelo velho Chico a bordo do “Vapor do Vinho”. O roteiro enofluvial começa, na verdade, em terra firme, acolhendo, em Juazeiro, os viajantes que seguem num micro-ônibus até Sobradinho, onde, na represa, embarcam no vapor, passando pela eclusa para desembarcar mais adiante na vinícola Ouro Verde, sede da Miolo no NE. No trajeto, que dura cerca de duas horas e meia, com algumas paradas pitorescas, o turista pode desfrutar de uma degustação de comidas típicas e dos vinhos e espumantes “Terranova” da Miolo, animados por música ao vivo. Uma vez na vinícola, pode-se visitar as instalações e conhecer (e comprar) toda a linha de vinhos produzidos, inclusive o “Testardi Syrah” 2011, premiado na Expovinis de 2012, como o melhor tinto nacional.

rota-da-uva-e-do-vinho-vale-são-francisco

Em Lagoa Grande, a vinícola Vinibrasil oferece também uma boa programação enoturística, proporcionando ao visitante a oportunidade de conhecer todo o processo de produção de seus vinhos de latitude, como também almoçar, harmonizando a refeição com os vinhos locais, além de poder fazer um passeio pelo rio.

Essas são algumas das opções de passeios que os apreciadores de vinho podem fazer sem ter que sair do Brasil. Outras sugestões podem ser encontradas no blog “www.sommeliere.com.br” que fala tudo sobre vinhos e compartilha experiências incríveis do mundo do vinho.

“O que boa parte dos viajantes busca hoje são experiências enriquecedoras – o conhecimento que se pode trazer de uma viagem é considerado mais importante do que qualquer mercadoria” (Aguinaldo Záckia). Dessa forma,os destinos enoturísticos descortinam um mundo fascinante moldado especialmente para você que é apaixonado por essa bebida secular tão sedutora: o vinho.

Maria Uzêda de Almeida Prado Xavier

Contatos:

www.sommeliere.com.br

www.casavalduga.com.br

www.miolo.com.br

visita@guatambuvinhos.com.br

www.vinibrasil.com.br

www.degustadoresemfronteiras.com.br

Matéria publicada na edição de fevereiro da revista do Círculo Militar de São Paulo.

A autora dessa matéria é sommelière formada pela ABS (Associação Brasileira de Sommelier).

Read Full Post »

A Califórnia é o maior estado americano produtor de vinhos, contando com inúmeras regiões bem conhecidas, tais como o vale do Napa, Sonoma, Mendocino e Santa Barbara, de onde se originam vinhos de renome, como por exemplo, o famoso “Chateau Santa Helena”, vencedor do célebre concurso que aconteceu em Paris em 1976 e ficou gravado na história como o “Julgamento de Paris”. Contudo, existe na Califórnia uma pequena área vinícola bem menos divulgada que vem se destacando e merece especial atenção do público enófilo: o Vale de Temecula. Há pouco mais de um mês, visitei essa região e gostaria de passar aos leitores o meu testemunho.

Old-Town-Temecula-Valley-Enoturismo

Localizado ao sul da Califórnia, há cerca de uma hora de San Diego, o Vale de Temecula é uma agradável surpresa para aqueles apaixonados por vinho e que apreciam a natureza. As suaves colinas cobertas com centenas de acres de vinhedos plantados, as inúmeras vinícolas que estão sempre de portas abertas ao visitante e a intensa programação turística da região garantem uma excitante experiência de tirar o fôlego de qualquer um.

O turismo local é diversificado, criativo e organizado, bem ao estilo americano. As atividades vão de passeios de balão sobre os vinhedos a café da manhã com champagne, além da possibilidade de fazer um piquenique entre as parreiras e também poder realizar eventos corporativos ou casamentos. À noite, o agito se concentra na charmosa Old Town de Temecula com sua arquitetura peculiar que nos faz lembrar do velho oeste.

Temecula-valley-enoturismo-estados-unidos

A maioria das vinícolas possui sede com construção moderna, espaçosas salas de degustação, gift shops, finos restaurantes, muitos dos quais envidraçados, descortinando magníficas vistas para os vinhedos. Opções de acomodação também são oferecidas por algumas vinícolas que possuem hotel luxuoso, resort e spa. Tudo, enfim, conspira a favor de uma inesquecível experiência em Temecula.

Os vinhedos de Temecula deixaram de florescer quando uma praga, disseminada por insetos, se alastrou pela Califórnia: o mal de Pierce. Somente recentemente a região renasceu graças aos grandes investimentos e persistentes trabalhos de recuperação e ampliação dos vinhedos, experimentos de enxertia e dedicação esmerada dos vitivinicultores, privilegiados por um microclima único, um solo granítico com boa drenagem e a brisa fresca proveniente do Pacífico que aí chega através do corredor conhecido como “Rainbow Gap”. Isso vem se refletindo diretamente na qualidade dos vinhos produzidos na região, muitos deles com premiação reconhecida.

South-Coast-Winery-Temecula-Valley

Um dos exemplos de sucesso é a portentosa “South Coast Winery Resort and SPA”, uma das mais renomadas da região. Instalada desde 1968, a vinícola planta 18 variedades de uvas, produz 45 diferentes vinhos e conta com cerca de 1800 prêmios recebidos em concursos regionais e internacionais. Dos vinhos que degustei, eu destacaria os seguintes:

“Carter Estate Private Reserve” 2012

Casta: 100% Viognier

Notas: fermentado inicialmente em inox para acentuar a fruta, finaliza a seguir em barricas novas de carvalho francês. É um vinho com aromas de flor de laranjeira, mel e pêssego; em boca é delicado, elegante, madeira integrada, equilibrado, apesar dos 14,4% de álcool.

“South Coast Tempranillo” 2009

Casta: 100% Tempranillo

Notas: estágio em barricas novas de carvalho americano, combinado com barricas usadas de carvalho francês; aromas de cerejas e amoras silvestres e notas defumadas; em boca tem bom corpo, é bem balanceado com taninos aveludados, mantendo discretos os 14,8% de álcool.

Callaway-Winery-Temecula-Valley

Já a “Callaway Vineyards and Winery” é uma vinícola especializada em pequena produção que se destaca pelos seus vinhos Reserva premiados. Além de possuir um dos primeiros vinhedos estabelecidos no Vale, a Callaway foi a primeira vinícola na região a abrir ao público uma sala de degustação. Essa vinícola impressiona tanto pela beleza de suas instalações quanto pela alta qualidade de seus vinhos. Dos vinhos aqui degustados, cito os seguintes:

“Winemaker’s Reserve Syrah” 2010

Notas: aromas de geleia de frutas negras, especiarias como pimenta do reino e noz-moscada; em boca, ameixas pretas, amoras e groselha, taninos finos, notas de chocolate e toque de pimenta, com longo e delicioso final. Muito bom!

“Winemaker’s Reserve Cabernet Sauvignon” 2010

Castas: 94% de Cabernet Sauvignon e 6% de Petit Verdot

Notas: de coloração rubi com reflexos granada, apresenta aromas exóticos de menta e aniz, pimentão e frutos negros; em boca, amoras e cassis, novamente o aniz, um toque herbáceo, taninos redondos e elegantes com final persistente levemente picante. Excelente!

Temecula-Valley-enoturismo

É muito fácil circular pelo vale e visitar as vinícolas de Temecula, pois ficam vizinhas umas das outras ao longo da Rancho Califórnia Road (a principal) e da Portola Road. Com uma taxa de dez dólares em média, o visitante pode degustar de três a cinco vinhos diferentes, dependendo da vinícola. Em Temecula, não importa se você é um profissional ou apreciador de vinhos, o que conta mesmo é o espírito aventureiro e desbravador que anima o coração dos verdadeiros amantes do vinho.

Contatos:

http://www.temeculawines.org

http://www.southcoastwinery.com

http://www.callawaywinery.com

Maria Uzêda.

Read Full Post »

Falar da vinícola Torres é falar de um império que impõe respeito no mundo dos vinhos. Com mais de 1.300 hectares de território plantado, a Torres é hoje a maior vinícola da Espanha. Sua reputação lhe conferiu inúmeras premiações, como a de melhor vinícola européia do ano, promovida pela revista “Wine Enthusiast” em 2006. A Torres administra também a Miguel Torres no Chile e a Marimar Estate nos Estados Unidos.

masrabell-torres-bodega-espanha

Vinhedos de Mas Rabell, vinícola Torres, Espanha

Na semana passada, em um agradável encontro promovido pela importadora Devinum, tive a oportunidade de conhecer o simpático Jordi Franch, Diretor Comercial da Torres, que me contou um pouco da história da vinícola, que já está em sua quinta geração da família, de seus principais feitos e de seus vinhos.

Fundada em 1870, em Penedés, a nordeste da Espanha, a vinícola Torres nasceu de uma parceria entre dois irmãos de uma família que desde o século XVII cultivava vinhas, mas sem apelo comercial. Jaime Torres era o irmão que dominava o comércio com as Américas, enquanto Miguel Torres dominava a produção de vinhos. Juntos começaram o negócio familiar focados no mercado externo, vendendo seus vinhos em barris, sem imaginar a dimensão que a Torres tomaria. A vinícola logo começou a ganhar visibilidade e recebeu ilustres visitas em sua sede, como a do rei Afonso XIII em 1904.

Poucos anos depois, já na segunda geração da família, nasceu a primeira marca da Torres: a Coronas, marca que deu fama mundial à vinícola e que é reconhecida até os dias de hoje. Essa mesma geração foi também responsável pelo início da produção de brandies, o vinho fortificado da Torres. Tamanha fora sua aceitação e sucesso no mercado externo que tornou a Torres a maior exportadora de brandy do país.

Brandys-Torres-fortificado-bodega-espanha

Produção de brandies, vinícola Torres, Espanha

Os negócios iam bem, até que veio a guerra civil espanhola e em 1939 a vinícola foi parcialmente destruída por um bombardeio. Ao fim da guerra, iniciou-se a reconstrução da vinícola e os vinhos passaram a ser vendidos pela primeira vez em garrafas.

Nos anos seguintes, nasceram marcas como Sangre de Toro, produto de entrada da Torres produzido a partir de Garnacha e Cariñena, e Viña Sol, feito a partir das castas Parellada e Garnacha Blanca com uma proposta de frescor. Próximo ao centenário, a vinícola aderiu à vitivinicultura moderna, começou a cultivar variedades estrangeiras, como a Cabernet Sauvignon e a Chardonnay e a utilizar tanques de inox para a fermentação.

Em 1979, a Torres expandiu seus negócios para outros territórios. Nasceu a Miguel Torres no Chile e alguns anos depois, a Marimar Estates em Sonoma, nos Estados Unidos. Seus vinhos traduzem a tradição e o conhecimento da família aliados à riqueza do terroir dessas regiões.

Na Espanha, a Torres ampliou seu negócio para outras terras e está hoje em regiões como Ribera Del Duero, Rioja, Jumilla, Toro, Rueda, Priorato e Penedés, produzindo uma variedade de castas autóctones, como Tempranillo, Monastrell, Garnacha e Cariñena e castas internacionais, como Syrah, Merlot, Sauvignon Blanc e Riesling. Sua produção chega a atingir mais de 40 milhões de litros por ano e seus vinhos estão presentes em mais de 140 países.

milmanda-castelo-torres-bodega-espanha

Castelo de Milmanda, vinícola Torres, Espanha

A reputação deste império que é a vinícola Torres a tornou um ponto turístico muito procurado por amantes do vinho de diversos países, chegando a receber mais de 130.000 visitantes por ano somente na sede de Penedés. Se você estiver na Espanha e tiver a oportunidade de visitar, vale gastar algumas horas desfrutando de seus vinhos, ampliando seu conhecimento sobre esta marca histórica e apreciando a natureza incrível no entorno de suas sedes. São três os locais que permitem visitação: a sede de Penedés (Parcs Del Penedés), principal local de visitação, a vinícola de El Lloar no Priorato e o Castelo de Milmanda, em Conca de Barberà. Mas se não for à Espanha, por sorte, seus vinhos são facilmente encontrados por aqui.

Mais informações no site da vinícola Torres.

Um brinde à Espanha e suas preciosidades!

Cristina Almeida Prado.

Read Full Post »

Descrever a Espanha e suas regiões vinícolas em um único post é um tanto desafiador. Isso porque a Espanha além de ser um território extenso, com uma grande diversidade geográfica e climática, possui produção vinícola por praticamente todas as suas terras, fato que a torna o país produtor com o maior percentual de área plantada com vinhas e o terceiro maior produtor de vinho no mundo. Sua história é também muito rica e apresenta alguns acontecimentos marcantes, que serviram de pano de fundo para o curso de sua trajetória no mundo vinícola, conferindo-lhe o merecido respaldo e reconhecimento mundial que possui hoje.

aqueduto-segovia-espanha-bodegas

Aqueduto romano em Segóvia, Espanha.

Os primeiros registros arqueológicos da presença da viticultura na Espanha datam de cerca de 4.000 a 3.000 anos antes de Cristo, muito antes da era dos fenícios, dos cartagenos e dos romanos, fato esse que pode explicar as mais de 400 variedades de uvas existentes hoje na Espanha. No tempo dos romanos, a Espanha, já conhecida como Hispania, exportou seus vinhos para quase toda a Europa, dando início a seu primeiro mercado de exportação. Mas com a queda do império romano e a invasão dos mouros, houve um período em que o consumo de álcool foi proibido por motivos religiosos. Com a Reconquista espanhola, o país voltou a produzir e a exportar seus vinhos, tendo como principal mercado a Inglaterra.

A partir daí, inúmeros fatores propiciaram importantes mudanças na história da produção de vinhos na Espanha. Um deles foi a expansão do império hispânico nas Américas, que abriu novos mercados após 1492. Outro fato se deu em meados do século XIX, conforme comentamos na matéria intitulada “Bodegas López de Heredia“, quando a epidemia da filoxera se alastrou pela França e levou muitos franceses a abrir negócio na vizinha Espanha, especialmente na região de La Rioja. Nessa ocasião, métodos bordaleses foram implantados, dando início definitivo ao uso de barricas de 550 litros para elaborar seus vinhos tintos e, igualmente, seus brancos. Diga-se de passagem, essa herança francesa deu origem a uma ferrenha tradição de passar vinhos tintos e brancos por barrica, o que muitas vezes escondia sabores e aromas da variedade da uva, por isso, hoje há uma tendência de deixar os vinhos menos tempo sob a influência da madeira para valorizar a fruta.

viña-tondonia-lopez-de-heredia

Vinícola Lopez de Heredia em La Rioja, Espanha.

Outros fatos expressivos como o retorno à democracia em 1978 e a entrada da Espanha na União Européia em 1986 impulsionaram a indústria vinícola espanhola nas últimas décadas. Novos métodos de plantio, condução e poda nos vinhedos, modernização dos equipamentos nas adegas e, recentemente, o uso da irrigação autorizado por lei em 2003, levaram a um expressivo aprimoramento da qualidade dos vinhos espanhóis que cada vez mais vêm conquistando os enófilos do mundo inteiro.

A Espanha vinícola divide-se em três partes: o Noroeste que inclui as frias terras litorâneas da Galícia e, no interior, Castilla Y León com terras altas e quentes; o Nordeste que abrange La Rioja, Navarra, Aragón, Catalunha e ilhas Baleares; e o Centro e Sul, com as regiões de Castilla La Mancha, Extremdura, Valencia e Murcia, Andaluzia e ilhas Canárias.

Ribera-del-duero-espanha-bodegas

Vinícola Abadia Retuerta na Ribeira del Duero, Espanha.

A legislação vinícola espanhola reformulada em 2003, elevou seu grau de exigências em relação às categorias já existentes e acrescentou duas novas: DO Pago e VCIG. Veja a seguir, a classificação vinícola espanhola vigente:

– Vino de mesa (VdM): esse vinho não pode indicar no rótulo a origem regional, a cepa nem a safra.

– Vino de la tierra (VdlT): semelhante ao “Vin de pays” da França, esse vinho é menos regulado que os DOs e os VCIGs, e é proveniente de área bem mais vasta.

– Vino de Calidad con Indicación Geográfica (VCIG): categoria criada em 2003, inclui os vinhos que apresentam bom desempenho e podem ser promovidos a DO, se mantiver essa condição por, no mínimo, 5 anos.

– Denominación de Origen (DO): semelhante ao vinho francês de “Appellation d’Origene Contrôlée”, esse vinho deve representar o estilo da sua região de origem e seguir as leis locais. Essa categoria é controlada pelo Conselho Regulador e por um Comitê Independente.

– Denominación de Origen Calificada (DOCa): entra nessa categoria o vinho que possuir alta qualidade constante por pelo menos 10 anos.

– Denominación de Origen de Pago (DO Pago): categoria recentemente criada para “premiar” os melhores vinhos de vinícolas com histórico de qualidade e reconhecidamente considerados excelentes.

niveles_calidad_denominaciones

De modo geral, os vinhos espanhóis são classificados de acordo com o tempo que passam nas adegas:

– Vino de Denominación de Origen Simples ou Sin Crianza: são os vinhos jovens, sem passagem por barrica, prontos para o consumo.

– Vino de Crianza: vinho que passa um mínimo de 6 meses em barrica e 18 meses em aço inoxidável ou em garrafa, contando um total de dois anos antes de chegar ao mercado.

– Reserva: vinho que passa um mínimo de 12 meses em barrica e 2 anos em garrafa, somando um total de 3 anos antes da venda.

– Gran Reserva: vinho que passa um mínimo de 18 meses em barrica e 3 anos e meio em garrafa e não pode ser vendido antes de 5 anos.

Em relação às cepas, apesar de a Espanha possuir centenas de varietais, somente cerca de vinte cepas entram na elaboração dos vinhos espanhóis. As principais tintas são:

– Tempranillo: essa é a tinta emblemática do País; é destaque na região de La Rioja e em Ribeira del Duero onde é chamada de Tinto Fino; encontrada também na região de Toro onde é chamada de Tinta de Toro, na Catalunha, com o nome de Ul de Liebre e em Castilla La Mancha como Cencibel. Segundo nosso saudoso Saul Galvão, essa cepa é a “marca registrada” dos tintos da Espanha.

– Garnacha: cepa de origem francesa (Grenache), dá corpo e álcool aos tintos; encontrada principalmente na região do Priorato.

– Cariñena: cepa de origem francesa (Carignan), dá vinhos com sabores de ameixas pretas e pimenta do reino; utilizada no Priorato e em La Rioja onde é conhecida como Mazuelo.

– Graciano: cepa que entra em pequenas proporções nos tintos de classe de La Rioja, emprestando-lhes cor e acidez.

– Mencía: cepa clássica da região de Bierzo (Castilla Y León), muito similar à Cabernet Franc.

– Monastrel e Bobal: cepas com significante presença no leste espanhol, na região do Levante (Valencia e Murcia).

Além dessas, tintas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec e Pinot Noir entram também na elaboração de muitos tintos espanhóis.

Vinhedos-Vega-Sicilia-bodega-Espanha

Vinhedos da Vega Sicilia na Ribera del Duero, Espanha.

Dentre as principais cepas brancas, encontramos:

– Airén: cepa branca mais plantada no país, cultivada principalmente na região de Castilla La Mancha.

– Albariño: conhecida em Portugal como Alvarinho onde entra na elaboração dos famosos vinhos verdes, essa cepa é típica da região de Rias Baixas, na Galícia, e gera vinhos frutados e com boa acidez.

– Macabeo: muito cultivada na Catalunha, essa cepa entra na elaboração do famoso espumante espanhol, o Cava, conferindo-lhe vivacidade e acidez; também chamada de Viura em La Rioja, onde é a mais importante cepa que compõe o corte do Rioja branco, pois dá ao vinho boa estrutura e grande capacidade de envelhecer.

– Parellada: cepa que dá corpo e cremosidade aos Cavas espanhóis; também produz vinhos tranquilos, frutados, com toque cítrico.

– Xarel-lo: cepa importante na elaboração do Cava, dando complexidade e propiciando capacidade de amadurecimento.

– Verdejo: cepa que produz vinhos leves aromáticos e com boa acidez na região de Rueda (Castilla Y León).

– Palomino: essa é a grande uva branca com a qual é elaborado o Jerez, na região de Andaluzia, ao sul da Espanha; o Jerez é um vinho fortificado espanhol e um dos mais antigos vinho finos do mundo.

– Pedro Jiménez: cepa também usada na produção do Jerez, em geral, na versão mais adocicada.

Esperamos que, nesses poucos parágrafos, tenhamos conseguido proporcionar aos nossos leitores uma ideia abrangente do cenário tão peculiar, extenso e complexo que caracteriza a Espanha vinícola.

Encerramos com um pensamento de Saul Galvão que recomenda: “Um bom vinho espanhol deve ter equilíbrio entre a fruta e o paladar da madeira. Esse é um detalhe importante que o consumidor deve lembrar ao avaliar um vinho espanhol.”

Cristina Almeida Prado e Maria Uzêda.

Read Full Post »

Bisquertt, Casa Silva, Lapostolle, Los Vascos, Luis Felipe Edwards, Montes, MontGras, Santa Cruz, Santa Helena, Santa Rita, Siegel, Viña Ventisquero e Viu Manent: além de grandes produtores, são verdadeiros ícones do mercado de vinhos do Chile e do mundo. Esta semana, enólogos e produtores das 13 vinícolas que integram a associação Viñas de Colchagua desembarcaram em São Paulo para apresentar alguns de seus clássicos na ‘Avant-Première Viñas de Colchagua’.

“Escolhemos o Brasil para sediar este evento e apresentar vinhos clássicos e emblemáticos do Colchagua, região com um dos terroirs mais diversificados do Chile, com vinhedos que vão da Cordilheira ao mar”, explica José Miguel Viu, presidente da associação.

viñas-de-colchagua-chile

O Brasil ocupa a 5ª posição no ranking de exportações de vinho chileno e o Chile lidera, desde 2002, quase metade do mercado de vinhos importados no Brasil, fechando o primeiro semestre deste ano com 48,08% de participação em volume e 40,33% em valor (dados da International Consulting).

Com tradição na cultura agrícola, o Vale de Colchagua é conhecido por suas belas colinas plantadas com vinhedos antigos, além de vinícolas modernas e tecnológicas que embelezam a paisagem. Seu clima privilegiado – aliado ao uso de tecnologia de ponta – permitiu que a indústria vitivinícola desenvolvesse a produção de vinhos alcançando os melhores padrões mundiais.

As características geográficas do Vale de Colchagua formam microclimas únicos e ideais para o cultivo de diferentes variedades, como as tintas Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenere, Malbec e Syrah, além de vinhos brancos e rosés de altíssima qualidade.

Alguns destaques apresentados no evento foram:

Casa Silva Microterroir Carmenère 2007

100% Carmenère

www.casasilva.cl

Casa-Silva-Los-Lingues

Casa Silva, Los Lingues

Siegel Unique Selection 2010

45% Cabernet Sauvignon, 35% Carmenère e 20% Syrah

www.siegelwines.com

Luis Felipe Edwards Doña Bernarda 2009

58% Cabernet Sauvignon, 22% Carmenère, 15% Syrah e 5% Petit Verdot

www.lfewines.com

Viu Manent Viu 1 2007

94% Malbec e 6% Petit Verdot

www.viumanent.cl

Casa Lapostolle Clos Apalta 2009

78% Carmenère, 19% Cabernet Sauvignon e 3% Petit Verdot

www.lapostolle.com

Viña Vestisquero Pangea 2009

100% Syrah

www.vestisquero.com

Montes Alpha M 2006

80% Cabernet Sauvignon, 10% Cabernet Franc, 5% Merlot e 5% Petit Verdot

www.monteswines.com

Santa Rita Pehuén 2008

90% Carmenère e 10% Syrah

www.santarita.com

Santa-Rita-bodega-Colchagua-Chile

Santa Rita, Colchagua

MontGras Ninguén 2007

65% Syrah e 35% Cabernet Sauvignon

www.montgras.cl

Los Vascos Le Dix 2009

85% Cabernet Sauvignon, 10% Carmenère e 5% Syrah

www.lafite.com/en/the-domaines/vina-los-vascos/

Bisquertt Tralca 2010

65% Cabernet Sauvignon, 31% Carmenère e 4% Syrah

www.bisquertt.cl

Santa Cruz Reserva Especial Petit Verdot 2010

90% Petit Verdot e 10% Carmenère

www.vinasantacruz.cl

viña-santa-cruz-bodega-chile

Viña Santa Cruz, Colchagua

A Viñas de Colchagua é a primeira associação regional de vinícolas do Chile, criada com o objetivo de promover e difundir a Denominação de Origem Valle de Colchagua. Atualmente agrupa 13 produtores da região, além de ser responsável pela Rota do Vinho no Vale de Colchagua.

Mais informações em: www.colchaguavalley.cl.

Um brinde aos excelentes vinhos de Colchagua!

Cristina Almeida Prado.

Read Full Post »

Em recente viagem à França, passei alguns dias na encantadora cidade de Avignon, localizada na região da Provence, ao sul do país. Beirada pelo rio Rhône (ou Ródano, em português) e rodeada por campos de lavanda e plantações de vinhas, Avignon esbanja charme e beleza. A pequena cidade murada é bastante conhecida por seus festivais de arte e cultura, mas o que a tornou realmente famosa foi um fato histórico muito curioso e que poucas pessoas conhecem. A cidade fora, outrora, sede da Igreja Católica.

Avignon-Provence-vinhos-enoturismo

Cidade de Avignon, França.

Conta a história que em 1309 o Papa Clemente V e sua corte, num momento de turbulência política, fugiram de Roma para a cidade de Avignon, onde a Igreja possuía terras doadas pelo rei dos francos em 756. De 1309 a 1377, sete Papas franceses investiram muito dinheiro, construindo e decorando o palácio papal, que se tornou uma das maiores e mais importantes construções góticas da Europa. Em 1377 o Papa Gregory XI retornou a Roma, mas seu falecimento dois anos depois levou as vertentes francesas e italianas da Igreja a um desentendimento que ficou conhecido como “o grande cisma” e que dividiu a Igreja em duas sedes – Roma e Avignon – sendo que uma não reconhecia a outra. Mesmo depois do “cisma” ser resolvido e um Papa imparcial se estabelecer em Roma (Martin V), Avignon continuou sob comando Papal e assim permaneceu até 1791, quando foi então anexada à França.

O período Papal em Avignon promoveu influências muito positivas à região, como o desenvolvimento da arte de da cultura e o cultivo de vinhas para produção dos vinhos dos Papas. Foi assim que uma pequena vila a 25 km de Avignon foi batizada de Châteauneuf-du-Pape e é hoje reconhecida mundialmente por seus vinhos.

Chateauneuf-du-Pape-vinhos-enoturismo

Durante minha visita, além de conhecer o Palais des Papes e a ponte Saint Bénezet, cartões postais de Avignon, e de me deliciar nos pequenos “bistrôs” de Avignon, me aventurei num passeio ciclístico até a vila de Châteauneuf-du-Pape. Foi uma daquelas experiências que não tem preço. Saímos eu, meu mapa e a bicicleta, sem pressa, num dia fresco com céu azul, sentindo a paisagem ilustrada por campos de papoulas, vinhas por toda a parte e ciprestes. A mesma paisagem um dia retratada por Van Gogh em suas pinturas.

Chegando a Châteauneuf-du-Pape, uma parada numa das diversas lojas de vinhos para conhecer alguns exemplares da região foi mandatória. Ali, degusta-se sem pagar, mas espera-se que o cliente, educadamente, leve uma garrafa. E eu, de bicileta, na difícil tarefa de não carregar muito peso, comprei minha primeira garrafa. Um Chateau Mont Redon Abeille-Fabre Châteauneuf-du-Pape 2009, ótimo exemplar da região.

vinhas-ciprestes-papoulas-chateauneuf

A AOC (Appéllation D’Origine Controlée) Châteauneuf-du-Pape, uma das primeiras a serem reguladas na França, permite o uso de 13 diferentes uvas na sua produção. As mais utilizadas, no entanto, são a Grenache, Syrah e Mourvèdre. É possível encontrar vinhos das mais variadas qualidades, mas seus melhores exemplares apresentam boa estrutura, são ricos e cheios de especiarias, podem ser duros quando jovens, mas evoluem excepcionalmente bem.

Segui em busca de uma vinícola para visitar e acabei me juntando a um grupo de turistas ingleses na Ogier, que produz o renomado Clos de L’Oratoire. Além de conhecer a cantina onde seus vinhos são produzidos e as caves onde amadurecem, pude conhecer os diferentes tipos de solo de suas parcelas, representados de forma didática na frente da sede da propriedade, mostrando que cada tipo de solo confere a seus vinhos diferentes características e que quando mesclados, compõem verdadeiras obras de arte.

Ogier-Chateauneuf-du-Pape-vinhos

Encerramos a visita com uma degustação de seus vinhos, podendo entender melhor a influência do terroir no resultado final:

Ogier Châteauneuf-du-Pape Reine Jeanne 2012

Ogier Châteauneuf-du-Pape Expression de Terroir Éclats Calcaires 2010

Ogier Châteauneuf-du-Pape Expression de Terroir Galets Roulés 2010

Clos de L´Oratoire des Papes, Châteauneuf-du-Pape 2012

Dos vinhos degustados, escolhi para levar o Terroir de Galets Roulés, de solo típico da região (pedras roliças).

Assim, com duas garrafas no bagageiro da bicicleta, segui de volta para Avignon, encerrando meu passeio. Após 54 km rodados, o corpo expressava cansaço, mas a alma espelhava um sentimento de felicidade extrema por ter vivido essa experiência. Afinal, é disso que a vida se faz.

Santé!

Cristina Almeida Prado.

 

Read Full Post »

Em recente viagem à Espanha, tive a oportunidade de visitar a Bodega López de Heredia, uma das três mais antigas da região de La Rioja. Localizada na cidade de Haro, capital da Rioja Alta, ao Norte da Espanha, a Bodega López de Heredia é repleta de história e tradição.

Lopez-de-Heredia-Viña-Tondonia

Na época em que a “philoxera” se alastrou pelos vinhedos da Europa, Rioja foi poupada. Muitos vinicultores franceses vieram para essa região abrir negócio. Don Rafael López de Heredia y Landeta, que falava francês fluentemente, trabalhou com eles por algum tempo. Mais tarde, resolvido o problema da praga nos vinhedos europeus, os franceses retornaram para a França. Foi quando Don Rafael assumiu o negócio e decidiu seguir com os projetos vinícolas, começando a planejar e a construir lentamente o que é hoje a Bodega.

Pouca coisa mudou em 137 anos, desde a sua fundação em 1877. Enquanto novas tecnologias foram sendo adotadas pela maioria das vinícolas locais em busca de modernização, a Bodega López de Heredia tem mantido tradições seculares que a tornaram famosa e respeitada na região. Diferentemente também de muitas vinícolas que compram uvas de variados vinicultores, López de Heredia possui seus próprios vinhedos. A “Vinha Tondonia” é a mais antiga e dá origem ao seu vinho mais conhecido. A Bodega possui mais três vinhedos: “Vinha Bosconia”, “Vinha Gravonia” e “Vinha Cubillo”.

Lopez-de-Heredia-caves-bodegaQuem visita a Bodega López de Heredia pode testemunhar o orgulho com que os guias nos conduzem pelos bastidores da empresa. O passeio se inicia num galpão onde funciona a Tonelaria da Bodega. Um segundo galpão exibe gigantescos barris de fermentação, a antiga prensa e até filtros elaborados com gravetos das videiras, outrora utilizados na filtragem dos vinhos. Em seguida, a guia nos conduz a uma entrada através da qual penetramos num labirinto de quilômetros de túneis subterrâneos, num ambiente úmido, frio, escuro, cheio de mofo e teias de aranha, e cujas paredes estão cobertas por fileiras intermináveis de barricas. É no coração dessas galerias subterrâneas que nascem os incríveis vinhos da Bodega López de Heredia.

A madeira, definitivamente, tem importante papel na Bodega, uma vez que, tanto na fermentação quanto na “crianza”, seus vinhos passam por ela durante longos períodos, seguindo procedimentos totalmente naturais e artesanais. O caráter original e exclusivo dos vinhos lhes rendeu, do Conselho Regulador da DOC Rioja, um “Diploma de Garantia” exibido orgulhosamente no contra rótulo das garrafas. Outra curiosidade é que os brancos passam pelo mesmo tempo de envelhecimento quanto os tintos, e o resultado é surpreendente: brancos majestosos e opulentos.

Após o circuito de visitação que durou cerca de hora e meia, passamos para a sala de degustação para experimentar alguns de seus vinhos:

Lopez-de-Heredia-degustação-vinhos

“Vinha Tondonia 2002”  Tinto Reserva
Castas: Tempranillo, Garnacha, Graciano e Mazuelo.
Seis anos de barrica e mais seis anos em garrafa.
Notas: vinho de coloração granada com reflexos atijolados, exibe nítidos traços de evolução; no aroma,notas de couro, um toque terroso e um quê de gorgonzola, refletindo os subterrâneos da Bodega; em boca, equilibrado e elegante, taninos finos e longa persistência.

“Vinha Tondonia 1999”  Branco Reserva
Castas: Viúra e Malvasia. Seis anos em barrica.
Notas: vinho de coloração amarelo dourado, exalava aromas de mel; em boca, complexo, marcante e bem agradável, apesar da baixa acidez.

“Vinha Gravonia 2004”  Branco
Casta: 100% Viúra . Quatro anos de barrica.
Notas: vinho de coloração amarelo palha com reflexos dourados; aromas doces de abacaxi bem maduro com um toque cítrico e notas de brioche; em boca, cítrico, encorpado, boa acidez e final longo com toque amendoado. Muito bom! Um branco diferente.

Lopez-de-Herediz-estande-degustaçãoVimos assim, que a elaboração dos vinhos López de Heredia obedece a processos que são verdadeiros acervos de família e que se transmitem de geração a geração. Conforme eles mesmos definem, “há uma mística presente na labuta diária, arraigada na perenidade da tradição e na convicção profunda na validade e vigência de seus métodos”. São vinhos que evoluem lenta e nobremente, carregando consigo promessas de uma vida longa.

Encerramos a visita, impressionados com a solidez e a grandiosidade do espaço construído para abrigar toda sua produção. Essa mega estrutura arquitetônica, também chamada de “Catedral do Vinho”, é fruto do trabalho de sucessivas gerações da família que foram deixando, através dos tempos, a marca de seu esforço, motivados por uma única paixão: o vinho.

Bodega López de Heredia
Avda. Vizcaya, 3. Haro. La Rioja. Espanha.
Site: www.lopezdeheredia.com
Importadora no Brasil: Vinci.

Maria Uzêda.

Read Full Post »

« Newer Posts - Older Posts »